Eric Novello |

Falando de literatura, cinema, música e ironia.
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A Kind of Bossa, Rodrigo del Arc

Tuesday Mar 16, 2010

De vez em quando me vem em mente uma noite de Natal com a família na mesa, uma garrafa de vinho vazia e a outra pela metade, todo mundo papeando naquele clima de final de festa em que os assuntos mudam numa piscada. Eu não me lembro do contexto da conversa em que meu tio comentou que “os CDs hoje em dia só tem duas músicas boas e o resto não presta”. Isso no final da década de noventa. Nossos gostos musicais eram bem diferentes e, consequentemente, a qualidade do que ouvíamos, mas não pude deixar de dar certa razão. Alguns artistas pareciam preparar duas ou três músicas para tocar na rádio e encher o CD com o que sobrou do tempo de aluguel do estúdio. Se você olhar para a sua coleção na estante certamente vai achar um par de exemplos assim. Isso se ainda não tiver transformado as boas em mp3 e vendido os CDs no sebo.

Hoje com o mercado de músicas digitais, a situação tinha tudo para caminhar nessa direção que não sei se é a melhor escolha, então fico feliz de perceber que, pelo contrário, o pessoal tem se esforçado para entregar um cd redondo aos fãs, com várias músicas com potencial para tocar na rádio, mas sem cair na pasteurização.

Esse é o caso de A Kind of Bossa, do Rodrigo del Arc, mais um nome da nova geração da música brasileira que conheci através da minha irmã. O Rodrigo flerta com a sonoridade brasileira da bossa e do samba, acrescentando seu flavor pessoal às composições. Pensei em usar aqui o clichê do “olhar para o passado tendo um pé no futuro”, mas parando para pensar, ninguém diz que o rock está velho, que o rap está velho, que o pop está velho, então não quero prender a bossa nessa amarra temporal, ainda mais resenhando um CD que aposta na contemporaneidade.

Slip to precision é um sambinha de percussão bem trabalhada que poderia estar em um cd da Roberta Sá. Gosto porque foi feita para seguir num crescente até o clímax e é uma boa apresentação do CD. Estou curioso para ouvi-la ao vivo. Sometimes me lembra muito dos áureos tempos do George Michael, uma das minhas prediletas. Se em Slip to precision Rodrigo del Arc usa o fraseado sílaba a sílaba para destacar o ritmo, em Sometimes as palavras são pronunciadas mais lentamente, permitindo que ele explore ao máximo a sua voz, casando direitinho com a melancolia da letra. Essa melancolia também vale uma escutada em Under the sea, a mais atmosférica do cd. A letra traz uma alegoria de despedidas e solidão muito bem sacada, com direito a um “whatever” no final no maior clima de “apesar disso tudo, dane-se”. Ironia poética. “Some time ago we used to say, and you said it will last forever, But forever had an end” The question song ganhou videoclipe, toca na rádio e você consegue em download gratuito no myspace do cantor. É letra de fim de relacionamento, cheia de perguntas jogadas ao ar. “Why did you fake, why did you take that from me and then brake all the rules?” Apesar de ser a canção de trabalho, gosto só do final estilo Jorge Ben. Prefiro a levada de Trip, que me remete a surf music, um clima de praia, de viajar por aí caindo na estrada que me deixa saudosista. “Posh Motels, fancy cars / A blue bird stroke in my guitar / While everyone keeps knocking on my door.” Pena que acabe tão rápido. Para fechar, uma que não poderia faltar nessa lista resumida é A place to remind, um dos grandes acertos do CD. Tem um quê de ritmos nordestinos (não, o resenhista não está louco. Escuta lá com atenção) e um instrumental que vale ouvir uma segunda, terceira, quarta vez.

Intimista sem ser reducionista.


