Sartre diz que o inferno são os outros. Nelson Rodrigues que a família é o inferno de cada um. Pois eu digo a verdade: o inferno é o metrô. Sério. E não me refiro só ao metrô do Rio de Janeiro, pode ser qualquer metrô. Aposto que tem alguma religião que acha que o inferno é no metrô só por ser debaixo da terra. Tem religião pra tudo, você sabe.
O que eu sei é que se eu acreditasse em diabo a vida seria muito mais fácil. Uma gotinha de sangue como entrada, alma em três reencarnações sem juros e pronto. Dinheiro, relógio de ouro, orgias na piscina do terraço. Pensando bem, ia ser um porre no mesmo jeito. Melhor deixar o chifrudo lá no inferno. No dele, claro. Porque o meu já tá lotado.
Ao invés de fazer um pacto eu faria uma entrevista: vem cá, como é o teu inferno? Teu inferno tem família? Tem político? Tem academia? Ia ficar famoso por ser o primeiro escritor a entrevistar o demo. Vai que o cascudo é talentoso, acaba numa peça da Bia Lessa, pula para um filme do Heitor Dhalia e em um piscar de olhos está como âncora da novela das oito. Ser empresário do capeta deve dar trabalho. O cara provavelmente recebe propostas o dia inteiro. Fora que se quiser vira uma loira peituda e ainda grava um comercial de cerveja. Não ia faltar grana e o dono do contrato seria eu. É, pensando bem…
Mas é claro que para trabalhar com alguém é preciso um mínimo de afinidade. Não se pode pensar só no dinheiro. Ninguém sabe disso melhor do que o capeta. Se não fosse assim tava todo mundo no inferno. Ou você acha que foi pro céu porque mereceu? Cai na real! Foi enxotado. Não passou no teste. O Daniel de Oliveira teve que engolir papel para conseguir representar o Cazuza, você acha que é só fazer umas traquinagens e vai pro cinco estrelas da terra do enxofre? Quanta inocência. Só por isso eu já te despachava para o céu. E São Pedro que se virasse.
Para descobrir se eu e o capeta temos um mínimo de afinidade (profissional), faria a seguinte pergunta:
O que você (ou o senhor, ou o doutor, ou guri, piá, não sei se o mizinfim gosta de tratamento formal)… O que você acha do banquinho especial do metrô?
Como não acredito no dito cujo (já tinha esquecido, aposto), respondo eu no próximo texto.

Saudades ^^
Adorei esse… ai ai… nada como ler um Lucas Moginie…
Mizinfim, o que você acha do banquinho especial do metrô? E do ônibus?
Pâtz, Eric. Ou Lucas? Já fizeram até entrevista com o vampiro, como é que ninguém pensou ainda em entrevistar o cramulhão? Manda pau aí, rapaz. Precisa acreditar não, ficção é pra isso mesmo. ;-)
Quanto ao banquinho especial, olha: acho realmente necessário. Verdade seja dita, é um saco quando você está todo feliz ali sentado e entra uma grávida ou um velhote e você precisa ceder lugar, afinal, ler em pé é mais difícil. Mas eu levanto com gosto. Se não por consideração aos outros, tento pensar que terei o privilégio de uma velhice com saúde, mas sei que minhas pernas já não serão as mesmas e será muito bom se eu puder me sentar no metrô. A existência do banquinho e da lei que o reserva para pessoas com dificuldades de locomoção é necessária porque infelizmente não vivemos num mundo onde cada um de nós tem a gentileza natural de oferecer seu lugar a uma pessoa mais necessitada. É cada um por si. O povo não tem consideração, só conhece o medo. Por isso a lei.
Muito bom! Aqui em Floripa não tem metrô, mas acho que ônibus é ainda pior. E engarrafamento, seja em que veículo for.
Sabe o que é, Mila? É que no Rio rola uma coisa engraçada. O povo obriga os velhinhos a sentar. Uma coisa meio “tá precisando de ajuda sim!”. Já vi um cara passar mal e querer seguir para o trabalho, pois não deixaram. Tocaram para fora do vagão para ser atendido. Coisas de quem vivia em metrô até um tempo atrás :) Beijoss!
Estranho é ter lei pra obrigar as pessoas a colocar a boa e velha gentileza/educação em prática.
Em São Paulo (leia-se adjacências, rs), nem a lei resolve…!
Me levanto porque tenho avós, tios, pais, já fui gestante e tive bebê no colo.
Meu pai ensinou e eu aprendi direitinho a dar o lugar, seja ele cinza, azul, amarelo.
Agora, colocar o cara pra fora do metrô, rs, foi engraçado… ;o)
E sim, eu acredito no Demo! Sonho até que ele tem alguma banda de emocore, daquelas que arrebanham milhares de seguidores miguxos, rs.
Beijocas, amor!