Lucas Moginie não agüenta mais. Ponto. Ele não agüenta mais praticamente tudo. Ele não agüenta trânsito, prefeito que corta a verba da limpeza, vizinho que não paga condomínio. Lucas acha que o caos está estabelecido. E como é esperto, sabe que o caos é um excelente momento para se lançar candidato ao governo de São Paulo sem precisar cortar a verba da merenda.

(Aqui quem fala é o próprio Lucas, mas fica bem falar tudo em terceira pessoa nas campanhas eleitorais e já estou treinando. Nesse momento, inclusive, não olho para a câmera, que me filma de perfil).

Veja sua primeira e única medida:
Programa Para as Pessoas Mal Comidas, vulgo PPPMC, ou 3PMC, ou P = MC3. Lucas acha que fica bem uma sigla, porque de acordo com o Bonner, os brasileiros não entendem siglas, então pode ser qualquer porcaria que vai dar no mesmo já que o seu intelecto é igual ao do Homer Simpson. Mas vamos à campanha. Como não tinha grana para gastar com os marketeiros, criei no chuveiro num dia mais animadinho:

Você, minha jovem, meu senhor, com certeza foi ou conhece alguém que já foi vítima das pessoas mal comidas. As mal comidas estão se espalhando a uma velocidade assombrosa pela cidade, trazendo o caos e a desordem. As mal comidas alimentam o ciclo de violência na cidade. São como homens-bomba, estão do seu lado de jaqueta jeans e você só sabe que está em perigo quando elas explodem.

Certamente você já entrou em uma padaria, pediu pão francês, perguntou se estava fresquinho e recebeu um saco cheio de pão duro. Quando foi reclamar, o tempo fechou! A mal comida ou o mal comido começou a berrar coisas como “quer melhor, faz em casa”, “quer fresco, espera até as três”. Você, puto da vida, certamente pensou que ao invés de francês tradicional ela poderia colocar a baguete no forno, mas por pura educação, finíssimo, elitizado, pagou e foi curtir seu pão duro em casa.

Isso não pode continuar. Não podemos sofrer por causa do excesso de hormônio alheio. Prometo choque de ordem nos mal comidos já nos primeiros três meses. Com fio desencapado e tudo.

Veja as medidas:
1. Distribuição de calça jeans com zíper extra large. Para que dormir de calça jeans não seja mais problema, mas solução. Segundo dicas do meu assistente de mão cabeluda, uma costura mais grossa e felpuda também ajuda. Provavelmente serão fabricadas pela Daspu a preços populares. Depois do Vale Refeição e do vale Cultura, é a vez do Vá-sê!
2. Garotas e garotos de programa serão contratados e treinados nesse novo método assistencialista. Vai uma mãozinha? Esse é o nosso lema. Aqui não há discriminação. Praticamente um Rio, Arme-se e Desarme-se, Arme-se e Desarme-se. A taxa de desemprego cairá vertiginosamente.
3. Criação do McAN – Mal comidos anônimos. Três reuniões e o BigMac com batata frita é de graça. Servirá para que as pessoas possam trocar experiências e de preferência arrumar uma trepada rápida no fim de noite, para alegria do vizinho que não quer mais você reclamando do som alto.
4. Adesivos de alerta para carro inspirados nos broches da Herba Life. Alguns dos nossos dizeres: “Deixei de ser mal comida, pergunte-me e eu como” ou ainda “Quer trepar uma semana seguida? Eu tenho a solução”.
5. Plantações em horta comunitária de guaraná, cacau e catuaba geneticamente modificados.
6. Ovo de codorna e amendoim integrando a cesta básica de pessoas em estado crítico.
7. Programas de dicas de adolescentes sobre resoluções rápidas para um fim de noite frustrado. Venderemos luvas com texturas variadas, de couro de bezerro a pelica francesa.

Tudo isso bancado pelo governo com o seu dinheiro. Sim, sim. Mas não é só isso, Sílvio. Junto com a enganação você leva um pacote de camisinhas que brilham no escuro e um tênis Montreal.
Veja o depoimento de pessoas que estão servindo de cobaia nos experimentos ilegais do McAn:

“Antes, eu batia com as garrafas e copos na mesa dos clientes. Agora sou um novo homem. Depois que li o livro ‘sua mão, sua felicidade’ trato bem todo mundo e aumentei as gorjetas”.

“Eu sempre reclamava do barulho da bica do vizinho. Aquela goteira era insuportável. Ele vivia reclamando do meu cachorro, o Tatuí. Hoje, nem eu nem ele reclamamos mais. Eu e o vizinho passamos a noite fazendo tanto barulho que não percebemos a goteira nem o Tatuí. Aliás, acho que o Tatuí morreu, porque tenho sentido um cheiro estranho no banheiro de empregada. Pensando bem, pode ter sido a empregada”.

Não pense mais. Lucas para Governador. Nada de distribuir santinho nas esquinas. Vamos comemorar nos jogando nus na piscina do Copacaba Palace, que nu no lago do Ibirapuera com os gansos soltos é um perigo. Doe seus fundos! Venha já.