Eric Novello |

Falando de literatura, cinema, música e ironia.
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Orgulho e Preconceito… e Zumbis!

Thursday Mar 18, 2010

A editora Intrínseca está mesmo apostando no catálogo de literatura fantástica para marcar presença no mercado brasileiro. Depois de três grandes editoras anunciarem lançamentos importântes do gênero, a Intrínseca propagandeou no twitter que em breve Pride and Prejudice and Zombies chega às nossas prateleiras.

O livro mistura a clássica história de Jane Austen com zumbis e ninjas(!), criando um mash up literário que respeita consideravelmente o texto original. O sucesso lá fora foi tanto que logo em seguida foi lançado Sense and Sensibility and Sea Monsters.

Por aqui, a Intrínseca colheu os frutos do sucesso de vendas dos livros de Stephenie Meyer (da série Crepúsculo e de O Hospedeiro), publicou a série O Ladrão de Raios (Percy Jackson, adaptado recentemente para o cinema), os livros de Markus Zusak (Eu sou o mensageiro e A menina que roubava livros, que, se não me engano, foi o primeiro grande sucesso de vendas da editora), O segredo de Brokeback Mountain e O ladrão de arte, de Noah Charney, que tenho bastante curiosidade de ler. Quem sabe um dia a Intrínseca não abre as portas para a fantasia nacional também?

Você lê no tumblr do livro: 
“É uma verdade universalmente aceita que um clássico nunca morre. Nunca. Porém, ao longo do tempo, ele pode inspirar novas interpretações. E quando o assunto é releitura, Seth Grahame-Smith supera todas as expectativas. Mais do que propor novas perspectivas sobre o consagrado romance de Jane Austen, ele se apropriou do texto, e através de várias intervenções literárias, fez uma paródia criativa e bem-construída, preservando oitenta e cinco por cento do texto original. O resultado é o sucesso internacional arrebatador, traduzido para mais de vinte idiomas, e que motivou o lançamento de diversas outras paródias”.

Abaixo o book trailer de Pride and Prejudice and Zombies: Dawn of the Dreadfuls. Na verdade, ele é um prequel de Orgulho e Preconceito e Zumbis.


Coletânea paga é tudo lixo? parte 2

Wednesday Mar 17, 2010

De volta ao tema que alguns dizem esgotado outros eternamente espinhoso, queria lembrar que não estou centrando o assunto nas editoras. Cada editor sabe da sua consciência e das contas acumuladas no fim do mês. Se o suicida pula da ponte, não podemos culpar a ponte por estar lá parada esperando por ele. Não é explodindo as pontes que se reduz o número de suicídios. Minha posição aqui é passar informação e refletir sobre as razões que levam um autor iniciante a pagar para publicar, ajudando-o a tomar melhores decisões. Por isso bato na tecla de que o importante é ter transparência. Se você pagou para publicar, não tenha vergonha de dizer (se você sabia que teria vergonha, por que mesmo publicou?). Se você cobra para publicar, não finja que não cobra. Simples assim.

Para falar da ilusão número 3 me veio em mente uma música da Motown com o refrão na voz do Michael Jackson que era mais ou menos assim: “I always feel like somebody’s watching me. Is it just a dream?” A letra fala originalmente de paranóia, mas uso aqui para falar de visibilidade. Escritor não é modelo para gastar chão em shopping na esperança de esbarrar com olheiros de agência. Mesmo o modelo sabe em que shopping pode colher frutos e qual só serve para gastar dinheiro. Então, antes de entrar na canoa das coletâneas pagas, pense no seguinte: você está fazendo isso para chamar a atenção de quem? Vamos analisar algumas possibilidades.

Uma hipótese seria chamar a atenção do editor para o seu trabalho. Se ele se envolve com as coletâneas que organiza (alguns nem olham), ele é o seu primeiro alvo, o cara que conhecerá a qualidade do seu texto ou a falta dela. Lendo um conto ele passa a conhecer seu nome e seu potencial, podendo abrir ou fechar portas de acordo com a avaliação. Só não se esqueça de que se ele só publica coletâneas pagas, talvez esteja mais interessado em conhecer as qualidades da sua conta bancária, e que se não for esse o caso, é preciso que o seu texto seja bom de fato.

