01. Sendo direto: Espacial é uma pequena obra de arte. Como foi o caminho da concepção da identidade musical do CD até o resultado final? Diria que o refinamento presente é uma evolução natural dos CDs anteriores?

Obrigada pelo elogio! Acho que a cada disco trabalho com a idéia de aprofundar a relação com as músicas e com o uso dos equipamentos como forma de manipular e criar texturas sonoras. Sempre começo pelas composições e depois penso bastante que cara quero dar ao disco, pra onde quero levar as músicas. Surgem então os produtores, figuras fundamentais pra dar forma ao que eu imagino. Penso que o refinamento pode ser a relação com a delicadeza, com a sutileza, por causa disso fica refinado.

02. Você provavelmente é conhecedora do cenário de música eletrônica mundial. Como acha que Espacial dialoga com esse cenário? Há influências do trip-hop de Massive Attack, um viés de tango talvez de Bajofondo ou Gotan Project, etc.?

Essas referências musicais são profundamente inspiradoras pra mim. Meus discos despertaram sim um interesse fora do Brasil. Na Inlgaterra meu segundo disco – Só Deixo Meu Coração ma Mão de Quem Pode recebeu uma crítica muito elogiosa no The Guardian e o cd foi lançado em diversos países. Acho que habito um lugar sutil que é o que mistura a eletrônica com a sonoridade brasileira. Isso é resultado da pesquisa das texturas sonoras combinadas com as canções que valorizam a melodia.

03. No seu site há a frase “nada é casual, no entanto, tudo é sincero” para se referir à ambientação e repertório dos shows. Olhando para a caixa, as fotos, o desenho no CD, a impressão que se tem é que tudo foi feito com muito cuidado, muito carinho. Qual foi o seu envolvimento na concepção visual do CD?

O envolvimento é total, em todas as etapas, não tem como separar. Chamei somente mulheres pra trabalhar na concepção visual. Eu queria me revelar mais, sempre acentuando o feminino, a sutileza, o mistério, a delicadeza, coisas que eu sempre vou enfatizar. Não a mulher frágil, mas a mulher de verdade. Falando a verdade nunca acho que cheguei aonde eu queria, mas acho que tudo é uma busca eterna. Talvez eu nunca chegue num lugar ideal.

04. Um cd como Espacial mostra que, ainda bem, MPB é um termo flexível que inclui sonoridades diversas. O que você acha do cenário musical brasileiro atualmente? Está faltando renovação ou quem não encontra novidades está olhando para o lugar errado?

Tem muita gente fazendo muita coisa legal. O que falta é o acesso a isso. Acho que falta tocar no rádio, na TV, falta lugar legal pra tocar. O que não falta é som.

05. A mp3 e ferramentas como MySpace e Youtube facilitam a vida do artista de alguma forma ou os grandes beneficiados são mesmo os fãs, com acesso irrestrito a quase tudo?

Facilitam a vida do artista, pois facilitam a troca de informação de uma forma absurda. Eu suo e abuso de todas essas ferramentas.

06. Qual o próximo passo?

Fazer um videoclipe de Cais pra colocar no Youtube, montar um show mais acústico pra fazer em lugares com piano.