Retomando as resenhas musicais, resolvi começar por um nome que tem marcado presença constante no meu twitter. Vira e mexe vejo um fã elogiando Tiago Iorc, com a movimentação mais recente motivada pelo lançamento do clipe de No one there no youtube. Curioso incorrigível, é claro que fui conhecer o trabalho dele. Irmã mais nova também serve para isso. Pelo que senti, seu público principal é a galera mais jovem – mostrando que o cenário musical não anda estagnado como alardeiam de vez em quando – mas com potencial para audiências mais amplas.

Tiago IorcTodo em inglês, Let yourself in chama a atenção pela boa produção e pelo som já direcionado, apontando para horizontes definidos. Parece que funcionou bem o susto de gravar tudo em uma semana pós-sucesso repentino. Uma rápida pesquisa revela que Tiago Iorc já foi trilha de três novelas (inclusive Malhação) e do filme Se eu fosse você 2, tendo uma visibilidade considerável para quem está no primeiro cd.

No mercado americano é muito comum um novo artista se ver atado às fórmulas dos produtores, conseguindo aos poucos a liberdade para arriscar, de acordo com o ritmo do sucesso. Não sei como é a pressão no mercado nacional, mas acredito que haja um processo parecido em grandes gravadoras. Mesmo considerando essas possíveis amarras imaginárias, Let yourself in se sai bem e soa como um cd autoral, apostando em letras mais intimistas e correndo riscos pontuais muito bem-vindos para temperá-lo.

Em uma primeira audição, fica claro o diálogo com o soft rock. Como o estilo é atualmente associado ao clima corta os pulsos de James Blunt, vale dizer que Tiago Iorc vai na direção inversa e explora uma atmosfera mais otimista, mesmo nas baladas, o que é um acerto. Confesso que curti mais a pegada rock de Blame, um dos singles lançados, mas é fácil apontar outros pontos altos. Ticket to ride, releitura dos Beatles, poderia estar facilmente no cd do Peter Cincotti, um dos grandes destaques do jazz contemporâneo americano. No one there também soa redonda, com uma melodia tocante e uma das letras mais bacanas do CD. Uma música que visualizo tranquilamente no mercado do Reino Unido. Outra que tem se repetido no player é It’s not time. No início parece que vai cair na monotonia, mas acha seu caminho entre solinhos climáticos e jogos de segunda voz que devem se potencializar ao vivo.

É claro que Let yourself in não é um cd perfeito (eu já falei que tem uma versão de My Girl?), mas exigir perfeição de um primeiro trabalho eu deixo para os chatos de plantão. O importante é que o cd coleciona mais pontos altos do que baixos e traz embriões de idéias que devem dar bons frutos mais adiante. Certamente um nome para se prestar atenção, tenha você a idade que for.

“They’ll try to fix you up, try to fit you in
Try to make you proud, of what you’ve been
Who’s to say what’s good enough
Or when it’s safe to try?
When truth lies inside
When truth lies inside” – No one there.

Em tempo: além de ter composto todas as músicas originais do cd, Iorc também se arrisca na roteirização e produção de seus videoclipes.