Outra hipótese seria apresentar o seu nome aos organizadores da coletânea. Algumas editoras escolhem nomes expressivos do nicho-alvo para fazer a seleção de contos e dialogar diretamente com os candidatos a uma vaga. Nesse caso, é provável que o editor tenha pouco contato com os textos e só leia o material já selecionado e revisado, fazendo o corte final. Uma boa dica é procurar saber mais sobre os organizadores. Se eles forem autores, procure se informar sobre suas obras. Procure o Web site, espie a biografia. Você se identifica com o que eles escrevem? Dê uma olhada nos livros deles, em contos na Internet. Se você considerar o texto de um organizador fraco, é o caso de recusar o convite e pensar em outra porta de entrada. Vale lembrar também que há pessoas que só organizam livros ou que são mais conhecidas por isso do que pelos livros que lançam como autor. Se for o caso, vá atrás dessas coletâneas e veja a qualidade da publicação. Se a pessoa foi capaz de reunir nomes fortes em torno de um tema interessante, ponto para ela.

Por último, mas não menos importante, conheça os seus companheiros de coletânea. Há livros que cumprem um papel muito maior de apresentá-lo a outros escritores do que o de colocá-lo em contato com o público. Geralmente, como forma de atrair candidatos, também são anunciados “escritores convidados”, nomes já publicados e com certo prestígio. Repita a pesquisa de campo que fez com os organizadores. Pense se confia de fato no seu material para se apresentar a essas pessoas. Por fim, tente conhecer as pessoas que estão na mesma situação que você. Quais são os demais autores iniciantes tentando uma vaga paga na coletânea? É difícil manter um padrão de qualidade do início ao fim de uma coletânea de um só autor, imagine de vários, mas é importante ter isso como objetivo. Conhecer os textos (ou simplesmente a biografia, dependendo de sua intenção) dos demais pode ser uma boa maneira de avaliar o projeto como um todo e decidir se ele vale a pena.

Mas e o público? Meu objetivo não deveria ser me apresentar aos leitores? Isso comento na ilusão número 4. 


A Kind of Bossa, Rodrigo del Arc

Tuesday Mar 16, 2010

De vez em quando me vem em mente uma noite de Natal com a família na mesa, uma garrafa de vinho vazia e a outra pela metade, todo mundo papeando naquele clima de final de festa em que os assuntos mudam numa piscada. Eu não me lembro do contexto da conversa em que meu tio comentou que “os CDs hoje em dia só tem duas músicas boas e o resto não presta”. Isso no final da década de noventa. Nossos gostos musicais eram bem diferentes e, consequentemente, a qualidade do que ouvíamos, mas não pude deixar de dar certa razão. Alguns artistas pareciam preparar duas ou três músicas para tocar na rádio e encher o CD com o que sobrou do tempo de aluguel do estúdio. Se você olhar para a sua coleção na estante certamente vai achar um par de exemplos assim. Isso se ainda não tiver transformado as boas em mp3 e vendido os CDs no sebo.

Hoje com o mercado de músicas digitais, a situação tinha tudo para caminhar nessa direção que não sei se é a melhor escolha, então fico feliz de perceber que, pelo contrário, o pessoal tem se esforçado para entregar um cd redondo aos fãs, com várias músicas com potencial para tocar na rádio, mas sem cair na pasteurização.

Esse é o caso de A Kind of Bossa, do Rodrigo del Arc, mais um nome da nova geração da música brasileira que conheci através da minha irmã. O Rodrigo flerta com a sonoridade brasileira da bossa e do samba, acrescentando seu flavor pessoal às composições. Pensei em usar aqui o clichê do “olhar para o passado tendo um pé no futuro”, mas parando para pensar, ninguém diz que o rock está velho, que o rap está velho, que o pop está velho, então não quero prender a bossa nessa amarra temporal, ainda mais resenhando um CD que aposta na contemporaneidade.

