Category: Pop e Art


Guild Wars

Ainda morava no Rio quando conheci o Guild Wars, bem antes de ser vendido aqui no Brasil em tudo quanto é canto. O visual sem graça do WoW nunca me atraiu, cara de desenho de criança, e eu não curto desenho animado, call me heartless. Já o do Guild Wars me chamava bastante atenção. Apesar de hoje eu não ter tempo nem para dormir e o viciado ser o David, quem começou a busca por um MMORPG fui eu. Queria um jogo que permitisse evolução de personagem e interação com gente de ‘verdade’ ao mesmo tempo. O David hoje segue nas asas do AION, enquanto eu espero o lançamento de Guild Wars 2, prometido para sabe-se zeus quando. Uma mistura de ansiedade com surtos de bom senso que me dizem que não terei tempo para jogá-lo.

Lá nos primórdios, fiz uma pesquisa na Internet, testei alguns e acabei esbarrando no título. Atração fatal. Para começar, ele apresentava as minhas duas classes preferidas: Necromancer e Ranger com pets. Modéstia à parte, eu era muito bom. Acho que você descobre que é nerd de verdade quando sente saudade de um personagem virtual. Mexendo no meu flickr, encontrei fotos do Storm, meu lobo de estimação, e me bateu uma puta nostalgia. Lembro que na época cheguei a escrever para os criadores perguntando se não queriam lançar romances baseados no jogo aqui no Brasil. Só fanfic, responderam, aí não aconteceu.

A gataria

Enquanto meu MaineCoon não chega, faço aqui a propaganda de dois projetos felinos envolvendo a dupla dinâmica Ana Cristina Rodrigues e Estevão Ribeiro. O Estevão, autor da série de tirinhas Os Passarinhos, está escrevendo faz um tempo O Livro dos gatos, e tem postado imagens lá no blog dos birds. Ele já vinha flertando com os felinos nas tirinhas. Migalhas e Ágata Triste de vez em quando dão uns sustos nos pássaros Hector e Afonso. O pobre do Hector tem, inclusive, um caso virtual com a Ágata e ainda não sacou os interesses culinários da suposta namorada. O Livro dos gatos traz um time diferente e me parece mais poético e menos centrado no humor. Digo isso pelo traço, sem nenhum conhecimento de texto. Já a Ana colocou no ar A Casa dos Nove Gatos, um blog-livro que me parece baseado em fatos reais dada a emoção da história, mas posso estar enganado também. Fala de uma dona de gatos que, ao levar sua gatinha doente para uma UTI para autorizar o veterinário a sacrificá-la, recebe uma proposta do Rei dos Gatos, no melhor estilo As Mil e uma Noites. Um jeito nobre de mantê-la viva na memória.

Para relaxar, um cartão bem-humorado com participação da Velhinha da Pipoca (só para os olhos atentos).

Quero escrever sobre a Louise Bourgeois, mas o sono me venceu por hoje. Edito amanhã. Mas tenho certeza de que ela foi morar em New Crobuzon, a cidade dos livros de China Miéville, um dos autores referência do New Weird.

São Jorge é um dos poucos santos que consegue conquistar a simpatia de um público mais amplo, indo além das fronteiras da igreja. É padroeiro de Portugal, Inglaterra, Catalunha (Corinthians não vale!), e tem um séquito considerável de devotos no Brasil, com direito a sincretismo Afro-católico que o associa a Ogum.  Superação de santo de lado, o encanto desse legionário romano no imaginário coletivo se deve mesmo à história romântica em que ele salva uma princesa das garras de um dragão (e faz o reino inteiro se converter ao cristianismo depois, é verdade, mas vamos liberá-lo dessa parte). Foi assim que ele foi parar em quadros e esculturas do mundo inteiro. São Jorge não quer saber de conversa. Pega sua armadura, cavalo e lança, fere o dragão e se manda com a princesa. Não me cabe aqui discutir a origem da história. Tem gente com mais conhecimento e mais Wikipedia do que eu para isso, mas arrasto minha asa para o mito do herói grego Belerofonte. Mais estiloso do que São Jorge, Belerofonte montou em um Pégaso. Em compensação, matou uma Quimera e não um dragão, então considero empate técnico.

