Dicas de leitura 01
Posted by Eric Novello | Under dicas de leitura Sexta Jul 17, 2009E esse é o na Estante do Eric, feito sob medida para o Papo na Estante, o seu podcast de literatura. Nesse espaço vou comentar livros novos e antigos, traduzidos ou inéditos no paÃs, de contos, romances ou assuntos técnicos, realistas ou fantásticos, e até mesmo não lidos. É um espaço democrático inspirado no que passa pela minha estante e no que eu gostaria que passasse. Mas chega de enrolação e vamos ao que interessa.
No dicas de hoje os participantes são: AnaCrônicas - da sempre presente Ana Cristina Rodrigues, Dead until dark - da finalmente conhecida Charlaine Harris e O outro lado da noite - livrinho de cinema do A.C. Gomes de Mattos.
Para quem chegou agora de pára-quedas, a Ana é uma das colaboradoras do Papo na Estante, historiadora e escritora de literatura fantástica. Esse livrinho bacana é o primeiro dela e vem com 20 contos rapidinhos em 87 páginas. Os temas são bem variados, a leitura é ligeira e o resultado final me surpreendeu bastante. Não sabia bem o que esperar e curti as ironias, a versatilidade o jeitão de reflexão aqui e ali. Meus preferidos, por motivos suspeitos, são É tarde e Deus embaralha, o Destino Corta. É tarde me fisgou de cara, já que brinca com o universo de Alice no PaÃs das Maravilhas, um dos meus vÃcios literários. Quem lembra do coelho paranóico com as horas vai identificar o bichano ali na capa feita pelo Estevão Ribeiro, marido de DonAna. Diz ela que metade dos livros vendidos foi graças à capa, então aquele papo de que pé de coelho dá sorte para todo mundo menos para o coelho pode ser verdade. Deus embaralha… é uma brincadeira curtinha com aquela história de que deus joga com a vida da gente… só que muito mal. Vai uma aula de pôquer aÃ? Em breve entro em mais detalhes do AnaCrônicas em uma resenha. Esse foi um misto de jabá e elogio merecido.
Dead until dark, se você não ouviu falar até agora, volte a ter contato com o mundo. Nem precisa ser o real não, o virtual já está de bom tamanho. Ele foi traduzido há um tempo para o português com o
nome Morto até o anoitecer, mas só explodiu em vendas com a adaptação para a TV no seriado True Blood. Como temos mania de achar que as coisas só passam a existir no momento em que as conhecemos, muita gente pensa que Dead until dark veio na carona de Crepúsculo (cof), mas a Charlaine Harris já está batalhando faz tempo e a série de vampiros que ela batizou de The Sookie Stackhouse Novels / The Southern Vampires existe desde 2001, estando já no 9º livro. Disputas bestas de fãs de lado, o grande lance aqui é o humor. A autora tem um jeitão debochado de tratar o mundo sobrenatural que vale a pena conhecer. Ela aproveita que a protagonista é telepata para falar da hipocresia e preconceitos contra minorias em geral. O plot é basicamente esse: Os japoneses inventaram o sangue sintético, acabando com a necessidade de doadores para transfusão. O que ninguém imaginava é que com isso os vampiros se revelassem ao mundo. Não somos mais uma ameaça, queremos participar da sociedade. Cada paÃs trata o caso de um jeito. Nos EUA eles foram aceitos porque o governo ficou de olho nos impostos que seres milenares poderiam pagar. É nesse livro que a Sookie conhece o vampiro Bill e descobre que a vida não é só o que a gente enxerga nela.
Para fechar, um livro sobre cinema. O outro lado da noite trata de cinema noir, fazendo um comentário mais geral das produções e da importância do noir na transição da linguagem fÃlmica americana. Depois dessa introdução de 110 páginas que para mim vale o livro, o autor começa a analisar a filmografia, tÃtulo por tÃtulo, o que meu grau de nerdice ainda não alcançou, já que a análise depende obrigatoriamente do leitor ter visto o filme em questão. Atendo-me ao que gostei: o autor debate, por exemplo, se o noir é um gênero ou só um estilo, um pacote de caracterÃsticas que podem aparecer em maior ou menor intensidade em filmes tão variados quanto Blade Runner (por essa você não esperava, não?), Seven (hein, como assim?), Falcão Maltês (esse aà da capa, também conhecido como RelÃquia Macabra) ou Marca da Maldade (Orson Welles, o noir clássico dos clássicos como tudo que o Welles já fez). O termo noir, para quem não sabe, nós devemos aos crÃticos franceses que perceberam em certos filmes policiais americanos algumas caracterÃsticas de tema, visual e linguagem que não existiam no cinema pré-Segunda Guerra da mesma maneira. De quebra, além de saber um pouco mais sobre o assunto, você ficará curioso sobre o expressionismo alemão e sobre os romances de Raymond Chandler, duas fontes importantes do que virou o noir.
[...] Eric Novello fez um breve comentário sobre o livro. [...]
Gosto muito desse livro sobre noir. Um outro que também é interessante - incluindo literatura e até alguma coisa de HQ, rádio e TV - é The Big Book of Noir.