Lukyanenko é um cara que eu descobri graças à adaptação do livro para o cinema. Como o cartaz era muito ruim, eu não vi o filme. Quem não tem orçamento para o cartaz vai ter para as filmagens? Pois é. Mas fiquei curioso em saber como seria uma fantasia urbana russa de um autor de ficção-científica. The Night Watch, de Sergei Lukianenko, é dividido em três novelas interligadas (sem coesão, mas interligadas). A primeira puxa para o humor, a segunda para o policial e a terceira para algo mais filosófico. Os Guaridões da Noite são os caras que patrulham de noite (ahá!) para ver se as criaturas do ‘mal’ estão agindo dentro da lei. Sua contraparte são os guardiões do dia, que patrulham de dia (hum!) para ver se o ‘bem’ está agindo dentro da lei. Ponha aí metamorfos, magos, bruxas, maldições, vampiros e mais um punhado de efeitos especiais e você terá noção da mitologia. O forte do livro é que tanto o bem quanto o mal são escrotos, uma espécie de Google x Microsoft do mundo sobrenatural. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
As duas organizações são brasileiramente burocráticas, cheias de regras internas, ações por baixo dos panos e ordens de propósitos indefinidos. Elas existem para manter um equilíbrio de ações positivas e negativas, mas o bem não se incomodaria em passar por cima de quem fosse para isso. O leitor acaba se identificando tanto com personagens de um lado quanto do outro. Não sei se o protagonista sofre mais na mão dos guardiões do dia ou nas mãos de seus chefes. O modo como o Lukyanenko brinca com as questões de moral valem o livro. Fora ser o final feliz mais depressivo que me lembro de ter lido dentro do gênero. O cara deve ter escutado muito de seus editores “Mas não dá para mudar isso não? Leitor gosta é de final feliz!” Eu gostei mesmo assim.