Slip to precision é um sambinha de percussão bem trabalhada que poderia estar em um cd da Roberta Sá. Gosto porque foi feita para seguir num crescente até o clímax e é uma boa apresentação do CD. Estou curioso para ouvi-la ao vivo. Sometimes me lembra muito dos áureos tempos do George Michael, uma das minhas prediletas. Se em Slip to precision Rodrigo del Arc usa o fraseado sílaba a sílaba para destacar o ritmo, em Sometimes as palavras são pronunciadas mais lentamente, permitindo que ele explore ao máximo a sua voz, casando direitinho com a melancolia da letra. Essa melancolia também vale uma escutada em Under the sea, a mais atmosférica do cd. A letra traz uma alegoria de despedidas e solidão muito bem sacada, com direito a um “whatever” no final no maior clima de “apesar disso tudo, dane-se”. Ironia poética. “Some time ago we used to say, and you said it will last forever, But forever had an end” The question song ganhou videoclipe, toca na rádio e você consegue em download gratuito no myspace do cantor. É letra de fim de relacionamento, cheia de perguntas jogadas ao ar. “Why did you fake, why did you take that from me and then brake all the rules?” Apesar de ser a canção de trabalho, gosto só do final estilo Jorge Ben. Prefiro a levada de Trip, que me remete a surf music, um clima de praia, de viajar por aí caindo na estrada que me deixa saudosista. “Posh Motels, fancy cars / A blue bird stroke in my guitar / While everyone keeps knocking on my door.” Pena que acabe tão rápido. Para fechar, uma que não poderia faltar nessa lista resumida é A place to remind, um dos grandes acertos do CD. Tem um quê de ritmos nordestinos (não, o resenhista não está louco. Escuta lá com atenção) e um instrumental que vale ouvir uma segunda, terceira, quarta vez.

Intimista sem ser reducionista.


Fantastik is no more

Saturday Mar 13, 2010

Talvez você não tenha notado ainda, mas o Fantastik acabou. Pensava no assunto há algum tempo e ontem a decisão foi tomada. O Fantastik durou aproximadamente um ano e meio, tinha visitações altas graças ao seu lado blog, mas também desempenhava um papel importante como site de referência. Muitos sites por aí, recentemente um punhado de internacionais também, linkavam o Fantastik ao falar de algum livro ou autor. São as teias invisíveis da Web.  A gente não se dá conta de que elas existem até que precisamos dela.

Dito isso, o Fantastik cumpriu bem o seu papel em seu curto tempo de vida. Quero agradecer ao Roberto Causo e ao Hugo Vera (que tem um ótimo site de divulgação), as primeiras pessoas a me ajudarem enviando material para o site. Fica um agradecimento também a Ana Cristina Rodrigues, a primeira a saber da idéia e me dar força para divulgá-la nas comunidades de Fc&F.

Um ator nicaraguense amigo meu colocou em seu facebook uma frase que resume com precisão a decisão: “Definitivamente me estoy volviendo cada vez mas adicto con la libertad que me otorga el no perder el tiempo”.

Se você enviou algum material para o Fantastik e este não foi utilizado, sinta-se livre para publicá-lo em outros blogs. O importante é compartilhar, fazer a informação correr. Já que essa entidade chamada literatura fantástica é tão boa na hora de divulgar a vida alheia, devia usar essa energia também na divulgação de seus trabalhos.


Brasil, hoje

Friday Mar 12, 2010

Falta de informação…

“Muito se fala da necessidade da camisinha e de como ela ajuda na prevenção de doenças como a Aids, mas na prática não se ensina a usar. O resultado disso é o que vemos em alguns grupos de meninos da Zona Oeste carioca, que acham que um saquinho plástico de sacolé (tipo de sorvete caseiro feito com suco de frutas congelado) serve como camisinha”, conta Marcos Ribeiro. No site da GNT.

Violência…

“Segundo Handro, os homens renderam a filha do cartunista quando ela tentava entrar em casa. Eles entraram na residência e anunciaram que levariam toda a família. Glauco negociou para que apenas ele fosse levado. Durante a negociação, o cartunista levou uma coronhada no rosto. Ao saírem do local, o filho Raoni voltava da faculdade e se assustou com o pai sangrando e com uma arma apontada para a cabeça. Raoni tentou negociar e neste momento os bandidos deram quatro tiros em Raoni e outros quatro em Glauco. Um dos tiros acertou o rosto do cartunista. A mulher e a filha de Glauco presenciaram tudo”. no portal G1.

Violência e falta de informação…

“SÃO PAULO - Nem tentativa de assalto, nem vingança. O cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, e seu filho Raoni, de 25, foram vítimas de uma tragédia. O assassino era conhecido da família e frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, inspirada nos cultos do Santo Daime…” No Estadão.


Coletânea paga é tudo lixo? parte 1

Tuesday Mar 9, 2010

Quando trabalhava em drogaria, a chefona da área vivia dizendo: “qualquer hora teremos advogado de porta de farmácia”, isso porque pequenos erros podem gerar grandes processos no caso de medicamentos, e o responsável por qualquer burrice dentro da farmácia é o… farmacêutico.  É um raciocínio simples que se aplica também à literatura: onde há animais moribundos há hienas sorridentes, onde há carniça há urubus disfarçados de homens sábios.

