Os mortais que acompanham esse blog desde a primeira encarnação devem se lembrar de As Crônicas de Zafirina, uma série que escrevi parodiando As Crônicas de Nárnia e os clichês que os autores adoram usar em livros de fantasia. Zafirina é uma heroína burra toda vida. É faxineira na casa de um cientista que endoidou com a segunda guerra e babá das crianças que ele toma conta. Um dia, ela atravessa o armário de roupas sadomaso do patrão e vai parar no Zafi’s World, repleto de vilões patéticos e animais falantes. É um texto ácido que tira humor de tudo quanto é lado, com piada atrás de piada, e, definitivamente, não é para crianças. Como era uma história contínua, tinha menos seguidores que O diário secreto de Lucas Moginie e Deus saiu de férias, mas os que conquistou foram fiéis até o fim… que não veio.

É uma das promessas de fim de ano que sempre faço, terminar a saga de Zafirina e lançá-la em e-book ou, quem sabe, em papel.

” Saporra girou a chave na ignição. O motor roncou alto, expelindo uma fumaça negra que Zafirina julgou ser um tipo de camuflagem ninja. Sentia-se confusa com a história de ser a salvadora de um reino mágico. Logo ela que tivera uma infância comum como guerrilheira em Cuba, marginal no Brooklin (Village of Brooklin, não confunda) e aluna do professor Xavier. O que poderia fazer contra uma poderosa Feiticeira Geladinha? Talvez jogar água quente em cima dela e derreter aqueles enfeites ridículos. Sim, parecia uma boa idéia.

- Saporra, que cheiro estranho é esse vindo do seu porta-luva?
– Minhas calcinhas. Guardo aí dentro para trocar na viagem. – respondeu ela, deixando Inácio vermelho.
– Não era melhor…
– Estou brincando, garoto! Eu não uso calcinha, sou uma Sapa! – continuou Saporra, dando uma risada. O som era mistura de arroto com relinche de cavalo, o que combinava bem com o anfíbio tamanho gigante. – Aí dentro eu guardo uns charutos maravilhosos, vão te fazer ver estrelas. Quer dar um trago?” – trecho de As Crônicas de Zafirina, episódio 4.