Quando a gente olha para o resultado alheio sempre tem aquela de impressão de “uau, de onde saiu isso?” Quem faz, quem batalha, sabe que as coisas demoram. Que não existe esse “surgiu do nada”, a não ser que você vá para a cama com a pessoa certa. Antes de ver a luz, os trabalhos – sejam textos, músicas, roteiros ou projetos em geral – sobrevivem em uma zona cinzenta, nebulosa, uma espécie de limbo das idéias. Pelo menos os meus costumam habitar esse limbo particular por um tempo.

Tem projetos que foram feitos para sobreviver na gaveta, servir de matéria-prima aos que ainda virão. Mas como dizia, na criação não existe geração espontânea.

O livro que trabalho agora é uma celebração pessoal de tudo que já criei, conhecido ou não do público. Traz brincadeiras com nomes, com cenários e idéias que recirculam no meu limbo pessoal puxando meu pé quando passo por lá, me perguntando se um dia não verão a luz do dia.

Quem teve a oportunidade de comprar a coletânea Paradigmas vol1 conheceu no conto Fogo de Artifício o protagonista do romance em preparo.
Ícaro Pagani é uma referência ao Ícaro da série A Sombra no Sol, publicado aqui no blog. Sua parceira na polícia se chama Lívia, personagem importante do meu livro Histórias da Noite Carioca. Um dos grupos de magia, que batizei de Círculos, se refere a Anúbis, pois há uma ligação com o universo de Dante, o guardião da morte, meu primeiro livro publicado. Um cenário importante do conto é o Neon Azul, um bar onde Ícaro Pagani consegue sair do plano físico (depois de beber um drinque, coma-me, beba-me). Néon Azul é nome de um livro inédito meu. Um livro de contos com pegada policial, ligeiramente descolado da realidade, que se não achar casa em breve irá me representar em concursos literários.

Por fim, um detalhe que parece ter dado certo com os leitores foi a utilização dos personagens de Alice. Sim, sim, eles estão no romance também, com muito mais destaque. E era aí que queria chegar. Em meados de 2006, escrevi minha primeira versão de Alice no país das maravilhas. Alice vivia aqui, uma menina comum, e ao experimentar uma droga começa a ver seu mundo se transformar no País das Maravilhas. É um livro cheio de simbolismo que, ao contrário do Néon, deve ficar na cabeça dos leitores beta somente, porque não devo publicá-lo jamais. rs.

Por isso, por somar esse monte de pontas, por ser meu primeiro romance de Fantasia Urbana (gênero que, se tudo correr bem, vocês conhecerão em breve em um seriado para a Web em 12 episódios), tenho um carinho muito grande pelo livro batizado temporariamente de Magos Urbanos. Essa dedicação de tirar o sono também me tirou do twitter, do facebook, do msn, e pode tirar de mais um lugar ou outro.
Mas o resultado valerá a pena. Prometo. Eu que falo tanto de gêneros, digo aqui que é um livro que não os respeita. Tem elementos óbvios de fantasia contemporânea, tem cenas policialescas, tem detalhes de far future, pegada de terror, minhas tiradas típicas de humor, cenas de ação e outras de literatura mais depurada. Uma salada no capricho, fruto de tudo que li e escrevi ao longo dos anos.

Se será publicado? Por editora não sei dizer. Negociarei dentro do possível, usarei as cartas que tenho na mão. Confio no meu trabalho. Mas se não rolar, nada de gaveta, nada de ficar no limbo. Um e-book caprichado é o mínimo que o Magos Urbanos receberá. A ansiedade é grande, mas ainda tenho 6 meses de trabalho pela frente. Então, no momento, só tenho a agradever. Obrigado aos amigos pela ansiedade conjunta, obrigado aos inimigos pela curiosidade mórbida. Quem viver verá.

No post de amanhã sexta publico uma das poesias maluquinhas que faziam parte da minha primeira versão de Alice, batizada de Alice: Uma Viagem Lisérgica. Direto do baú.