Até pouco tempo, uma ou duas editoras eram odiadas por publicar livros pagos. Elas estão na lista negra de qualquer pessoa antenada que saiba acessar a comunidade certa do Orkut. Nenhum segredo. Mas, a natureza humana não falha e o capitalismo também não, por isso o “uma ou duas” se proliferou. Mesmos alguns escritores que diziam ser um absurdo pagar para publicar começaram a encher os bolsos colocando a idéia em prática.

Novamente, viva o capitalismo. Se abrir loja de suco de catuaba com guaraná selvagem está dando dinheiro, logo haverá zilhões de lojas iguais. E elas só continuam abertas porque existe público para isso. O esquema pague para publicar é bem diverso e não vou aqui entrar no mérito de cada um, qual ainda pode levantar a bandeira do orgulho editorial e qual só pode levantar a bandeira do navio pirata. Há quem cobre cerca de 18.000 para publicar um romance, há os que cobram para publicação de conto, há os que não cobram nada, mas também não pagam direitos autorais. A maquiagem varia, mas o palhaço é o mesmo. Então, queria me centrar num lado da equação que vem sendo esquecido nos debates: o escritor.

O que leva um escritor em sã consciência a pagar uma fortuna para publicar? O que leva um escritor a achar que pagar para publicar um conto de 4 páginas numa coletânea de 50 autores abrirá portas na sua carreira literária?

No que diz respeito a romances, vou deixar mais para frente, onde falarei da minha experiência pessoal e do que faria de diferente hoje em dia. Agora, vou analisar o mundo das coletâneas pagas, inspirado no verdadeiro banzé que ocorreu no prêmio de literatura organizado pela Ana Cristina Rodrigues, com gente colocando perfil até de neto recém-nascido para votar e ganhar o prêmio de melhor ‘conto que ninguém leu’ do ano. Foi uma confusão inesperada e que ensinou muito à Ana e aos que estão acompanhando o processo. Eu, pelo menos, estou aprendendo bastante.

Dito isso, vamos ao mundo das ilusões.

O que me vem em mente logo de cara é a ilusão de que só é escritor quem é publicado em papel. Isso é mentira. Tem muita gente com dois, três, quatro livros publicados que eu não considero escritor. Pelo menos nunca pensei em dublês como atores nem em garçons como chefs. Quem é publicado tende a montar cercadinho em volta da casa e dizer que lá dentro a grama é mais verde. Mas você não é obrigado a acreditar nisso. Deixe o cara gastar a garganta dele botando banca e vá fazer o que interessa: escrever. Existe gente com presença na Internet e/ou chegando só agora ao papel que tem um compromisso muito maior com a literatura do que os publicados, e ser escritor para mim é isso: usar de seu trabalho criativo  para firmar um compromisso com a literatura. E vale repetir: literatura. A quem publica para firmar compromisso com o próprio ego, boa sorte.

A ilusão número 2 é a do “estou pronto para o mercado”. Você passou meses escrevendo, quem sabe anos. Mandou o texto para todos os amigos do colégio, mostrou para a sua mãe, para o seu pai e até para a sua avó. Todos elogiaram, por isso você se sente pronto para publicar aquele belo conto de três páginas que revolucionará o mundo e o levará a debates filosóficos em Paris. Hum. Hora de acender o alerta vermelho. Antes de mais nada, a avaliação de um texto só é válida quando feita por alguém que entende do assunto. Um leitor voraz poderá te falar algo relevante, mas ainda assim o ideal é buscar alguém do meio literário, procurar escritores e editores. Nem todos são reclusos. Pelo menos nos meandros da Fantasia e Ficção-científica é fácil achá-los em listas de discussão e comunidades do orkut.

Supondo que alguém tenha tempo e paciência de ler o seu conto, prepare-se para o choque de realidade. Digo isso por experiência própria. Recebo muitos textos para analisar, e uma parte das pessoas comete erros graves de português sem nem se dar conta disso. Nexo narrativo? Coisa rara. No fim das contas, o importante é entender que o que te prepara para o mercado é a experiência. Escreva e leia sem parar. Não julgue seu primeiro texto uma obra de arte. Ele não é. Provavelmente ele é um lixo. No futuro, quando for tirá-lo da gaveta, você irá rir de nervoso por ter escrito algo tão ruim e de felicidade por ter melhorado tanto ao longo dos anos. Quem te elogia para arrancar seu dinheiro não merece o seu respeito.