 

Isso tudo para dizer que no dia 23 de abril, dia de São Jorge, rolou um papo entre autores de literatura fantástica no twitter e não teve como não fazer a associação. Um paladino que vai de cavalo até a lua para matar um dragão? Só pode ser o padroeiro da literatura fantástica. Como choveu bastante, também chegamos a conclusão de que São Pedro é o padroeiro da literatura do cotidiano (mainstream). É claro que foi uma escolha informal, feita por um grupo de amigos, mas… por que não? Dia 23 de abril passa a ser o dia da literatura fantástica e de seu padroeiro matador de dragões.

Com a nova onda da literatura steampunk lá fora e bons autores se aproximando do gênero também no Brasil, imaginei logo um dragão steampunk,  cuspindo fogo e deixando escapar vapor pelas narinas de metal. Não consigo pensar em criaturas mais steam do que  os dragões. Esse aí do lado, super atual, é do Kerem Beyit, um artista turco igual a São Jorge (se você se lembra da música de Jorge Ben, Jorge é da Capadócia, hoje parte da Turquia) que conta com vários desenhos de fantasia no currículo e mais uma penca de prêmios. O site oficial faz a alegria de qualquer jogador de RPG, mas enlouquece qualquer um com uma conexão mais lenta, então aconselho uma visita direta ao devianART dele.

 

Para enfrentar o mecanodragão e ilustrar esse post, fiz uma pesquisa que fugisse das imagens clássicas e encontrei o blog da Sara Mello, que tem trabalhos expostos hoje no MOMA de Wales, dentro da exposição The Book of Death. (Aproveito para começar a campanha: MOMA Wales, faça um site mais moderninho). Artista plástica, Sara Mello tem como sua grande influência Salvador Dalí. Trabalha com ilustrações, painéis, murais e tem um pé também no mundo do audiovisual, tendo feito ilustrações para o documentário Coração Vagabundo, que fala de Caetano Veloso. Vale uma espiada no site oficial com o portfolio da artista. Num papo rápido, ela me contou que pesquisou bastante a vida de São Jorge e recomendou o livro O Santo Guerreiro, de Roberta Zugaib, lançado pela editora Aleph.

Além de muito talentosos, Kerem Beyit e Sara Mello fazem parte do seleto grupo dos apaixonados por gatos. O dele branco de orelhas pontudas, o dela fluido e azulado.

Faz tempo que num passeio pelo site da Penguin, esbarrei com as novas capas de Animal Farm (Revolução dos Bichos) e 1984.  Foi o meu primeiro contato com o trabalho de Shepard Fairey, o capista, por assim dizer. Na época, acabei não correndo atrás de mais informações sobre o cara e engavetei o assunto nos arquivos neuronais, até que,  no fim de semana passado, estive pela primeira vez com essa edição do Animal Farm em mãos e resolvi fazer uma pesquisa decente sobre o artista.

Para você que estava dormindo nos últimos cem anos assim como eu, fica a dica. Shepard Fairey é um grafiteiro de rua que acabou encontrando o seu caminho para o mundo das galerias e museus e virou um artista badalado. Atualmente, ele está mais pop do que nunca graças ao cartaz Hope que fez para o Obama, você provavelmente se lembra da imagem.

O bafafa político e social que existe hoje em torno do nome do cara, você descobre com uma pesquisada no Google, mas com certeza a Penguin não fez o match entre ele e os livros do George Orwell por acaso.  Pegando o viés comercial, o mais importante foi trabalhar a atmosfera cult dos livros desde as capas, aproveitando o hype em torno do artista. Eu ainda não sei se ele é um comunista alienígena ou se faz vodu com boneca barbie, mas curti bastante o trabalho dele. Para quem se interessou, vale uma espiada no site Obey, que reúne boa parte do trabalho do Shepard Fairey. Um texto de 1990 assinado pelo próprio explica em parte como tudo começou. O portfolio é bem amplo, mas tem como péssimo hábito travar meu firefox, então sugiro um passeio movido a Opera.

