Eric Novello |

Falando de literatura, cinema, música e ironia.
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Evolution

Monday Mar 8, 2010

Dia desses enviaram no twitter o link do The Book Cover Archive, que me foi repassado pelo editor da Draco, Erick Santos. Com um bom acervo de capas, ele ajuda a referenciar o trabalho dos autores e capistas que se repetem no arquivo. Apesar de achar a maioria das capas muito sérias e muito sóbrias (entenda-se entendiantes), algumas valeram o garimpo., como é o caso de China Witness, de Xinran. Na área de FC&F, destaco a capa de Evolution, que você vê abaixo.

Evolution foi escrito em 2002 pelo inglês Stephen Baxter, autor a mim desconhecido com dezenas de publicações na área de Ficção-científica e com uma série passada em Roma, que entra desde já na minha lista de futuras aquisições.

Nas palavras do site do autor Evolution é “The ultimate family saga: the rise of the primitive primates who survived the fall of the dinosaurs, through ages of Darwinian shaping becoming human – and, in the furthest future, their final fall.”

Baxter escreve desde 1991 e já ganhou montes de prêmios, incluindo o Philip K Dick Award, British Science Fiction Association Award e até um tal de Seiun Award, no Japão. Como leio coisas muito pontuais de ficção-científica, capaz que ele seja conhecido de muita gente. De qualquer maneira, fica aí a dica. O site Fantastic Fiction dá uma boa idéia do tamanho da obra do cara. Você ainda pode ver por lá outra capa do Evolution, mas prefiro a que copiei no post.


Nada a dizer, Elvira Vigna

Wednesday Mar 3, 2010

Aguardado com muita ansiedade nas meias paredes do escritório (sorry, mas temos um viveiro aberto numa delas, bem no centro de São Paulo), Nada a dizer finalmente chegou às livrarias. A crítica e os jornais sempre deram atenção aos livros de Elvira Vigna, mas acho que esse terá um bônus por tratar de um tema popular desde sempre – a traição – de uma forma inteligente, com todas as camadas de tinta peculiares ao seu trabalho.

Para começar a divulgação, a autora gravou um vídeo em que passa a sua visão sobre o tema. Todo mundo que comentou ganhou suas duas linhas logo abaixo do vídeo, numa lista bem engraçadinha.  Numa nova etapa, quem ler o livro e enviar o seu comentário para a autora ganha um exemplar de A um passo, que é um livro vanguardista em que a história é contada não só pela autora, mas também pelo leitor durante a leitura.  Só lendo para entender o que você estava perdendo por não conhecê-lo. Aproveite essa chance 2 em 1 e comente o Nada a Dizer.

Release – Em ‘Nada a dizer’, Elvira Vigna transfigura o registro dos relatos confessionais para fazer um balanço do amor e do erotismo num mundo de relações afetivas fragmentárias e movediças. O livro apresenta a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída. No entanto, mais do que o inventário de perdas e danos em que costuma consistir esse tipo de relato, o que se encontra aqui é uma investigação das motivações de cada um dos envolvidos, bem como uma discussão indireta das possibilidades de entendimento amoroso no mundo urbano contemporâneo. Paulo e a mulher-narradora, cujo nome não é revelado, formam um casal de alternativos de meia-idade, experimentados nas revoluções políticas e comportamentais dos anos 1960, mas que parecem não ser capazes de lidar com questões como a fragmentação de identidades ou o pensamento cínico de um novo e vitorioso meio social. Os laços que os unem são abalados pela entrada em cena de uma amante vinte anos mais jovem e de perfil executivo, que tanto um quanto o outro não hesitariam, na juventude, em chamar de ‘burguês’. A instabilidade marca a trajetória dos personagens. No início da narrativa, o casal de protagonistas acaba de se mudar para São Paulo. As caixas e malas espalhadas aleatoriamente pela casa são o signo de uma desordem interior muito mais profunda. Não por acaso, grande parte dos acontecimentos narrados ocorre em trânsito – na rua, em aeroportos, cafés, hotéis de alta rotatividade – e as conversas cruciais se dão no espaço fluido dos e-mails, chats on-line e mensagens de celular.

