Esse texto não é uma resenha, só um post comentando a leitura. Não foi publicado no Aguarrás, apenas aqui no site.
Ganhei de aniversário o livro D. Pedro II, uma biografia escrita por Murilo de Carvalho. Nos sites online ela também se chama Ser ou Não Ser, brincando com a personalidade conflitante de Pedro D’Alcântara e D. Pedro II. Os dois são a mesma pessoa, calma. É que D. Pedro não tinha muita vocação para ser imperador, não gostava da pompa das festas, do beija mãos, não manteve aqui no Brasil a idéia de monarquia que temos na Europa e que nos acostumamos a ver nos filmes. Pedro gostava mesmo de ler, estudar idiomas, conhecer artistas, viajar, visitar escolas. Conheceu Pasteur, Vitor Hugo, Wagner… a lista é grande. Tudo da área cultural o interessava, por isso o tal conflito de personalidades. Não achei que fosse gostar tanto do livro e do imperador. Impressiona o fato de ser um visionário, de ser um republicano que teve o azar irônico de ser deposto com a Proclamação da República (que aliás, foi uma zona, um golpe militar made in baderna). O livro cobre todo o reinado, fala da Princesa Isabel (que era uma carola chata), da pressão da Inglaterra contra o tráfico de escravos, da guerra contra o Paraguai, da posição de D. Pedro de que governo e religião não deviam se misturar, fala de seus amigos maçons, da sua simpatia pelo judaismo (ele sabia hebraico) e toda a movimentação política da época. Descobri, por exemplo, que ele mantinha uma espécie de bolsa família, fazendo doações, e que também pagava bolsa de estudos para alguns estudarem no exterior.
Vez ou outra o texto pesa em informações me obrigando a reler o parágrafo, mas no geral é bem estruturado. Também é raro o momento em que o amor ao objeto de estudo quebra a dinâmica biográfica. Isso acontece ainda no começo. Fica a recomendação. A comparação com os atuais políticos também é inevitável. D. Pedro II fazia questão de pagar as próprias viagens pelo Brasil ou ao exterior. Veja só. Terminei fã de Pedro d’Alcântara.
Na contra capa:
“Por trás das longas barbas brancas e dos olhos azuis, a figura majestática de D.Pedro II ocultava um homem tímido e contraditório, oprimido pelo próprio poder e nem sempre capaz de conter suas paixões. Educado desde o berço como herdeiro do Império do Brasil, ele passou a vida tentando se ajustar aos protocolos de governante perfeito, invariavelmente equilibrado, austero e inflexível. E fez de tudo para não se desviar dessa imagem ao longo dos 49 anos em que ocupou o trono, de 1840 até 1889 (só a Rainha Vitória governou mais tempo que ele!). Mas no fundo, Pedro D’Alcântara detestava cada vez mais as solenidades públicas, e no final da existência viveu o exercício de poder como um fardo. Quando o movimento republicano começou a ameaçar o seu regime, ele declarou ‘Se os brasileiros não me quiserem para seu imperador, irei ser professor’. talvez fosse esse o desejo mais íntimo de um monarca amante das ciências e das letras, que sempre afirmou preferir a cartola de cidadão cosmopolita à coroa de imperador nos trópicos”.
* o livro teve coordenação de Elio Gaspari e Lilia M. Schwarcz, seja lá o que isso for.


CAROLA CHATA!!!!!
Vc acaba de comprar uma briga comigo sem precedentes!
A Princesa Isabel era amada pelo povo. Ia a pé para o trabalho pela rua Paissandú, no Rio, e a pessoas saíam de suas casas para aplaudí-la ao passar. Seu marido, o Conde D’Eu, era um apaixonado e mandou calçar com pedrinhas de rio a rua para que ela não sujasse a barra do vestido de lama (dando origem à música Se Essa Rua Fosse Minha, de autor desconhecido). Ela trabalhava muito em uma época em que mulher não fazia esse tipo de coisa. Resistiu bravamente ao machismo da época e aproveitou todas as brechas possíveis para tentar fazer algo.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH
Tô de mal.
Parece MUITO legal.
Rola empréstimo?
Sempre!