Faz um tempinho eu estava comentando que quando você escreve um livro de fantasia urbana, a primeira grande decisão é: o cidadão comum saberá da existência da magia ou ela será revelada apenas aos iniciados?A opção A já comentei aqui. Ela é utilizada por um grande nome da Fantasia Urbana, o Jim Butcher, ou da Fantasia Noir, já que ele bebeu da fonte do personagem mago-detetive para criar suas histórias. A opção B é: magia não é um segredo, ela faz parte da sociedade e todo mundo sabe dela. Foi isso que escolhi para o meu livro que, por enquanto, se chama Magos Urbanos.

No meu universo, todos sabem que a magia existe, ela está enraizada na sociedade desde que o mundo é mundo, mas ainda não é cem por cento aceita. É uma manobra simples, mas de consequencias interessantes. Imagine o nosso mundo real. Foi? Agora tire a religião e coloque a magia no lugar. Existem todas as diferenças, preconceitos, jogos de poder, mas é a magia que comanda. Nem todos são magos, do mesmo modo que nem todos são médicos. Você pode ver um mago andando na rua, na Avenida Paulista, na Avenida Brasil. Perco nisso o sabor do “escondido”, de ter que resolver um problema sem a população e a polícia verem o que está acontecendo. Por outro lado, ganho a reação das pessoas diante do diferente, ganho cenários abertos para quebrar o cotidiano e a rotina dando novos sabores.

Escolhi essa questão para começar o debate porque tem bastante gente acordando para a fantasia urbana (e, espero eu, muitos livros apareçam por aí), e acredito que a resposta funcione como espinha dorsal. No próximo post comento o que criei a partir disso. A união de agências e instituições reais com o twist da magia.

Só para não deixar no preto no branco, um exemplo que fica no meio termo:

Se você vê True Blood ou leu os livros da Charlaine Harris já traduzidos, sabe que ela brinca um pouco com as consequências da revelação. Os vampiros se revelaram para a humanidade, e agora? Não sei como farão no seriado, mas na série literária, do terceiro livro em diante, os Metamorfos e as Bruxas ganham bastante espaço, deixando os vampiros mais apagados, e passam por essa decisão também. Vamos nos revelar como os vampiros fizeram? Pensa só. Os metamorfos testemunham ali, todos os dias, o preconceito que os vampiros sofrem. Quando os vampiros não estão presentes e os humanos falam mal, os metamorfos estão lá no meio escutando. É uma outra etapa de revelação. Se mostrar para a humanidade sabendo o que virá pela frente.

Pegar esse recorte, o momento da revelação, poderia ser considerado uma opção C.  Só acho válida se você for brincar com as sutilezas dessa transformação de valores. Se não, A ou B já são um bom começo. Mais do que seguro, um terreno fértil, eu garanto.