01. For starters, I’d like you to help me define gay speculative fiction. Is it speculative fiction with gay characters or are they gay stories with a touch of fantasy literature?

SB: Arguably, both. The easier question is what makes a good gay spec fic story. The fantastical elements should compliment the gay themes and characters. It’s much like creating cuisine – you don’t want any single ingredient to overpower the others. Being gay is akin to being the “outsider” – a role that befalls many protagonists in fantastic literature.

02. In Brazil, gay characters and Love stories exist, but there is not enough volume to mark the appearance of a subgenre, like it seems to be the case for other markets. What is the market for this ‘genre’ of literature in your country?

SB: In the United States, gay-oriented titles are still rather uncommon. More American women than men read books, so you are seeing a growing number of titles that can appeal beyond the usual gay readership. That said, I think a great book creates “ripples of readership” within the marketplace; the inner circles are an author’s intended readers, but the outer rings are ones he never expected. Vintage originally written for gay teenage readers, but I know many gay adult or straight females who have enjoyed the book.

03. I see in gay films a problem of repetition of dilemmas. There is always somebody who fights with their best friend when discovering their own sexuality, suffers from prejudice in the family, falls for the straight guy in collage, has a friend who is HIV positive. Sometimes all the problems in the same package, in 1 hour and a half. In literature, do you think gay life is handled more broadly?

SB: I think there is a growing movement in books to portray being gay is not always as simple or stereotyped as mass media presents. In Wilde Stories 2009, which I edited, there are guys who are coming out at age 40 and feel lost in typical gay culture, homicide detectives who deal with homophobia, and even Muslim characters in an Arabian Nights milieu.

04. In Vintage, your main character is a gay youngster who attempted suicide. Was it hard to work on the psychological aspect of the character? Does the horror element help you?

SB: The saddest part of working on Vintage involved the death of one of my draft readers—he was only 14 years old and hung himself in his closet due to depression and experiencing homophobia at school. 14 years old… it was a tragedy that affected me greatly. Some of the book’s narrator is based on this boy.
I think we all have periods of dark thoughts, of self-destructive impulses, and I tried to incorporate these and show that giving in to depression is not the answer.

05. Talk a little about Icarus your new magazine.

SB: Well, I do love reading good gay speculative fiction. It just seemed like the next evolution for my press (Lethe Press / lethepressbooks.com) to start publishing a quarterly magazine devoted to such tales. The goal is to have something special, colorful, and fun for gay men—and introduce them to stories that feature a bit of weirdness and whimsy. The newest issue, special for Halloween, just released. Where else will you find cartoons, vampire erotica, gossip, and a tale about San Francisco in the future.

I would love to see some Brazilian authors submit their work—right now it’s about American-centric, but I’d love to read a fantastic tale set during Carnivale.

06. For those who want to learn more about what is currently produced in Urban Gay Fantasy or even Urban Fantasy, which names would you recommend to get started?

SB: Some of my favorite authors are Holly Black, Cassandra Clare, Ellen Kushner, and Lee Thomas. They all have gay content, of differing amounts, and their stories are captivating and vivid.

(versão em português abaixo)


01. Para começar, gostaria que me ajudasse a definir a ficção especulativa gay. É a ficção especulativa com personagens gays ou são histórias gays com um toque de literatura fantástica?

Pode-se argumentar que sejam ambas. A pergunta mais fácil é o que faz uma boa história de ficção especulativa gay. Os elementos fantásticos devem complementar os temas e personagens gays. É como na culinária – você não quer que um único ingrediente domine os outros. Ser gay é como ser o “forasteiro” – um papel que se encaixa em muitos protagonistas da literatura fantástica.

02. Como é o mercado para esse tipo de literatura no seu país? No Brasil, os personagens e amores gays existem, mas não chega a haver volume que marque o surgimento de um gênero, como me parece ser o caso em outros mercados.

Nos Estados Unidos, títulos com orientação gay ainda são um tanto quanto incomuns. Mais mulheres do que homens americanos lêem livros, então você pode observar um número crescente de livros que podem ter apelo além do público gay tradicional. Isso dito, acredito que um ótimo livro cria “ondas de público leitor” no mercado. Os círculos internos são o público-alvo do autor, mas os círculos externos são aqueles que ele nunca esperava. Vintage foi originalmente escrito para leitores adolescentes gays, mas eu sei que muitos adultos gays ou mulheres heterossexuais gostaram do livro.

03. Eu vejo em filmes gays um problema da repetição dos dilemas. Tem sempre alguém que briga com o melhor amigo ao descobrir a própria sexualidade, sofre preconceito da família, se apaixona pelo cara heterossexual da faculdade, tem dificuldade de adotar um filho, tem um amigo com AIDS. Às vezes, tudo isso no mesmo filme, em 1h30 de duração. Na literatura, você acha que a vida gay é tratada de forma mais ampla?

Eu acho que tem um movimento crescente nos livros para mostrar que ser gay não é sempre tão simples ou estereotipado quanto a grande mídia apresenta. Em Wilde Stories 2009, que eu editei, tem caras que estão saindo do armário aos 40 e se sentem perdidos em uma cultura tipicamente gay, detetives de homicídio que lidam com homofobia, e até personagens muçulmanos em um ambiente tipo mil e uma noites.

04. Em Vintage, seu protagonista é um jovem gay que tentou se suicidar. Foi difícil trabalhar a faceta psicológica do personagem? O terror ajuda nessas horas?

A parte mais triste de trabalhar no Vintage envolveu a morte de um dos meus leitores beta – ele tinha apenas 14 anos e se enforcou no seu armário devido à depressão e a homofobia que enfrentava na escola. 14 anos de idade… foi uma tragédia que me afetou muito. Parte do narrador do livro é baseado nesse garoto.
Acho que todos nós temos nossos períodos de pensamentos mais sombrios, de impulsos autodestrutivos, e eu tentei incorporar isso tudo e mostrar que desistir em face da depressão não é a resposta.

05. Fale um pouco da Ícarus Magazine.

Bem, eu realmente adoro ler boa ficção especulativa gay. Parecia ser o próximo passo para minha editora (Lethe Press / lethepressbooks.com) começar a publicar uma revista trimestral dedicada a essas histórias. O objetivo é ter alguma coisa especial, colorida e divertida para homens gays – e introduzi-los a um mundo com histórias que tem um toque do estranho e da fantasia. A edição mais recente, especial para Halloween, acabou de ser lançada. Onde mais você encontraria desenhos animados, histórias eróticas de vampiros, fofocas e um conto sobre a San Francisco do futuro?

Adoraria ver alguns autores brasileiros enviando trabalhos – no momento tem um foco mais americano, mas gostaria de ler um conto fantástico ambientado no Carnaval.

06. Para quem quer conhecer a atual produção de Fantasia Urbana Gay ou mesmo Fantasia Urbana, quais nomes você indica?

Alguns dos meus autores favoritos são Holly Black, Cassandra Clare, Ellen Kushner, e Lee Thomas. Todos têm conteúdo gay, em proporções variadas, e suas histórias são cativantes e cheias de vida.