É uma transformação caótica, como todas devem ser. Morte decretada do formato atual de cd, mp3 ainda nos limites entre o download gratuito e o respeito ao trabalho do artista, Internet a todo vapor e rádios se mantendo firme como medida de sucesso. Sorte nossa (minha pelo menos) que no meio do caos haja espaço para o surgimento de novas bandas no cenário brasileiro. De show em show, aumentando aos poucos a base de fãs, estão grupos como Cof Damu e Columbia, cada um na sua área fazendo um som de primeira.
Ainda não conhece? Hora de calibrar seu mp3 player.
O Columbia marca presença no circuito independente há 4 anos. Quem é fã de festivais alternativos provavelmente já esbarrou com o som de Fernanda, Bruno, Fred e Durão por aí. O quarteto aposta no rock puro e simples. A idéia é misturar os vocais femininos de Fernanda com as guitarras distorcidas do Bruno de forma harmônica, deixando de lado a barulheira e os berros repentinos.
Durante o tempo que tiveram para arredondar o som, o Columbia gravou um EP caseiro e com ele ganhou prêmios e se apresentou em palcos importantes do país, como o Circo Voador. Talvez por ter a estrada no currículo, o grupo conseguiu manter a energia dos shows em seu CD de estréia. O que você não quis dizer traz 10 canções que mostram uma identidade bem definida sem cair na homogeneidade. Os destaques ficam por conta de Amanhã, que merecidamente ganhou clip na Internet e status de single de divulgação; Marcela e Fernanda, um hit entre os fãs desde os primórdios do grupo, uma espécie de Eduardo e Mônica da nova geração; e Antes que eu fuja, típico hit instantâneo com letra leve e batida chiclete.
“Feche os olhos antes que eu fuja / Espere o refrão para me beijar / Então deixe sua pressa em casa / Ninguém vai nos separar” – Antes que eu fuja.
Definir o som do Cof Damu já é um pouco mais complicado. Para entendê-lo é essencial começar pelo nome. O grupo (que é de salvador) dizia que não conseguiria fazer um som diferenciado na terra do axé nem que a vaca tossisse. Mas fez. E assim a vaca tossiu (“cof” da “muuuú”, para quem ainda não entendeu). Pode não ser uma tossida bovina, mas é um sopro de frescor na música brasileira, e isso vale para norte, sul e sudeste.
Depois de 3 anos na estrada, Véu (a vocalista), Peu (teclado), Cláudio Lima (bateria), Karranka (guitarra), Dudare (baixo) e Fábio Abu (percussão) assinaram contrato com a Som Livre para o lançamento do cd homônimo. Nas 12 faixas eles mostram grande entrosamento e fazem um rock muito maduro, com levadas de MPB e grandes influências de rock progressivo.
Os destaques são Caprichos, altamente psicodélica com instrumental perfeito (ia falar só do solo de guitarra, mas seria injustiça grave) e letra levemente social; Nua, uma das mais redondas, um dos grandes símbolos do que o Cof Damu representa como banda, como coletivo, trazendo ainda bons jogos vocais e solo de flauta da Véu; e Grãos, de levada mais pop e letra alto astral feita na medida para as rádios.
“Tantas mãos
Ecoam a dor
De quem as têm
Quantos olhos se apagaram
Órfãos que não choram mais
Não exagere em seus caprichos
Se não conhece quem os faz
Você quem reduziu e cifrou a inocência
Transformaram a cicuta
Em água fresca
O que é real que não é fatal?
Não exagere em seus caprichos
Se não conhece quem os faz
Você quem reduziu e cifrou a inocência
Não há voz,
Não há chão,
Não há sol,
O ego já se espalhou” – Caprichos.
