Category: Música


A Internet qualquer dia vira peça de museu e tem gente que ainda não sabe usar. A situação se complica quando gente é substituído por empresas da área cultural e de entretenimento. É possível sobreviver sem evoluir? A teoria de Darwin também vale para o mercado? A resposta é tão óbvia que me assusto por o país que mais passa tempo conectado não explorar as mídias da Web de maneira decente (procure os portais de seus canais de televisão prediletos e pense sobre o assunto).

A primeira grande mudança, hoje em dia, já é assunto de aula de história. Quando a mp3 derrubou o CD e as gravadoras, havia a desculpa de ser pego desprevenido pela novidade que não veio de cima da pirâmide, mas da base de consumo. A resistência das gravadoras foi de uma estupidez sem tamanho e os resultados não foram dos melhores. Correr atrás do prejuízo ao invés de correr na frente das tendências ainda parece o modelo vigente. No Brasil, não existem bons sites de venda de mp3. A maioria vende wma que vem em qualidade mediana (160kbps, quando deveria vir em 320kbps) e com proteção irritante que acaba com a mobilidade. Nosso país de ares ciberpunks tem como maior canal de vendas o celular.

Aí veio a segunda onda com os vídeos. Diferente dos primos da área de áudio, os distribuidores de vídeo parecem estar se mexendo. Há a proposta de pagar uma mensalidade equivalente à TV por assinatura e baixar o conteúdo on demand, episódios liberados primeiro na Internet e depois na TV, um esforço tímido para munir de novos artifícios os portais dos canais que deve ganhar força nos próximos anos. Também temos locadoras que permitem streaming, evoluções do Youtube e outras ferramentas mais que ajudam na renovação. Sem falar no Blu-ray e no cinema 3D, do lado físico, mas que valem outro texto.

Um movimento natural é que o mesmo processo de virtualização ocorra com os livros, e o papel ceda lugar ao e-book. Sempre achei que o mercado literário tenderia a agir com flexibilidade, aprendendo com os erros dos antecessores, mas alguns pensamentos congelados no tempo e no espaço mostram que editoras podem tomar uma rasteira muito parecida com a que vitimou as gravadoras, munindo-se de mitos ao invés de dados práticos.
Antes de qualquer coisa, é preciso definir o e-book, mesmo que usando um conceito que já nasceu ultrapassado. O e-book, ou livro eletrônico, é uma versão em arquivo do texto lido em papel. Um dos arquivos mais usados é o pdf. Você baixa para o seu computador ou aparelho e lê o texto. Tem quem use até mesmo o celular, sem muitos traumas.
O mercado de e-books ainda é inexpressivo no mundo inteiro, o que não está impedindo as editoras internacionais de pensarem no assunto e começarem seus testes, diferentemente das editoras nacionais, que preferem ignorá-lo.

Por que fazem isso? Também gostaria de saber. Dois argumentos que tenho escutado:

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Retomando as resenhas musicais, resolvi começar por um nome que tem marcado presença constante no meu twitter. Vira e mexe vejo um fã elogiando Tiago Iorc, com a movimentação mais recente motivada pelo lançamento do clipe de No one there no youtube. Curioso incorrigível, é claro que fui conhecer o trabalho dele. Irmã mais nova também serve para isso. Pelo que senti, seu público principal é a galera mais jovem – mostrando que o cenário musical não anda estagnado como alardeiam de vez em quando – mas com potencial para audiências mais amplas.

Tiago IorcTodo em inglês, Let yourself in chama a atenção pela boa produção e pelo som já direcionado, apontando para horizontes definidos. Parece que funcionou bem o susto de gravar tudo em uma semana pós-sucesso repentino. Uma rápida pesquisa revela que Tiago Iorc já foi trilha de três novelas (inclusive Malhação) e do filme Se eu fosse você 2, tendo uma visibilidade considerável para quem está no primeiro cd.

No mercado americano é muito comum um novo artista se ver atado às fórmulas dos produtores, conseguindo aos poucos a liberdade para arriscar, de acordo com o ritmo do sucesso. Não sei como é a pressão no mercado nacional, mas acredito que haja um processo parecido em grandes gravadoras. Mesmo considerando essas possíveis amarras imaginárias, Let yourself in se sai bem e soa como um cd autoral, apostando em letras mais intimistas e correndo riscos pontuais muito bem-vindos para temperá-lo.

