Uma reclamação constante dos leitores brasileiros de literatura fantástica é a demora do lançamento dos títulos aqui no Brasil. Sabemos que o mercado tem uma resistência burra a autores nacionais, parte pela preguiça das editoras de fazerem um trabalho promocional de qualidade, parte pela estagnação de pensamento dos livreiros que nem sempre conhecem seu material de trabalho. Mas quando se trata de títulos internacionais sempre paira a dúvida: qual a lógica que rege os lançamentos aqui dentro? Sucesso de vendas é sempre uma carta na manga, com certeza. Mas existe algo mais, as famosas cordas invisíveis do mercado.

2009 e 2010 apresentam sinais de que o quadro está mudando. Chegam ao Brasil três séries que estão fazendo muito sucesso lá fora e que levam os fãs da fantasia a universos bem diferentes do encontrado nos livros de Tolkien.

Depois de se firmar com livros de auto-ajuda, a Editora Sextante ganhou espaço e prestígio publicando o best-seller Dan Brown. Mais tarde, lançou os dois livros de Joe Hill, filho de Stephen King, entrando na literatura de gênero pelas portas do terror. Sem muito estardalhaço, lançou um dos livros mais bacanas de fantasia do momento: O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss.  É o primeiro de uma trilogia. Numa troca recente de e-mails com a editora devido ao Fantastik, eles contaram que em breve vem divulgação pesada do livro.

fantasia_onomedovento“‘O nome do vento’ acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida – o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano – os lendários demônios que assassinaram sua família no passado. Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade. Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade – notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame”.


fantasia_a-game-of-thronesAnunciada ontem pelo autor Raphael Draccon (autor de Dragões de Éter e Corações de Neve), a publicação de A Game of Thrones causou um tremendo burburinho no twitter e nos blogs de autores e leitores de fantasia. Uma das séries mais cultuadas no exterior, com quatro livros já publicados, chegará esse ano ao Brasil pelas mãos da potência literária Leya (saiba mais no Vísceras Literárias) e na TV pelas mãos da HBO. Segundo o Draccon, foi uma luta negociar os direitos autorais da saga de George RR Martin, mas o final foi positivo e isso é o que importa. Ninguém tem dúvidas de que com a Leya por trás, a saga será um sucesso de vendas. Fico na torcida por uma capa bonita na edição nacional, porque acho as estrangeiras quadradonas demais. Para quem quiser saber mais sobre a saga, o autor de fantasia Rober Pinheiro escreveu um artigo excelente para o Fantastik (parte 1 e parte 2). Com direito a foto do velhinho barbudo George RR Martin.

 

fantasia_temeraireGostaram da capa? Para fechar, a Editora Record anunciou que lançará pelo seu selo jovem, o Galera Record, a série Temeraire, de Naomi Novik. A série mistura Guerras Napoleônicas com nada menos que dragões! Para quem gosta de batalhas históricas, imaginar como dragões poderiam mudar o rumo dos acontecimentos é um prato cheio. Para melhorar o impulso de vendas e divulgação, Peter Jackson deve adaptar os livros para a telona. Mais uma vez, a fantasia fará uma jogada de mestre na área de audiovisual. O Grupo Editorial Record sempre esteve de portas abertas para a literatura nacional, lançando trabalhos recentes de Ana Paula Maia, Santiago Nazarian e Marcelino Freire. Quem sabe não acaba descobrindo os autores nacionais de fantasia também? Fica aqui o comentário inevitável da associação de literatura fantástica com público jovem. É o selo certo? Sem dúvida, mas o público de fantasia e ficção-científica vai muito além da garotada. Meus 31 anos que o digam.