Jay Vaquer – Alive in Brazil

Thursday Nov 19, 2009

Me lembro até hoje de ver o clipe de A Miragem na MTV quando lá ainda passavam videoclipes e não programas de humor de baixo orçamento e me perguntar quem era esse cara. Eu ainda moleque, devia ter por volta de 20 anos, pensava cá comigo se ainda veria mais algum trabalho dele pela frente. É engraçado olhar para trás e perceber que não era tão simples ter as informações na mão, com uma clicada no Google (ou era fácil e o problema era meu?), e por esse vácuo informativo, Jay Vaquer foi por muito tempo o cara que cantava A Miragem e Aponta de um iceberg e só, imortalizado em mp3s que consegui nos primórdios da era dos downloads, depois de muito procurar.

Queria ter datas mais precisas na cabeça, mas raciocino de modo atemporal e meus marcadores são outros, pequenas lembranças e contextos. Foi numa dessas que o nome Jay Vaquer voltou aos meus ouvidos. Uma pessoa muito querida virou para mim, jornal na mão, e falou “olha, não é aquele cantor que você curte?” E eu pensando, claro que não, depois de tantos anos, só pode ser outra pessoa. Mas era ele. Dei uma volta rápida pelo shopping para comprar o Vendo a Mim Mesmo, seu segundo cd, com porcos de headfone e o Jay cheio de fios vermelhos na capa. Achei de quebra o Nem Tão São e aquele cara do clipe e da mp3 passou a ser um artista contextualizado na minha estante de CDs. Meu micro system estava quebrado, eu sem grana para pensar no conserto, então colocava para tocar num discman ligado às caixas de som. E foi assim que curti o recomeço, o clipe louco de Pode Agradecer rolando na MTV para lembrar que ele ainda estava na área, anunciado pelo alterego Applewhite. Talvez seja o cd dele que mais tenha escutado. Sou péssimo para decorar letras, mas sou bom de improviso, e era no improviso que cantarolava Assim de repente, Abismo e Aquela música, essa última na minha lista de clássicos particulares.

Foi nessa época também que minha irmã passou a ouvir Jay Vaquer para valer. Sempre tive a música como um intercâmbio. Não digo só da energia que se sente em shows, mas do prazer de apresentar a alguém o que se gosta e se permitir gostar de novidades que cheguem até você. Quando isso se dá com alguém próximo o prazer é dobrado. Pela diferença de idade entre nós dois, tínhamos gostos distintos e, ao mesmo tempo, cheios de pontos em comum. Eu apresentando The Smiths, The Cure, The Police, Depeche Mode, um vínculo com o passado ainda presente, e ela me mantendo em contato com o boom da música pop adolescente, com sons de pegada mais rock como o Garbage, e hoje com toda uma nova geração da música brasileira.

Como o Jay se tornou um dos pontos de convergência, era agora ela quem me mantinha informado. E foi por ela que soube que ele tinha assinado contrato com a EMI e que iria lançar o terceiro CD: Você não me conhece. Cotidiano de um casal feliz gerou um clipe, tocou nas rádios. Mais uma música de letra bem sacada e outra recordação. Depois veio A falta que a falta faz, que a galerinha costuma acompanhar do início ao fim nos shows. Como o mundo gira rápido, nessa época eu já tinha uma vida bem diferente daquela lá de trás, tinha lançado dois livros, me formado na escola de cinema e me distanciava de vez da vida de farmacêutico bioquímico. O Aguarrás estava começando e, além de escrever sobre cinema e literatura, resolvi me arriscar nos textos de música, só precisava escolher as cobaias. Escolhi meus cantores italianos preferidos, uns pingados do momento e o Você não me conhece. O texto ficou ruim, mas tão ruim que foi vetado. Repensei o modelo e escrevi um texto curto, dez linhas de Word com um trecho de letra e só, e foi assim que falei de música por um tempo. Me lembro também dele comentar as resenhas que saíam com um “só falam das letras, mas e as melodias?” E era verdade. Eu fui um desses. Talvez por ser escritor, me divertia com elas sem pudor, mesmo que na música o todo sempre fale mais alto que as partes.

