Aguardado com muita ansiedade nas meias paredes do escritório (sorry, mas temos um viveiro aberto numa delas, bem no centro de São Paulo), Nada a dizer finalmente chegou às livrarias. A crítica e os jornais sempre deram atenção aos livros de Elvira Vigna, mas acho que esse terá um bônus por tratar de um tema popular desde sempre – a traição – de uma forma inteligente, com todas as camadas de tinta peculiares ao seu trabalho.
Para começar a divulgação, a autora gravou um vídeo em que passa a sua visão sobre o tema. Todo mundo que comentou ganhou suas duas linhas logo abaixo do vídeo, numa lista bem engraçadinha. Numa nova etapa, quem ler o livro e enviar o seu comentário para a autora ganha um exemplar de A um passo, que é um livro vanguardista em que a história é contada não só pela autora, mas também pelo leitor durante a leitura. Só lendo para entender o que você estava perdendo por não conhecê-lo. Aproveite essa chance 2 em 1 e comente o Nada a Dizer.
Release – Em ‘Nada a dizer’, Elvira Vigna transfigura o registro dos relatos confessionais para fazer um balanço do amor e do erotismo num mundo de relações afetivas fragmentárias e movediças. O livro apresenta a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída. No entanto, mais do que o inventário de perdas e danos em que costuma consistir esse tipo de relato, o que se encontra aqui é uma investigação das motivações de cada um dos envolvidos, bem como uma discussão indireta das possibilidades de entendimento amoroso no mundo urbano contemporâneo. Paulo e a mulher-narradora, cujo nome não é revelado, formam um casal de alternativos de meia-idade, experimentados nas revoluções políticas e comportamentais dos anos 1960, mas que parecem não ser capazes de lidar com questões como a fragmentação de identidades ou o pensamento cínico de um novo e vitorioso meio social. Os laços que os unem são abalados pela entrada em cena de uma amante vinte anos mais jovem e de perfil executivo, que tanto um quanto o outro não hesitariam, na juventude, em chamar de ‘burguês’. A instabilidade marca a trajetória dos personagens. No início da narrativa, o casal de protagonistas acaba de se mudar para São Paulo. As caixas e malas espalhadas aleatoriamente pela casa são o signo de uma desordem interior muito mais profunda. Não por acaso, grande parte dos acontecimentos narrados ocorre em trânsito – na rua, em aeroportos, cafés, hotéis de alta rotatividade – e as conversas cruciais se dão no espaço fluido dos e-mails, chats on-line e mensagens de celular.
Trecho do primeiro capítulo:
“No dia 16 de novembro, Paulo abriu os olhos e voltou-se para a nesga de luz que passava pelas duas cortinas – a mais pesada, de um plástico cinza, e a mais leve, de um tecido branco transparente que ficava por cima da outra. Permaneceu assim por alguns momentos, antes de iniciar o preparo para que o resto todo de seu corpo pudesse acompanhar os olhos e sair do quarto escuro, pequeno e já cheio de ruídos: alguém que ligava a televisão no quarto ao lado; o carrinho da arrumadeira, ameaçador, no hall; o tlim do elevador. Primeiro, fez uma inspeção mental básica no estômago e boca. Não, nenhum vestígio do mal-estar da noite anterior, em que depois de comer um X-tudo no bar da esquina, vomitou e cagou a alma. E ao falar para si mesmo essa frase, poderia ter achado engraçado: a alma. Seria oportuno, rá, rá, se livrar da alma na véspera. Mas Paulo não era uma pessoa de muitas reflexões. Isso normalmente. Naquela hora, então, é que não havia de fato lugar para elas. Depois do estômago foi a vez do joelho e, nesse, a inspeção não poderia ser apenas mental. Então Paulo esticou a perna, dobrou e tornou a esticar. Nada de muito ruim. A dor nas costas, com a hérnia de disco, estava como sempre ao acordar: existente. Mas, no decorrer do dia, com os movimentos, tendia a se estabilizar. E, depois disso, como se já se sentisse cansado – e o motivo do cansaço seria, então, o fato de ter joelhos, estômago e costas -, ainda ficou, os olhos agora mirando a escuridão, a ouvir o tique-taque do relógio grande, feio, da mesinha de cabeceira. Ficou ouvindo o tique e o taque e o tique e o taque, em sua previsibilidade, enquanto dava um tempo para que a arritmia se manifestasse. Era o único sintoma de sua cardiopatia, para a qual tomava quilos de remédios cotidianamente.
O dia começava.
Depois, já andando na praia em direção ao Posto Seis, seu corpo e seus mais de sessenta anos ficaram esquecidos. Andar sozinho por cidades desconhecidas era sempre um imenso prazer. Andar de ônibus ou de carro por estradas que o levassem a lugares desconhecidos, mais ainda. O Rio de Janeiro não era desconhecido até bem pouco tempo. Tinha ficado. Saíra de lá, com toda a família, não fazia um mês. Mas se a cidade continuava a mesma, ele já era outro. E entre seus pés e as calçadas, agora surgia uma distância alegre de quem não tem mais nada a ver com aquilo.”
Como hoje em dia tem zé ruela para tudo, até para dizer que eu invento notícia, fica aqui o link para a versão internética do texto no Estadão, e a reportagem que saiu em papel.

E aí Eric blz?
Achei o seu site muito bom.
Tomei a liberdade e add ele no meu blog.
Também sou escritor, já nos conhecemos, mas não sei se lembra de mim, nas correrias de lançamentos fica dificil lembrar de todo mundo!!!
Abraços
Elviraaaaaaaaaaaaaaa… Parabénsssssss por mais esse sucesso, porque sim, é um sucesso já ¬¬ Fui a livraria e fiquei feliz e revoltada ao mesmo tempo, feliz porque sabia que havia passado alguns livros por ali e não tinha mais; e revoltada porque o ultimo uma mulher “na minha frente” estava comprando enquanto a vendedora (coitada, eu sempre faço isso, preciso parar) tinha saído do seu atendimento para ver se aquele registrado no sistema estava no estoque e não na estante, só para me vender, sem sucesso, obvio.
Mas tudo bem, já falei pro CE que ele vai ter que me dar uma mãozinha nisso…rsss.
Falando nisso.. CE!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Diminui minha pilhaaaaa…
OK. já sei seus pensamentos (convencida) vou sair daqui e ir ler…
Beijos para todos ^^
Ainda não li,mas estou curiosa.A conheci pessoalmente e a achei incrível.Culta, inteligentíssima, alguém que tem tudo a dizer.Beijos mordidos!