 

E não, a imagem da bota não é a capa de 1984.

Otto e Heitor

Ando me sentindo assim também. Criador esperando que suas criaturas venham devorá-lo.

Já estava mais do que na hora. Direto do Otto e Heitor.


Alberto Montt II

Mais um mashup de referências, dessa vez pelas mãos do certeiro Alberto Montt, que cria um parentesco entre Edward Mãos de Tesoura, protagonista da fábula gótica de Tim Burton (com roteiro dele e da Caroline Thompson) e Freddy Krueger, o assassino de A Hora do Pesadelo criado por Wes Craven, que ganha nova versão nas mãos do diretor de videoclipes Samuel Bayer. O filme, aliás, terá roteiro de Wesley Strick (Aracnofobia, O Santo, Lobo) e Eric Heisserer (envolvido num remake de A Coisa – tenham medo), e tem como grande atrativo a presença do excelente Jackie Haley no papel de Freddy. O ator esteve em Watchmen como Rorschach (excelente), em A Ilha do Medo e em Pecados Íntimos, pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante no papel de um pedófilo sinistrinho e complexo. Claro que nada disso importa na hora de fazer gracinha com a similaridade entre os dois.

Um viral bobo e eficiente que me arrancou algumas risadas e me deu vontade de ter um igual. Esse aí ao lado é o Michael Buble, cantor de classicões com uma roupagem mais atual e cantor de músicas atuais com roupagem de classicão. Um dos cds mais conhecidos do cara é o Call me irresponsible, que teve releitura de Wonderful Tonight num dueto com o Ivan Lins. Gosto também da versão dele para Fever, mas essa é uma música difícil de se estragar, então não entra na contagem.

 

Claro que o legal das fotos não é o Michael Buble, e sim o Velociraptor sem noção que o segue com os disfarces mais improváveis possíveis. O site bubleraptor traz montes de fotos e está no tumblr, uma espécie de twitter para fotos e identidade visual.

Marc Chagall II

Conheci Marc Chagall nas aulas de arte da escola de cinema Darcy Ribeiro, meio que por acidente. Fazia um trabalho sobre uma video-arte que havia passado no CCBB, bem em frente, e acabei esbarrando com o nome desse importante artista do século XX. O colorido do quadro ficou na minha cabeça, mas só vim a pesquisá-lo mais a fundo anos depois quando me mudei para São Paulo e esbarrei novamente com seu nome, dessa vez nas páginas de uma revista.

 

Navega daqui, navega dali, a curiosidade virou paixão e Chagall virou uma das minhas mais importantes referências na arte.  Vi o primeiro Chagall pessoalmente no Museo Nacional de Bellas Artes de Buenos Aires, e agora pude conferir no MASP mais uma amostra de seu trabalho.

 

Chagall conseguiu deixar até a Bíblia interessante com uma série de ilustrações inspirada em passagens do livro. Do lado fantástico, há uma série baseada nas fábulas de La Fointaine e a excelente Daphnis et Chloé, com 42 gravuras. A litografia ao lado se chama Songe de Lamon et de Dryas e pertence a essa série, fruto de duas viagens à Grécia feitas pelo artista para conhecer a cultura pastoril retratada no texto de Longus.

 

Até o fim do ano volto a Marc Chagall no dicas de leitura.

Street Fighter with Zombies

Essa é para nerd nenhum colocar defeito. Descobri via @tionitro a página do Manuhell no CGHUB. Na nova série de desenhos, ele transforma os personagens de Street Fighter em Zumbis. Chun Li nunca esteve tão bem.

 

 

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