Mais um pouco e finalmente vi o cara ao vivo, com a Cássia (minha irmã) e o David (a pessoa querida mencionada lá em cima), fechando um ciclo e começando outro. Foi um show no Teatro Odisséia, uma casa na Lapa, no Rio de Janeiro, num palco apertado que contrariava as leis da física e me deixava angustiado pelos grupos que ali se apresentavam. Mas valeu a pena. Minha irmã voltou no seguinte e eu no seguinte com ela. É interessante comparar a identidade de um artista ao vivo com o som produzido no CD. Tem gente que ganha, tem gente que perde. Tem gente que esbanja, tem gente que minimaliza. Foi naquele show bem intimista que me toquei de como esse cara cantava para valer.

Um ano depois, veio o Formidável Mundo Cão. Minha irmã havia assumido o posto de fã oficial e eu ficava ali orbitando, aproveitando a música dos CDS e as histórias que ela me contava. Infelizmente, dessa vez não teve videoclipe. O mundo que gira rápido gira assim para todo mundo. Mas teve ótimas canções como Longe Aqui, Estrela de um Céu Nublado e Preciso Poder, com as letras bem sacadas, às vezes irônicas, que então já eram marca registrada. Foi esse cd que originou o primeiro DVD ao vivo, Alive in Brazil, contribuindo com um terço do set list.

E aquele cara do show do Odisséia agora voa em correntes, canta em plataformas móveis (não os saltos, por favor) e usa projeções no telão, sendo a última delas impagável, dialogando com a letra e brincando com os músicos que acompanham o cantor. Não é que os elementos cênicos falem mais alto do que a música, eles se complementam de forma harmoniosa, como deve ser. No mercado internacional, mau gosto à parte, todo mundo sabe disso, aqui dentro uma meia dúzia. Olhando de fora, dimensionando por meus próprios sufocos, só posso imaginar o trabalho ($) que é erguer um show assim. Mas não vou cair no debate financeiro. O que quero observar aqui é a existência de um artista que sabe que concepção é mais do que escolher o set list e pôde, enfim, mostrar isso para valer na prática, com direito ao registro em DVD. Eu que não vi a gravação fiquei surpreso com a edição, com os novos arranjos e com esse visual bem pensado.

Se você já curte Jay Vaquer, o DVD é diversão garantida. Se não conhece, esse é um bom lugar para começar. Pela alegria dos rostos na platéia, acho que a maioria concorda comigo.


Entrevista com Tiago Iorc

Tuesday Oct 6, 2009

01. Para quem ainda não conhece Tiago Iorc, por qual música(s) você sugeriria começar? Que música(s) do Let Yourself In passa(m) melhor o recado?

‘No One There’ e ‘When All Hope is Gone’ são minhas favoritas do disco. Ambas representam bem o que eu queria expressar com a minha música.

02. O pontapé inicial do seu trabalho veio com uma mp3. Qual é a sua relação com novas mídias tais como myspace, youtube e twitter? Dá para fazer uma boa divulgação só com elas?

A internet ajuda bastante e procuro aproveitar as facilidades que ela possibilita, sempre de forma coerente com o restante do trabalho. A utilização dessas novas mídias é essencial, sem dúvida, e contribui bastante com todo o trabalho que acontece paralelamente, fora do mundo virtual.

03. É comum no mundo da música ouvir a frase “para esse álbum tivemos tempo de…” como algo que influencia na qualidade do resultado final. Você gostaria de ter tido mais tempo para gravar o Let Yourself In ou a pressão de ter um prazo acabou ajudando no resultado?

Quando recebi o convite para assinar o contrato com a gravadora tive que fazer uma escolha. Aproveitar a oportunidade de gravar o disco era aceitar trabalhar com um prazo curto. Optei em abraçar a oportunidade, extrair o máximo possível daquela experiência e me esforçar para gravar um bom disco. Acho que trabalhar sob a pressão do prazo de entrega foi bom para aquele momento. Aprendi bastante. Algumas coisas boas, inesperadas, podem surgir quando trabalho sob pressão, mas prefiro trabalhar com calma. Ter tempo para compor, para absorver, para testar, para mudar. Gosto de ter esse cuidado com a minha música.

04. Como é regravar um clássico dos Beatles e arriscar uma roupagem 100% nova? Não dá um frio na barriga fazer algo assim?

