08. A teoria da evolução

Há dois motivos para eu duvidar da teoria da evolução de Darwin. O primeiro é a existência do microorganismo unicelular pseudotrópode que habita as fendas escuras de falhas vulcânicas ricas em enxofre e de temperatura elevada na faixa pré-formada de Nova Guiné. Se a teoria funcionasse é claro que o microorganismo unicelular pseudotrópode iria habitar as fendas escuras de falhas vulcânicas ricas em enxofre e de temperatura elevada em Zurique (!) ou Las Vegas (!!). Deve haver uma fenda (…) por lá.

O segundo motivo são os mosquistos. Eu queria ver Darwin, vivinho, me explicar por que acordo toda noite com pelo menos cinco picadas pelo corpo e depois me convencer de que é para o bem da humanidade. Não é que eu não ame a natureza, só não quero que ela passe pela minha janela. É tão bonito natureza do lado de fora, passarinho, plantinha, mico. Os mosquitos devem ter acesso a bichos simpáticos no meio do mato. O gosto do sangue é parecido. Eu como folha também. Eles vêm atrás de mim de crueldade. Calma. Eu tenho uma violeta e uma samambaia no apartamento. Um amante clássico do meio ambiente.

Se ainda fossem as baratas eu entenderia. As baratas se encolhem, se enterram, nadam, cantam, dançam, representam, são resistentes aos raios gama, fazem pilates e ainda voam. Merecem uma medalha de honra ao mérito do Instituo Darwin. Mas os mosquitos. Você então me diz. Eles servem para alimentar sapos e lagartixas que por sua vez alimentam cobras que alimentam aves e lagartos. Eu te pergunto – então a mosca serve para quê?

Sei que, revoltado, espirrei meio vidro de raid em um mosquito. Era tarde e eu estava com sono, mas juro que vi o bicho levantar a patinha e perfumar o sovaco com o inseticida. Foi nesse dia até que descobri que mosquitas não raspam as axilas. Você sabe que quem morde é a mosquita e não o mosquito. O mosquito se alimenta de luz. Pertence a uma religião alternativa que ativa a glândula pineal com reza braba. Está lá, na teoria de Darwin.

O quarto ficou com um cheiro horrível e eu fui dormir na sala.
Acordei me coçando e descobri uma maravilha moderna, o repelente.
Espalhei pelo corpo inteiro. Acordei intoxicado e com picadas na mão. O maldito do mosquito mordeu a mão que usei para segurar o repelente e borrifar no corpo! Quase saio por aí espalhando que eles são seres de inteligência superior – um tipo de alienígena que não tem mais o que fazer e acha que cutucar intestino de vaca é muito chato. Sabe aquela história de “eu queria ser um mosquitinho só para ver…?” Só não faço porque eles grudam no papel pega mosca. Se fossem inteligentes não grudariam. Vai ver possuem outro alfabeto. Será que são egípcios?

De tanto experimentar incensos, boi sacrificial, repelente eletrônico, criação de aranha, fita isolante e uns apetrechos sadomaso, descobri a fórmula ideal para afastá-los: CD de FUNK evangélico.

Não tem UM mosquito que se atreva a entrar no quarto.
O problema é que eu também não durmo. Estou com uma mancha  negra embaixo dos olhos que só vendo. Pareço um gótico.
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Lucas Moginie é fruto da minha imaginação e não da sua. Suspenda os medicamentos. Ao persistirem os sintomas seja criativo e escolha seu próprio amigo imaginário.

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2 Responses to 08. A teoria da evolução

  1. Tibor Moricz says:

    Livre-se da samambaia e se livrará dos mosquitos.

  2. Mila F says:

    Eu tinha um monte de coisas a dizer sobre isso mas acho que todas se resumem a:

    Huahahahahahahahahahahahahahahahahahahah!

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