Trecho do primeiro capítulo:
“No dia 16 de novembro, Paulo abriu os olhos e voltou-se para a nesga de luz que passava pelas duas cortinas – a mais pesada, de um plástico cinza, e a mais leve, de um tecido branco transparente que ficava por cima da outra. Permaneceu assim por alguns momentos, antes de iniciar o preparo para que o resto todo de seu corpo pudesse acompanhar os olhos e sair do quarto escuro, pequeno e já cheio de ruídos: alguém que ligava a televisão no quarto ao lado; o carrinho da arrumadeira, ameaçador, no hall; o tlim do elevador. Primeiro, fez uma inspeção mental básica no estômago e boca. Não, nenhum vestígio do mal-estar da noite anterior, em que depois de comer um X-tudo no bar da esquina, vomitou e cagou a alma. E ao falar para si mesmo essa frase, poderia ter achado engraçado: a alma. Seria oportuno, rá, rá, se livrar da alma na véspera. Mas Paulo não era uma pessoa de muitas reflexões. Isso normalmente. Naquela hora, então, é que não havia de fato lugar para elas. Depois do estômago foi a vez do joelho e, nesse, a inspeção não poderia ser apenas mental. Então Paulo esticou a perna, dobrou e tornou a esticar. Nada de muito ruim. A dor nas costas, com a hérnia de disco, estava como sempre ao acordar: existente. Mas, no decorrer do dia, com os movimentos, tendia a se estabilizar. E, depois disso, como se já se sentisse cansado – e o motivo do cansaço seria, então, o fato de ter joelhos, estômago e costas -, ainda ficou, os olhos agora mirando a escuridão, a ouvir o tique-taque do relógio grande, feio, da mesinha de cabeceira. Ficou ouvindo o tique e o taque e o tique e o taque, em sua previsibilidade, enquanto dava um tempo para que a arritmia se manifestasse. Era o único sintoma de sua cardiopatia, para a qual tomava quilos de remédios cotidianamente.
O dia começava.

Depois, já andando na praia em direção ao Posto Seis, seu corpo e seus mais de sessenta anos ficaram esquecidos. Andar sozinho por cidades desconhecidas era sempre um imenso prazer. Andar de ônibus ou de carro por estradas que o levassem a lugares desconhecidos, mais ainda. O Rio de Janeiro não era desconhecido até bem pouco tempo. Tinha ficado. Saíra de lá, com toda a família, não fazia um mês. Mas se a cidade continuava a mesma, ele já era outro. E entre seus pés e as calçadas, agora surgia uma distância alegre de quem não tem mais nada a ver com aquilo.”

Como hoje em dia tem zé ruela para tudo, até para dizer que eu invento notícia, fica aqui o link para a versão internética do texto no Estadão, e a reportagem que saiu em papel.


Os passarinhos, hoje

Saturday Feb 20, 2010

Hoje tem lançamento do primeiro livro de Hector e Afonso, os passarinhos. Participação especial de Piu Gaiman e Paulo, o Coelho.
I’ll be there.


O desejo de Lilith, dia 20

Thursday Feb 18, 2010

Dia 20 de fevereiro no Bardo Batata tem o lançamento de O desejo de Lilith, primeiro romance de Ademir Pascale. O autor mistura narrativa policial e elementos de terror, com direito a detetive decadente e seres sobrenaturais. Fiz a orelha e o copidesque. O livro sai pela Editora Draco.

“Ao investigar um macabro suicídio, Rafael Monte jamais poderia imaginar no que estava se metendo. Tudo o que tinha era o corpo de um escritor caído sobre a mesa com um punhal cravado no coração. Mas algo dizia que aquela não era somente mais uma cena de crime. Algo naquela morte diabólica chamava a sua atenção de uma maneira hipnótica e envolvente. Seu instinto avisava que estava lidando com um crime especial, diferente de todos que já havia investigado em sua longa carreira. Ao assumir o caso, mal podia imaginar que sua vida mudaria para sempre e um mundo novo e sombrio se abriria diante dos seus olhos.

O desejo de Lilith fala de uma conspiração contra toda a humanidade, um segredo tão antigo quanto o próprio homem, revelado graças a um erro na tradução da Bíblia e ao trabalho incansável de um detetive. O que pessoas tão diferentes como Platão e Jim Morrison, Vlad Tepes e Mary Shelley, Aleister Crowley e Kurt Cobain teriam em comum? O que haveria por trás de suas obras, vidas e mortes? Rafael Monte enfrentará o ódio e a maldade de uma criatura milenar para chegar até o fundo dessa história, contando com a ajuda de seres que vão além da imaginação.

Ademir Pascale apresenta em seu primeiro livro um romance sobrenatural ambientado em São Paulo onde nada é o que parece. A cada virar de páginas, tudo pode acontecer. Mergulhe você também nesse mundo de intrigas e suspense, desconfie de sua própria sombra. Venha descobrir qual é O desejo de Lilith. Amanhã pode ser tarde demais”. 


Endeavour

Wednesday Feb 17, 2010










Ah, o Carnaval. Essa mistura de cores. Direto do twitter do astronauta Jose Hernandez.

Parabéns a Unidos da Tijuca pela vitória.

Eu trabalhei de sexta a quarta, non stop, até onze da noite. Escrava Isaura remixe no cavaquinho.


Estudos sobre a leveza, hoje

Wednesday Feb 10, 2010

É hoje o lançamento de Estudos sobre a leveza, do Fernando Torres, que tive o prazer de orelhar. Será no Bar Exquisito, na Rua Bela Cintra 532, por volta de 19h30. Devido à minha nova rotina de monge de horários certinhos, não ficarei por lá muito tempo, mas espero encontrar vocês! Falando niso, é hora de ir almoçar.