Na época da gravação não senti essa pressão. Eu estava tão envolvido com tudo o que estava acontecendo que fiquei “anestesiado”, apenas mantendo o foco em terminar o trabalho. Mas, sem dúvida, é uma responsabilidade enorme regravar uma música dos Beatles. Me deu frio na barriga agora, só de pensar.

05. Geralmente pergunto o papel do circuito underground de shows na divulgação de novas bandas. Com contrato em gravadora, música em trilha de novela e filme, qual a importância dos shows como seu cartão de visitas? Você parece ter uma relação bem próxima com os fãs.

Eu gosto muito de tocar ao vivo, de trocar energia com o público. Para mim, é a melhor recompensa por todo o trabalho que vem sendo feito. O show é um momento muito especial. Acredito que todas as pessoas, assim como eu, continuam sendo muito carentes de experiências que possam saciar seus sentidos. Ouvir, ver, tocar, cheirar… O show é o momento onde tudo isso acontece, onde as pessoas podem interagir fisicamente entre si e com a música, e ter uma noção concreta de quem é o artista.

06. Talvez seja cedo para perguntar, mas, já faz idéias de que caminhos musicais pretende explorar mais adiante? Manter-se firme no soft rock, explorar uma pegada mais pesada, trabalhar os flertes com jazz…

O primeiro CD foi uma grande bagunça na minha cabeça. A composição ainda era uma coisa muito nova pra mim e acabei passeando por todas essas influências por falta de experiência mesmo. O que não acho ruim. O disco tem uma inocência, uma honestidade daquele momento, que valorizo bastante. Me preocupo em estar constantemente aprendendo e evoluindo como músico e como artista, e ‘Let Yourself In’ foi um importante primeiro passo. Hoje já me sinto mais seguro. Minhas letras e minha musicalidade já estão começando a ter uma coerência maior com o que busco na música. O próximo disco será menos soft.


E-book: o início, o fim e o meio

Friday Sep 25, 2009

A Internet qualquer dia vira peça de museu e tem gente que ainda não sabe usar. A situação se complica quando gente é substituído por empresas da área cultural e de entretenimento. É possível sobreviver sem evoluir? A teoria de Darwin também vale para o mercado? A resposta é tão óbvia que me assusto por o país que mais passa tempo conectado não explorar as mídias da Web de maneira decente (procure os portais de seus canais de televisão prediletos e pense sobre o assunto).

A primeira grande mudança, hoje em dia, já é assunto de aula de história. Quando a mp3 derrubou o CD e as gravadoras, havia a desculpa de ser pego desprevenido pela novidade que não veio de cima da pirâmide, mas da base de consumo. A resistência das gravadoras foi de uma estupidez sem tamanho e os resultados não foram dos melhores. Correr atrás do prejuízo ao invés de correr na frente das tendências ainda parece o modelo vigente. No Brasil, não existem bons sites de venda de mp3. A maioria vende wma que vem em qualidade mediana (160kbps, quando deveria vir em 320kbps) e com proteção irritante que acaba com a mobilidade. Nosso país de ares ciberpunks tem como maior canal de vendas o celular.

Aí veio a segunda onda com os vídeos. Diferente dos primos da área de áudio, os distribuidores de vídeo parecem estar se mexendo. Há a proposta de pagar uma mensalidade equivalente à TV por assinatura e baixar o conteúdo on demand, episódios liberados primeiro na Internet e depois na TV, um esforço tímido para munir de novos artifícios os portais dos canais que deve ganhar força nos próximos anos. Também temos locadoras que permitem streaming, evoluções do Youtube e outras ferramentas mais que ajudam na renovação. Sem falar no Blu-ray e no cinema 3D, do lado físico, mas que valem outro texto.

