A Coleção VII Demônios, uma criação da editora Estronho, traz livros de literatura especulativa baseados nos 7 pecados capitais. No volume Gula, 13 autores contam suas histórias, explorando de maneiras inusitadas o tema do livro. O conto Ponto de Contato mostra um pouco mais da vida dos lobisomens-guará do livro Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues.
“Ela não sabia. Mentiu novamente. Farejava a presença da morte mais do que elementos da vida. Sabia quando alguém estava para cair duro no chão, ter um infarto. Não é que seu olfato tivesse problemas. Conhecia o cheiro de carne, de sangue. Ficava enjoada com os perfumes baratos dos vizinhos. Sentia a chuva a quilômetros de distância. Entretanto, não era um cão farejador. Não encontraria bombas escondidas em sapatos nem drogas sob as meias. Pequenos resíduos eram silenciosos, mantinham seus segredos trancafiados nas ligações de suas moléculas.”
Versão em espanhol do conto O Cheiro do Suor. El olor del sudor es la historia de un hombre lobo que trabaja para la policía a cambio de su protección, y sin darse cuenta, se encuentra en el médio de una masacre que cambiará su vida, en esta historia que mezcla fantasía y negroliterario en el estilo.
“Sabes que el mundo cambió cuando ves que las ratas ya no se esconden en las alcantarillas. Sienten orgullo de ser ratas, exhiben sus bigotes en las plazas públicas y desfilan seguras en el callejón oscuro, donde los gatos conviven con el lío moral. Me da asco el mundo, cualquiera de ellos. Escucho de noche el ruido de los roedores en las bolsas de basura, en las piernas de los niños, en las tapas de los botes de basura. Hacen lo único que saben hacer: roer. Es su instinto primordial, husmear restos en búsqueda de una nueva desgracia.”
O cheiro do suor foi lançado inicialmente na coletânea Imaginários volume 2, e agora faz parte de uma série de contos individuais lançados diretamente em e-book (Amazon). É nesse conto que Jaques, o lobisomem do romance Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues, faz a sua primeira aparição. Sinopse: Em uma grande metrópole, um lobisomem com um dom especial é obrigado a prestar serviços para a polícia em troca de não ser incomodado. Em uma das missões, ele acaba se metendo em um massacre sem volta, nesse conto que mistura fantasia e literatura noir em grande estilo.
Criada pela Draco, a Coleção Imaginários reúne contos de fantasia, terror e ficção-científica de diferentes gerações da lit. especulativa de língua portuguesa, com participantes do Brasil e de Portugal. Eric Novello co-organizou os volumes 1 e 2.
“As mãos continuam pro alto, é a hora da chantagem. Falam que sabem de mim, do meu passado, presente, futuro e espera aí, um puta de um fardado mandando uma dessas, ou você é polícia ou é cartomante. Não querem saber. E dizem que isso e que aquilo, e o dinheiro é tanto senão me entregam e vou passar os últimos dias no circo do presídio. A vontade é quebrar os ossos, calculo três movimentos para desmontá-los. Gosto do barulho. Sadismo? Bobagem. Nem preciso de muito esforço. Um passo para trás, os olhos castanhos amarelam. Miro o cigarro na mão do magrelo que treme as pernas. Ele larga e sai correndo. O mais gorducho me encara, saca a arma. Sorrio. São tantas pontas nas garras que ele não consegue contar direito. Somem no carro cantando pneu. E eu atrasado novamente para o desemprego”.
Fragmentos do inferno é mais do que um livro de contos. Organizado por Rober Pinheiro e Sumaya Sarran, a nova publicação da Estronho reúne histórias com situações e personagens que se cruzam a todo instante, reforçando a unidade da obra. O nome pode enganar em um primeiro instante, mas o exercício aqui é menos fantástico e mais realista, algo nas fronteiras cada vez mais tênues entre os gêneros. O eixo central do livro é contar o cotidiano de moradores de um edifício que em breve pegará fogo, mudando (ou acabando com) suas vidas. Em Cuspindo Aranhas, Eric Novello narra com humor a história de um estranho colecionador de aranhas, uma paródia ao seu universo de fantasia.
“Por falta de ânimo e de facilidade para determinar um norte, decidi que teria apenas duas certezas na vida e que o resto viria aos atropelos. A mais óbvia a de que eu seria um desses derrotados de cabeça baixa, com um emprego que pagasse mal, uma namorada alcoólatra e uma velha descabelada me cobrando aluguel no fim do mês. Talvez encontrasse minha mãe para uns almoços falidos de fim de semana, quando comentaríamos sobre as manias estranhas do meu falecido pai e do sucesso de minha irmã mais nova no exterior.”