Agora pense comigo: você quer mesmo deixar registrada em papel a sua primeira tentativa como escritor? Porque quando você estiver no seu quinto livro, sempre terá alguém para lembrar: nossa, é o autor DAQUELE conto? Justo daquele?

É algo que repetirei nas próximas partes desse debate: use a Internet a seu favor. Não corra para a primeira coletânea paga que aparece na sua frente. Avalie com a mente e não com o coração se a proposta vale a pena.

No próximo post, as ilusões número 3 e número 4.


Evolution

Monday Mar 8, 2010

Dia desses enviaram no twitter o link do The Book Cover Archive, que me foi repassado pelo editor da Draco, Erick Santos. Com um bom acervo de capas, ele ajuda a referenciar o trabalho dos autores e capistas que se repetem no arquivo. Apesar de achar a maioria das capas muito sérias e muito sóbrias (entenda-se entendiantes), algumas valeram o garimpo., como é o caso de China Witness, de Xinran. Na área de FC&F, destaco a capa de Evolution, que você vê abaixo.

Evolution foi escrito em 2002 pelo inglês Stephen Baxter, autor a mim desconhecido com dezenas de publicações na área de Ficção-científica e com uma série passada em Roma, que entra desde já na minha lista de futuras aquisições.

Nas palavras do site do autor Evolution é “The ultimate family saga: the rise of the primitive primates who survived the fall of the dinosaurs, through ages of Darwinian shaping becoming human – and, in the furthest future, their final fall.”

Baxter escreve desde 1991 e já ganhou montes de prêmios, incluindo o Philip K Dick Award, British Science Fiction Association Award e até um tal de Seiun Award, no Japão. Como leio coisas muito pontuais de ficção-científica, capaz que ele seja conhecido de muita gente. De qualquer maneira, fica aí a dica. O site Fantastic Fiction dá uma boa idéia do tamanho da obra do cara. Você ainda pode ver por lá outra capa do Evolution, mas prefiro a que copiei no post.


Mundo careta

Thursday Mar 4, 2010
  1. Uma mulher é expulsa de um estádio no México por levantar a camisa e mostrar os peitos durante a partida.
  2. Uma mãe é expulsa de um ônibus em Londres por amamentar o filho recém-nascido.
  3. Uma família de Nova Jersey precisa vestir a réplica em neve da Vênus de Milo a pedido da polícia, após denúncia de um vizinho.
  4. Um velho chama a polícia no Rio de Janeiro por ver duas meninas se beijando num bloco de carnaval.
  5. Um comercial de cerveja com a Paris Hilton é proibido no Brasil por ser considerado ofensivo à imagem da mulher.

Achava que o mundo estava ficando careta. Me enganei. Está ficando ridículo.


Nada a dizer, Elvira Vigna

Wednesday Mar 3, 2010

Aguardado com muita ansiedade nas meias paredes do escritório (sorry, mas temos um viveiro aberto numa delas, bem no centro de São Paulo), Nada a dizer finalmente chegou às livrarias. A crítica e os jornais sempre deram atenção aos livros de Elvira Vigna, mas acho que esse terá um bônus por tratar de um tema popular desde sempre – a traição – de uma forma inteligente, com todas as camadas de tinta peculiares ao seu trabalho.

Para começar a divulgação, a autora gravou um vídeo em que passa a sua visão sobre o tema. Todo mundo que comentou ganhou suas duas linhas logo abaixo do vídeo, numa lista bem engraçadinha.  Numa nova etapa, quem ler o livro e enviar o seu comentário para a autora ganha um exemplar de A um passo, que é um livro vanguardista em que a história é contada não só pela autora, mas também pelo leitor durante a leitura.  Só lendo para entender o que você estava perdendo por não conhecê-lo. Aproveite essa chance 2 em 1 e comente o Nada a Dizer.