Um movimento natural é que o mesmo processo de virtualização ocorra com os livros, e o papel ceda lugar ao e-book. Sempre achei que o mercado literário tenderia a agir com flexibilidade, aprendendo com os erros dos antecessores, mas alguns pensamentos congelados no tempo e no espaço mostram que editoras podem tomar uma rasteira muito parecida com a que vitimou as gravadoras, munindo-se de mitos ao invés de dados práticos.
Antes de qualquer coisa, é preciso definir o e-book, mesmo que usando um conceito que já nasceu ultrapassado. O e-book, ou livro eletrônico, é uma versão em arquivo do texto lido em papel. Um dos arquivos mais usados é o pdf. Você baixa para o seu computador ou aparelho e lê o texto. Tem quem use até mesmo o celular, sem muitos traumas.
O mercado de e-books ainda é inexpressivo no mundo inteiro, o que não está impedindo as editoras internacionais de pensarem no assunto e começarem seus testes, diferentemente das editoras nacionais, que preferem ignorá-lo.

Por que fazem isso? Também gostaria de saber. Dois argumentos que tenho escutado:

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Let yourself in, de Tiago Iorc

Friday Aug 21, 2009

Retomando as resenhas musicais, resolvi começar por um nome que tem marcado presença constante no meu twitter. Vira e mexe vejo um fã elogiando Tiago Iorc, com a movimentação mais recente motivada pelo lançamento do clipe de No one there no youtube. Curioso incorrigível, é claro que fui conhecer o trabalho dele. Irmã mais nova também serve para isso. Pelo que senti, seu público principal é a galera mais jovem – mostrando que o cenário musical não anda estagnado como alardeiam de vez em quando – mas com potencial para audiências mais amplas.

Tiago IorcTodo em inglês, Let yourself in chama a atenção pela boa produção e pelo som já direcionado, apontando para horizontes definidos. Parece que funcionou bem o susto de gravar tudo em uma semana pós-sucesso repentino. Uma rápida pesquisa revela que Tiago Iorc já foi trilha de três novelas (inclusive Malhação) e do filme Se eu fosse você 2, tendo uma visibilidade considerável para quem está no primeiro cd.

No mercado americano é muito comum um novo artista se ver atado às fórmulas dos produtores, conseguindo aos poucos a liberdade para arriscar, de acordo com o ritmo do sucesso. Não sei como é a pressão no mercado nacional, mas acredito que haja um processo parecido em grandes gravadoras. Mesmo considerando essas possíveis amarras imaginárias, Let yourself in se sai bem e soa como um cd autoral, apostando em letras mais intimistas e correndo riscos pontuais muito bem-vindos para temperá-lo.

Em uma primeira audição, fica claro o diálogo com o soft rock. Como o estilo é atualmente associado ao clima corta os pulsos de James Blunt, vale dizer que Tiago Iorc vai na direção inversa e explora uma atmosfera mais otimista, mesmo nas baladas, o que é um acerto. Confesso que curti mais a pegada rock de Blame, um dos singles lançados, mas é fácil apontar outros pontos altos. Ticket to ride, releitura dos Beatles, poderia estar facilmente no cd do Peter Cincotti, um dos grandes destaques do jazz contemporâneo americano. No one there também soa redonda, com uma melodia tocante e uma das letras mais bacanas do CD. Uma música que visualizo tranquilamente no mercado do Reino Unido. Outra que tem se repetido no player é It’s not time. No início parece que vai cair na monotonia, mas acha seu caminho entre solinhos climáticos e jogos de segunda voz que devem se potencializar ao vivo.

É claro que Let yourself in não é um cd perfeito (eu já falei que tem uma versão de My Girl?), mas exigir perfeição de um primeiro trabalho eu deixo para os chatos de plantão. O importante é que o cd coleciona mais pontos altos do que baixos e traz embriões de idéias que devem dar bons frutos mais adiante. Certamente um nome para se prestar atenção, tenha você a idade que for.

“They’ll try to fix you up, try to fit you in
Try to make you proud, of what you’ve been
Who’s to say what’s good enough
Or when it’s safe to try?
When truth lies inside
When truth lies inside” – No one there.

Em tempo: além de ter composto todas as músicas originais do cd, Iorc também se arrisca na roteirização e produção de seus videoclipes.