Organizado por M.D. Amado, Em nome de Deus é o terceiro volume da coleção Extraneus, publicação da editora Estronho em parceria com a Literata. A proposta era abordar a sujeira da qual o ser humano é capaz, com a desculpa de que tudo é feito em nome de um deus. Como diz o release: seja qual for o seu deus, já parou para pensar nas atrocidades que são cometidas em SEU nome? Autor convidado, Eric Novello publica O pastor, o segundo conto baseado no universo de Magos Urbanos, com o exorcista Tiago Boanerges investigando, a pedido da polícia, o caso de possessão de um assassino que comete crimes de ódio.
“Sonolento e com os olhos vermelhos, Tiago via a paisagem luminosa passar pela janela do Cruiser negro que atravessava a cidade. Tinha recebido a ligação às duas da manhã, um caso de possessão que precisava de seu diagnóstico como prova a ser apresentada em julgamento. A princípio, não gostava de interferir nos assuntos do governo, o que geralmente era sinônimo de problema, mas a simples menção do nome do possuído fez com que aceitasse a oferta. Talvez tivesse uma oportunidade de matá-lo dentro da cela, antes que os seguranças interferissem.”
Organizado por Rodrigo Rosp, e publicado pela Não Editora, 24 letras por segundo reúne contos que homenageiam grandes diretores de cinema. Eric Novello dirige a história Esqueletos no armário, baseada em uma de suas referências do audiovisual: Bernardo Bertolucci. O release diz que: Adaptações cinematográficas todo mundo já conhece, e a mais recorrente delas é fazer da literatura cinema, o livro que vira filme. Mas o que acontece quando escritores recebem a missão de adaptar filmes ou a obra de um cineasta para a as páginas? É possível fazer o caminho contrário? Eis a missão destes 17 autores: incorporar e traduzir para a linguagem literária um pouco de Tarantino, Spielberg, Almodóvar, Polanski, Woody Allen e muito mais.
“Na quina do quarto, ele insistia. A mão indo e vindo numa velocidade que não correspondia ao seu prazer, mas ao desejo de terminar, de livrar-se do que um dia fora gozo e hoje era obrigação. Temia olhar para trás e para si mesmo, por isso mantinha os olhos cerrados, os lábios contraídos como se assim pudesse acelerar o processo, ludibriar a mente a favor do corpo exausto com a perspectiva do fracasso. Sentiu a mão de sua observadora tocar seu ombro e deslizar cheia de carinho por sua face antes que abandonasse o quarto. Num misto de alívio e sofrimento, apoiou a cabeça na parede e chorou as suas lembranças, chorou pela primeira vez que se sujeitara ao jogo e por não conseguir mantê-lo indefinidamente com a mesma avidez”.
Fantástica Literatira Queer (conto)
Organizada por Cristina Lasaitis e Rober Pinheiro, e publicada pela Editora Tarja, a Fantástica Literatura Queer é a primeira coleção a reunir contos de fantasia, terror e ficção-científica com temática GLBT. “Queers são eles, somos nós, somos todos – conjugado assim mesmo, no coletivo, pois nossas diferenças não importam realmente. E do mesmo modo como a vivência de gays, lésbicas e transexuais não cabe em um gueto, A Fantástica Literatura Queer não cabe em um rótulo. É escancarada, livre”, diz o release.
Eric Novello participa com o conto Sonhos e refúgios, o primeiro de uma série baseada no universo de seu romance Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues.
“Me pediram para discursar hoje sobre a relação dos magos com o mundo dos sonhos. Sugeriram que eu não falasse de sexo porque os gays são associados a uma imagem promíscua e eventos como esse devem ser aproveitados para mostrar que somos pessoas comuns. Vocês imaginam uma palestra sobre magos na qual não se fala de magia? Também não consigo imaginar uma palestra sobre diversidade sexual onde não se fala de sexo, exatamente porque somos pessoas comuns e estas, a meu ver, fazem sexo, independente de sua orientação. Além do mais, sou um mago que não se esconde do mundo. Se ser promíscuo é viver sentimentos ao máximo, querer fazer parte da vida das pessoas e que elas façam parte da minha, se apaixonar mil vezes ao dia e ainda achar pouco, bem, então é um mago promíscuo que falará a vocês essa noite sobre sonhos, mas também sobre sexo e amor em uma de suas diversas formas.”