Em uma primeira audição, fica claro o diálogo com o soft rock. Como o estilo é atualmente associado ao clima corta os pulsos de James Blunt, vale dizer que Tiago Iorc vai na direção inversa e explora uma atmosfera mais otimista, mesmo nas baladas, o que é um acerto. Confesso que curti mais a pegada rock de Blame, um dos singles lançados, mas é fácil apontar outros pontos altos. Ticket to ride, releitura dos Beatles, poderia estar facilmente no cd do Peter Cincotti, um dos grandes destaques do jazz contemporâneo americano. No one there também soa redonda, com uma melodia tocante e uma das letras mais bacanas do CD. Uma música que visualizo tranquilamente no mercado do Reino Unido. Outra que tem se repetido no player é It’s not time. No início parece que vai cair na monotonia, mas acha seu caminho entre solinhos climáticos e jogos de segunda voz que devem se potencializar ao vivo.

É claro que Let yourself in não é um cd perfeito (eu já falei que tem uma versão de My Girl?), mas exigir perfeição de um primeiro trabalho eu deixo para os chatos de plantão. O importante é que o cd coleciona mais pontos altos do que baixos e traz embriões de idéias que devem dar bons frutos mais adiante. Certamente um nome para se prestar atenção, tenha você a idade que for.

“They’ll try to fix you up, try to fit you in
Try to make you proud, of what you’ve been
Who’s to say what’s good enough
Or when it’s safe to try?
When truth lies inside
When truth lies inside” – No one there.

Em tempo: além de ter composto todas as músicas originais do cd, Iorc também se arrisca na roteirização e produção de seus videoclipes.

Crítica para quê?

“Um belo dia ele acordou com as calças na mão, correu até a janela e gritou bem alto para os vizinhos: crítica para quê? Com um sorriso no rosto e já completamente nu, esperou em vão pela resposta. Seu corpo nunca pareceu tão magro no reflexo da vidraça. A pilha de contas para pagar também não ajudava a auto-estima, isso sem falar da réplica da tréplica da tétrica crítica que tinha escrito sobre a peça na semana anterior. Sem encontrar sentido para o trabalho de toda uma vida, tacou-se de braços abertos no meio da rua, levando consigo uma transeunte. Os jornais não deixaram passar a feliz coincidência de o crítico ter caído justo em cima da diretora que deflagrara seu surto depressivo. Pelo menos os dois estavam juntos em uma matéria de capa, pela primeira vez”.

Com menos humor negro, costumo dizer por aí que crítico inteligente é aquele que tem a mesma opinião que a gente. Se de repente surge um ponto de discordância, ninguém é perfeito, pobrezinho, fica a torcida para que ele acerte novamente da próxima vez. Quando ele começa a discordar demais, entra para a nossa lista negra. Ser crítico, leitor e autor, tudo junto, me põe no meio desse processo esquizofrênico nada freudiano. Então cada pedrada que eu levo como autor, cada bote ofídico que recebo como crítico e cada momento “hein?” que vivo como público-consumidor me faz bater na mesma questão: a crítica perdeu seu papel?

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Duas namoradas

Tenho duas namoradas
A música e a poesia
Que ocupam minhas noites
Que acabam com meus dias

Uma fala sem parar
A outra nunca desliga
Não consigo separar
Duvido d o dó que alguém consiga

Cantar é saber juntar
Melodia, ritmo e harmonia
Se eu tivesse que optar
Não sei qual eu escolheria

Tem vez que o caso é comigo
Tem vez que sou só sentinela
Xifópagas, caso antigo,
Tem vez que é só entre elas

Nenhum instante se deixam
Grudadas pelas costelas
Nenhum segundo me largam
Também eu não largo delas

Na voz de Zelia Duncan, composta por Itamar Assumpção e Alice Ruiz. CD Pelo Sabor do Gesto, acabou de sair do forno.