Smashing Pumpkins interativo

Sunday May 3, 2009

É uma pena que a velocidade de geração de conhecimento e propagação da informação seja infinitamente superior à viabilização das mudanças que deveriam causar. A sociedade tende a inércia, uma frase clichê, infelizmente. De que outra maneira explicar que dez anos depois do Napster abalar a estrutura da indústria fonográfica, ainda não há um mercado consolidado de mp3s no Brasil? Enquanto o iTunes se torna um grande império, impulsionando inclusive a venda de audiobooks, aqui no Brasil os sites de vendas de música online geralmente não funcionam com outro navegador que não seja o Internet Explorer. E digo música online porque alguns não vendem mp3, e sim wma em qualidade de 160kbps, metade do que seria comparável à qualidade do cd. A tentativa das gravadoras de estancar o sangramento inevitável ainda deve perdurar. Nesse meio tempo, desperdiça-se o potencial das rádios digitais como canais de venda, e quiosques de mp3 parecem elementos de ficção-científica. Isso sem falarmos em e-books, por exemplo. Uma movimentação grande lá fora, e por aqui nenhum interesse em entender o formato, o que dirá comercializá-lo.

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Columbia e Cof Damu

Saturday Jun 14, 2008

É uma transformação caótica, como todas devem ser. Morte decretada do formato atual de cd, mp3 ainda nos limites entre o download gratuito e o respeito ao trabalho do artista, Internet a todo vapor e rádios se mantendo firme como medida de sucesso. Sorte nossa (minha pelo menos) que no meio do caos haja espaço para o surgimento de novas bandas no cenário brasileiro. De show em show, aumentando aos poucos a base de fãs, estão grupos como Cof Damu e Columbia, cada um na sua área fazendo um som de primeira.
Ainda não conhece? Hora de calibrar seu mp3 player.

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Entrevista exclusiva com Katia B

Tuesday Apr 15, 2008

01. Sendo direto: Espacial é uma pequena obra de arte. Como foi o caminho da concepção da identidade musical do CD até o resultado final? Diria que o refinamento presente é uma evolução natural dos CDs anteriores?

Obrigada pelo elogio! Acho que a cada disco trabalho com a idéia de aprofundar a relação com as músicas e com o uso dos equipamentos como forma de manipular e criar texturas sonoras. Sempre começo pelas composições e depois penso bastante que cara quero dar ao disco, pra onde quero levar as músicas. Surgem então os produtores, figuras fundamentais pra dar forma ao que eu imagino. Penso que o refinamento pode ser a relação com a delicadeza, com a sutileza, por causa disso fica refinado.
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Peter Cincotti

Sunday Mar 30, 2008

Peter Cincotti aparece comumente em listas de nomes do jazz contemporâneo, mas seu estilo vem evoluindo de CD para CD e engloba cada vez mais ritmos musicais. O pianista foi o artista mais jovem a entrar na parada de jazz da Billboard e está aos poucos conquistando espaço no cenário internacional, aparecendo com força na Itália, França, Bélgica e Suíça, países mais abertos ao mix musical que Cincotti decidiu explorar. O músico de 23 anos acaba de lançar East of Angel Town pela Warner, garantindo uma ampla distribuição ao redor do globo. Por aqui, nenhuma divulgação, mas se considerarmos o panorama de lançamentos em território tupiniquim, já é sorte ver o CD nas prateleiras (procure antes no setor de cantores de jazz), mesmo que com preço salgado e superior ao de alguns títulos importados.
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Entrevista exclusiva com Minor Majority

Thursday Jan 31, 2008

01. Um Grammy (Spellemannsprisen), turnê bem-sucedida, sucesso de público de crítica. Candy Store foi um jeito de fechar um ciclo e comemorar os bons ventos? Já dá pra imaginar o próximo passo?

Até agora lançamos cinco discos e temos vivido de música e com a música por oito anos. Candy Store foi um jeito agradável de dizer que precisamos de, senão umas férias, pelo menos um ano de ensaios para que possamos preparar um disco que seja de alguma forma diferente dos anteriores. Chega um certo momento em que é fácil ficar cansado do seu próprio som, e nesse ponto faz sentido fazer uma coletânea, porque força você a olhar para frente. Espero que possamos surpreender um pouco os nossos fãs da próxima vez. Read the rest of this entry »


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