Segue como fogo pela mata, nem cabeça nem pé, nem nada. Serpenteia entre a terra e o espaço, abocanhando o caboclo que se ache em seu caminho, em um dia de marasmo, uma noite largado, sozinho, bebendo água na beira de um riacho. Tão pobre, sem força, sem liberdade, corre como nunca correu antes, corre mais do que do sinhozinho. Nem por capanga de espingarda e chicote de verdade tinha descido o rio com tanta velocidade. Enquanto salta mato, galho e tronco derrubado, ouve de pertinho, quase ao seu lado, um ra-ta-tá de coisa queimada que lhe treme as pernas e assombra o espírito. Seu corpo gela, se benze em um salto, mas logo que pula, bem lá no alto, a boitatá aparece e lhe divide em pedaços. Mastiga de tudo, pé, mão, cotovelo. Não joga fora nem o cabelo! Tronco partido. Um abraço.
* microconto publicado no TerrorZine nº6

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[...] mas nunca consegui. Dessa vez o tema foi Folclores, Lendas e Mitos, então não resisti e entrei. O meu microconto se chama Labaredas e é baseado no boitatá, que na verdade é uma cobra, feminino, e não tem [...]
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