“Eu e Fernando Torres estávamos no bar trocando idéias sobre utopias, quando de sobrancelha erguida ele me perguntou: Eric, eu escrevo literatura realista? Claro que sim, respondi na hora, sem titubear. Fronteira de gêneros é comigo mesmo. Mas no meu livro tem um hipopótamo que fala, disse ele, derrubando minha certeza. Pensei em argumentar que o hipopótamo de Elogio à Fábula era tímido demais, talvez surtisse efeito, mas antes que eu pudesse organizar os pensamentos, Fernando me perguntou da formiga, que mais tarde fui lembrar, desfrutando de nova intimidade com o texto, se chamava Tainá. Dentro do formigueiro, tinha uma função a cumprir, ela debaixo da terra com sua folha nas costas, nós acima dela carregando pastas, correndo para não perder o ônibus, ajeitando o nó da gravata. Talvez o psiquiatra dobrasse meus remédios se me ouvisse falar isso, mas senti ali, naquela mesa de bar, que eu e Tainá tínhamos muito em comum, mais ainda do que eu dividia com o hipopótamo. Que cá entre nós, não fala nada. Bati na lona com prazer, ciente de que um bom texto não aceita rótulos, e passamos para o próximo tópico da conversa.

Os 22 contos de Estudos sobre a Leveza são feitos da matéria abstrata que se encontra no campo das idéias, daquela que escapa pelos dedos se apertarmos demais. São moldados pelas intempéries do cotidiano, juntando forma e conteúdo de modo que o leitor possa deslizar pelas entrelinhas, encontrando diferentes reflexos de si no que está retratado. Pode ser o som de um saxofone, uma lambida no sorvete, cineastas sem dinheiro como eu, a incerteza de um sonho, detalhes que facilmente encontram eco no leitor, e que aqui adquirem amplitude, sempre com as portas abertas para um novo significado.

Fernando Torres sabe que a boa literatura não impõe, ela agrega, vai se compondo de cada olhar que a destrinchar no decorrer de sua existência, fatia por fatia. Então não estranhe se a leitura passar num piscar de olhos e fluir com pura leveza. É esse o objetivo! No final de tudo, rótulos diluídos, é a qualidade do traço que faz a diferença, seja no contorno de um hipopótamo ou na trilha de uma formiguinha”.

Com ilustrações de Fernanda Fiamoncini.


Um novo olhar sobre El Greco

Wednesday Feb 3, 2010

“Una España moderna, rompedora y vanguardista encarnada en el genio de El Greco es la sorpresa que la presidencia española de la Unión Europea presenta en Bruselas durante los tres próximos meses para hacer añicos estereotipos de país y de artista. El Greco revolucionario que deslumbró a los expresionistas alemanes y al propio Picasso es el que en una exposición de medio centenar escaso de obras arroja nueva luz, literal y figuradamente, sobre una España del XVI y del XVII que la indolencia intelectual asocia con la España negra”. – En El País.


There’s more to George Orwell than politics

Friday Jan 22, 2010

“This sense of inadequate masculinity and constant self-awareness – the kind that makes Bowling picture himself walking down the road with his fat face, false teeth and vulgar clothes – is a huge part of what makes Orwell’s novels so readable. Just look at how Winston greets Julia’s advances with a classically Orwellian self-assessment. “I’m thirty-nine years old. I’ve got a wife that I can’t get rid of. I’ve got varicose veins. I’ve got false teeth,” he tells her. “What could attract you to a man like me?” Who could resist that for a chat-up line? Had he been around in the real 1984, Winston would surely have been a fan of the Smiths”.

read the full text on The Guardian.


Lei anti-downloads

Wednesday Jan 20, 2010

“El debate por la legislación antidescargas que prepara el Ejecutivo se ha trasladado al Congreso. Los grupos parlamentarios de PNV, ERC-ICV-IU y el Grupo Mixto se han unido para exigirle al Gobierno que retire de la ley de Economía Sostenible la polémica disposición final que permitirá el bloqueo de las webs que permitan las descargas no autorizadas de archivos protegidos por derechos de autor.

El pacto, escenificado esta mañana en el Congreso por los portavoces de estos tres grupos parlamentarios, consiste en pedir al Gobierno que aborde una reforma integral de la Ley de Propiedad Intelectual, en lugar de la pretendida modificación parcial de la misma que quiere introducir a través de la Ley de Economía Sostenible y que sólo afecta a las descargas de Internet”. En El País.


Estudos sobre a leveza

Tuesday Jan 19, 2010

Fernando Torres está lançando seu livro de contos, Estudos sobre a leveza. A primeira tiragem será sob demanda, então, para estimular a galera, ele está fazendo uma ‘promoção’.

As primeiras 40 pessoas que reservarem o livro antes do lançamento estarão concorrendo a uma das ilustrações do Livro, que foram feitas por Fernanda Fiamoncini.

Para reservar o livro escrevam um e-mail para promocao@arlequinal.com.br. Para ver os desenhos e saber mais sobre o Estudos, visitem o Arlequinal.


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