Release – Em ‘Nada a dizer’, Elvira Vigna transfigura o registro dos relatos confessionais para fazer um balanço do amor e do erotismo num mundo de relações afetivas fragmentárias e movediças. O livro apresenta a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída. No entanto, mais do que o inventário de perdas e danos em que costuma consistir esse tipo de relato, o que se encontra aqui é uma investigação das motivações de cada um dos envolvidos, bem como uma discussão indireta das possibilidades de entendimento amoroso no mundo urbano contemporâneo. Paulo e a mulher-narradora, cujo nome não é revelado, formam um casal de alternativos de meia-idade, experimentados nas revoluções políticas e comportamentais dos anos 1960, mas que parecem não ser capazes de lidar com questões como a fragmentação de identidades ou o pensamento cínico de um novo e vitorioso meio social. Os laços que os unem são abalados pela entrada em cena de uma amante vinte anos mais jovem e de perfil executivo, que tanto um quanto o outro não hesitariam, na juventude, em chamar de ‘burguês’. A instabilidade marca a trajetória dos personagens. No início da narrativa, o casal de protagonistas acaba de se mudar para São Paulo. As caixas e malas espalhadas aleatoriamente pela casa são o signo de uma desordem interior muito mais profunda. Não por acaso, grande parte dos acontecimentos narrados ocorre em trânsito – na rua, em aeroportos, cafés, hotéis de alta rotatividade – e as conversas cruciais se dão no espaço fluido dos e-mails, chats on-line e mensagens de celular.

Trecho do primeiro capítulo:
“No dia 16 de novembro, Paulo abriu os olhos e voltou-se para a nesga de luz que passava pelas duas cortinas – a mais pesada, de um plástico cinza, e a mais leve, de um tecido branco transparente que ficava por cima da outra. Permaneceu assim por alguns momentos, antes de iniciar o preparo para que o resto todo de seu corpo pudesse acompanhar os olhos e sair do quarto escuro, pequeno e já cheio de ruídos: alguém que ligava a televisão no quarto ao lado; o carrinho da arrumadeira, ameaçador, no hall; o tlim do elevador. Primeiro, fez uma inspeção mental básica no estômago e boca. Não, nenhum vestígio do mal-estar da noite anterior, em que depois de comer um X-tudo no bar da esquina, vomitou e cagou a alma. E ao falar para si mesmo essa frase, poderia ter achado engraçado: a alma. Seria oportuno, rá, rá, se livrar da alma na véspera. Mas Paulo não era uma pessoa de muitas reflexões. Isso normalmente. Naquela hora, então, é que não havia de fato lugar para elas. Depois do estômago foi a vez do joelho e, nesse, a inspeção não poderia ser apenas mental. Então Paulo esticou a perna, dobrou e tornou a esticar. Nada de muito ruim. A dor nas costas, com a hérnia de disco, estava como sempre ao acordar: existente. Mas, no decorrer do dia, com os movimentos, tendia a se estabilizar. E, depois disso, como se já se sentisse cansado – e o motivo do cansaço seria, então, o fato de ter joelhos, estômago e costas -, ainda ficou, os olhos agora mirando a escuridão, a ouvir o tique-taque do relógio grande, feio, da mesinha de cabeceira. Ficou ouvindo o tique e o taque e o tique e o taque, em sua previsibilidade, enquanto dava um tempo para que a arritmia se manifestasse. Era o único sintoma de sua cardiopatia, para a qual tomava quilos de remédios cotidianamente.
O dia começava.

Depois, já andando na praia em direção ao Posto Seis, seu corpo e seus mais de sessenta anos ficaram esquecidos. Andar sozinho por cidades desconhecidas era sempre um imenso prazer. Andar de ônibus ou de carro por estradas que o levassem a lugares desconhecidos, mais ainda. O Rio de Janeiro não era desconhecido até bem pouco tempo. Tinha ficado. Saíra de lá, com toda a família, não fazia um mês. Mas se a cidade continuava a mesma, ele já era outro. E entre seus pés e as calçadas, agora surgia uma distância alegre de quem não tem mais nada a ver com aquilo.”

Como hoje em dia tem zé ruela para tudo, até para dizer que eu invento notícia, fica aqui o link para a versão internética do texto no Estadão, e a reportagem que saiu em papel.


Aguarrás: Nazarethe Fonseca

Wednesday Feb 24, 2010

Entrevistei para o podcast do Aguarrás minha amiga Nazarethe Fonseca, autora da saga Alma e Sangue. Diretamente de Natal, cercada de gatos peludos e bombons de cupuaçu, a Naza falou comigo sobre os primeiros passos dentro de seu universo, como veio a idéia de criar a série, das maravilhas de São Luís do Maranhão e o que os fãs podem esperar do livro 3 – O Pacto dos Vampiros – que será publicado agora em 2010.

Aproveito para anunciar que estou trabalhando em um novo projeto da autora. Apesar de não ter pego o copidesque do livro 3 por motivo de agenda lotada (thanks Zeus) e para me dedicar aos meus projetos literários, aceitei trabalhar numa história mais rapidinha e interessante que os fãs verão em breve. Deu até para zerar as faturas da minha ida a Buenos Aires.  


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