Organizada por Gerson Lodi-Riberio e Luis Felipe Silva, e publicada pela Editora Draco, a coletânea Vaporpunk – relatos steampunk publicados sob as ordens de suas majestades reúne nomes de peso da literatura especulativa do Brasil e de Portugal, explorando um gênero cada vez mais popular mundialmente: o steampunk. Aqui, os organizadores se concentram em seu caráter de história alternativa, convidando o leitor a descobrir o que Brasil e Portugal poderiam ter sido com um passado de descobertas tecnológicas.
Eric Novello participa com o conto O dia da besta. Nele, a polícia de elite de D. Pedro II precisa investigar o ataque de uma criatura desconhecida à zona portuária, e tudo começa em um laboratório de pesquisa no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Para desvendar o mistério sherlockiano, os protagonistas precisarão da ajuda de Princesa Isabel, a primeira aviadora do Brasil.
“Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A mata densa e os ruídos noturnos alimentavam a imaginação dos soldados, já abalados pelo dia incomum. Há tempos os jardins não reuniam tantos homens de pernas bambas. Nenhum deles sabia ao certo o que a Guarda Imperial havia levado para o laboratório, e a maioria torcia para não ter que descobrir, rezando por um final de turno tranqüilo. As diversas histórias que corriam na cidade tinham em comum somente o teor de absurdo. Cada soldado, escravo ou comerciante mudava detalhes de modo a espelhar seus próprios temores. Estamos em guerra, uma guerra como nenhuma outra. Fomos atacados por criaturas de outro mundo, tão afastados que estamos da santa igreja. Só pode ser coisa da Argentina, uma nova tramóia daqueles invejosos. O que os bruxos uruguaios evocaram dessa vez? O medo exalava como o aroma das especiarias. O calor do alto verão não cedia há mais de um mês. Canelas, cravos e alecrins tão agradáveis separadamente enjoavam os homens já sem forças, o suor pingando-lhes da testa. A nota criativa dos pasquins de que os temperos disfarçavam o cheiro dos experimentos conduzidos no Centro de Pesquisa Pedro de Alcântara ganhara de repente uma estranha veracidade”.
Publicada pela Editora Tarja, a Coleção Paradigmas reúne contos de ficção-científica, fantasia e terror da nova geração de autores nacionais. Eric participa do volume 1 com o conto Fogo de Artifício, sua estréia no gênero da Fantasia Urbana. A história apresenta Ícaro Pagani, mago e detetive particular que trabalha para o BEAST – Batalhão Especial de Assuntos Sobrenaturais. Pagani é chamado em plena madrugada para investigar mais um de uma série de assassinatos em lojas de brinquedos. Os suspeitos: versões macabras dos personagens de Alice no País das Maravilhas. Você nunca mais verá Alice, o Chapeleiro Louco, o gato Cheshire e o Coelho Apressado da mesma maneira.
“Quando cheguei ao endereço da explosão, já passava de uma da manhã. As viaturas protegiam o local, piorando ainda mais o trânsito caótico da cidade, se é que isso era possível. Agentes e policiais dividiam-se entre ocupados e atônitos, uma grande interrogação pairando sobre suas cabeças e os olhos atentos à minha chegada. (…) Mais um ataque em série para os programas sensacionalistas. Manchetes sangrentas alavancando as vendas dos jornais e dos livros de Lewis Carroll”.
Necrópole: Histórias de Bruxaria (conto)
Convidado a participar de uma série clássica de terror contemporâneo, Eric é colaborador da coletânea Histórias de Bruxaria, dos mesmos autores de Necrópole. Eles já haviam lançado Histórias de Vampiros e Histórias de Fantasmas quando resolveram publicar mais uma obra para fechar essa trilogia de sucesso da editora Alaúde.
Eric participa com o conto De Fumaça e Sombras, uma história policial noir usando magos. E se a magia fizesse parte de nossa sociedade de maneira natural, permeando cultura, política e entretenimento? É esse o clima. Feitiços à parte, é essencialmente um conto sobre confiança e traição entre amigos.
“No grupo eu também tinha pontas de inveja. Liana manipulava matéria luminosa como ninguém, sabia encantar nos pequenos detalhes. Ela estava a léguas da nossa capacidade. Toda vez que se aproximava dos limites, mesmo havendo brilho em seus olhos, eu sentia um aperto no coração por nós dois. Apesar de criar grandes esferas de luz, Liana continua a me seduzir com os truques mais simples (…)”.