É uma pena que a velocidade de geração de conhecimento e propagação da informação seja infinitamente superior à viabilização das mudanças que deveriam causar. A sociedade tende a inércia, uma frase clichê, infelizmente. De que outra maneira explicar que dez anos depois do Napster abalar a estrutura da indústria fonográfica, ainda não há um mercado consolidado de mp3s no Brasil? Enquanto o iTunes se torna um grande império, impulsionando inclusive a venda de audiobooks, aqui no Brasil os sites de vendas de música online geralmente não funcionam com outro navegador que não seja o Internet Explorer. E digo música online porque alguns não vendem mp3, e sim wma em qualidade de 160kbps, metade do que seria comparável à qualidade do cd. A tentativa das gravadoras de estancar o sangramento inevitável ainda deve perdurar. Nesse meio tempo, desperdiça-se o potencial das rádios digitais como canais de venda, e quiosques de mp3 parecem elementos de ficção-científica. Isso sem falarmos em e-books, por exemplo. Uma movimentação grande lá fora, e por aqui nenhum interesse em entender o formato, o que dirá comercializá-lo.

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Prejutube

“Google perderá este año 470 millones de dólares, unos 365 millones de euros, por culpa de YouTube, una página web que sólo en Estados Unidos consiguió más de 100 millones de usuarios únicos durante el pasado mes de enero. La pregunta es: si Google, que ejerce un monopolio de facto en el mercado publicitario en Internet, no es capaz de generar beneficios gracias a la publicidad en su propio portal de vídeos, ¿quién podrá hacerlo? Según los cálculos realizados por la firma Credit Suisse, YouTube no consigue cubrir con sus ingresos publicitarios ni siquiera lo que paga en concepto de royalties (182 millones por 191). Además, hay que sumar los 399 millones que paga por el ancho de banda que consumen los cientos de millones de usuarios que tiene en todo el mundo”. – El País.

Columbia e Cof Damu

É uma transformação caótica, como todas devem ser. Morte decretada do formato atual de cd, mp3 ainda nos limites entre o download gratuito e o respeito ao trabalho do artista, Internet a todo vapor e rádios se mantendo firme como medida de sucesso. Sorte nossa (minha pelo menos) que no meio do caos haja espaço para o surgimento de novas bandas no cenário brasileiro. De show em show, aumentando aos poucos a base de fãs, estão grupos como Cof Damu e Columbia, cada um na sua área fazendo um som de primeira.
Ainda não conhece? Hora de calibrar seu mp3 player.

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01. Sendo direto: Espacial é uma pequena obra de arte. Como foi o caminho da concepção da identidade musical do CD até o resultado final? Diria que o refinamento presente é uma evolução natural dos CDs anteriores?

Obrigada pelo elogio! Acho que a cada disco trabalho com a idéia de aprofundar a relação com as músicas e com o uso dos equipamentos como forma de manipular e criar texturas sonoras. Sempre começo pelas composições e depois penso bastante que cara quero dar ao disco, pra onde quero levar as músicas. Surgem então os produtores, figuras fundamentais pra dar forma ao que eu imagino. Penso que o refinamento pode ser a relação com a delicadeza, com a sutileza, por causa disso fica refinado.
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Peter Cincotti

Peter Cincotti aparece comumente em listas de nomes do jazz contemporâneo, mas seu estilo vem evoluindo de CD para CD e engloba cada vez mais ritmos musicais. O pianista foi o artista mais jovem a entrar na parada de jazz da Billboard e está aos poucos conquistando espaço no cenário internacional, aparecendo com força na Itália, França, Bélgica e Suíça, países mais abertos ao mix musical que Cincotti decidiu explorar. O músico de 23 anos acaba de lançar East of Angel Town pela Warner, garantindo uma ampla distribuição ao redor do globo. Por aqui, nenhuma divulgação, mas se considerarmos o panorama de lançamentos em território tupiniquim, já é sorte ver o CD nas prateleiras (procure antes no setor de cantores de jazz), mesmo que com preço salgado e superior ao de alguns títulos importados.
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01. Um Grammy (Spellemannsprisen), turnê bem-sucedida, sucesso de público de crítica. Candy Store foi um jeito de fechar um ciclo e comemorar os bons ventos? Já dá pra imaginar o próximo passo?

Até agora lançamos cinco discos e temos vivido de música e com a música por oito anos. Candy Store foi um jeito agradável de dizer que precisamos de, senão umas férias, pelo menos um ano de ensaios para que possamos preparar um disco que seja de alguma forma diferente dos anteriores. Chega um certo momento em que é fácil ficar cansado do seu próprio som, e nesse ponto faz sentido fazer uma coletânea, porque força você a olhar para frente. Espero que possamos surpreender um pouco os nossos fãs da próxima vez. View Full Article »

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