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Participação no Fantasticon 2010

O Fantasticom 2010 ganhou mais um dia de duração. Quem vem para a palestra de abertura é Moacyr Scliar, falando do “Fantástico na literatura brasileira”, para já começar em grande estilo.

No sábado, acontece a mais do que tradicional mesa de editores “O mercado editorial de literatura fantástica no Brasil”, com a presença de Devir, Aleph, Draco, Giz, DCL e Tarja. Em seguida, uma mesa que tem tudo para ecoar no restante do ano: O fantástico e a literatura mainstream. Nomes como Felipe Pena, Nelson de Oliveira, Jeanette Rozsa, Ademir Assunção e Luiz Roberto Guedes discutem o tema que é o hotspot do momento.

Sem intervalos comerciais, acontece a comemoração do Projeto Portal, de Nelson de Oliveira, que tem ajudado a apresentar nomes da literatura especulativa à literatura do cotidiano e vice-versa. Paralelamente, como não poderia deixar de ser, os vampiros assumem o palco com “Vozes Femininas na Literatura de Vampiro”, com a presença das autoras que fazem acontecer na literatura vampiresca e, obviamente, muitos fãs. Fechando o dia, Bráulio Tavares dá a palestra “O fantástico em Guimarães Rosa”, e Bráulio é sempre imperdível. Parece muito? Mas ainda tem o domingo! E é lá que eu estou.

De manhã tem palestra com Gerson Lodi-Ribeiro sobre História Alternativa. O Gerson é simplesmente genial, um dos autores e editores da coletânea Vaporpunk. Em seguida, o Fantasticon entra na discussão de plataformas multimídia e junta Eduardo Sphor – autor de A Batalha do Apocalipse, best-seller antes de ter editora graças ao nerdcast e atualmente na lista dos mais vendidos da Época; Christopher Kastensmidt – diretor de criação da Ubisoft; Luiz Ehlers – editor da revista Fantástica; Tiago Castro – idealizador do Universo Insônia.

15h30 – Bate-papo: “PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O GÊNERO FANTASIA NO BRASIL” – É desse que eu participo.

“Será possível para o autor brasileiro escrever contos ou romances do gênero Fantasia, no qual se misturam elementos fantásticos como elfos, anões, magos, criaturas mitológicas etc. com ambientações histórias e contemporâneas? Como trabalhar nossos mitos nacionais (curupira, saci etc.) para criar uma fantasia com genética brasileira?”

Me juntarei a Douglas MCT – roteirista de quadrinhos e contista, lança seu primeiro romance, Necrópolis, ainda esse ano;  Walter Tierno – ilustrador, jornalista e publicitário, está lançando Cira e o Velho; e Raphael Draccon – roteirista premiado, publica por uma das maiores potências literárias mundiais, a LeYa, ele é o autor da trilogia Dragões de Éter.

Fechando com chave de ouro, o professor Flávio Garcia apresenta a palestra “O realismo mágico de Murilo Rubião”, que chegou enfim ao Fantasticon, ocupando um espaço mais do que merecido.

 

Para conferir a programação completa, dias e horários, visite o site oficial do Fantasticon.

 

Autolove

Ai ai, esses projetos que andam e desandam na mesma intensidade e me deixam com os cabelos cada dia mais brancos. Cada segunda-feira uma mudança de maré para o meu veleiro. Ainda bem que não desconto a ansiedade em cima de comida, senão estaria inflado, amarrado pelo pé em uma das torres da Avenida Paulista. Acho que para espairecer, tinha entrado em um clima Alzheimer, me lembrando de várias coisas do passado. Momentos engraçados, cenários bucólicos, beira de praia, risada entre amigos. Aí apareceram alguns fantasmas em carne e osso e eu despertei do transe, back to reality, que quem gosta de passado é múmia deflorada.

Agosto será Hell on Earth para mim, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Especificamente na literatura, será um mês agitado. Teremos Bienal de SP, Invisibilidades no Itaú Cultural e o Fantasticon. A querida Nazarethe Fonseca estará aqui em casa, com uma correntinha no tornozelo presa ao pé da cama, sendo liberada para encontros esporádicos com os fãs. Para quem tem perguntado, só irei à Bienal dar um abraço nos amigos. O lançamento do Neon Azul acontece mesmo é no Fantasticon.

Hoje a programação foi liberada e o Silvio Alexandre, organizador, confirmou minha participação em uma mesa sobre fantasia, no domingo. Falo dela amanhã em um post mais organizado. Fora essa brincadeira, comecei um novo site que anuncio aqui em breve. Estou preparando um pacotão de conteúdo steampunk para ele, em homenagem ao mais novo membro da família, a coletânea Vaporpunk. A capa foi liberada no Cidade Phantástica com o devido buzz, porque ela merece mesmo.

Selva Brasil, de Roberto de Sousa Causo

*resenha publicada anteriormente no Aguarrás.

De modo geral, não me identifico com histórias de guerra. Procuro passar longe de filmes do gênero, inclusive os clássicos, e perco aí parte da bagagem que deveria ter como roteirista, Apocalypse Now ocupando a ilustre cadeira de exceção à regra por ser uma aula indispensável de cinema. Talvez utilize esse filtro instintivo pelo fato de a guerra ser real demais para se acomodar com harmonia em meus pensamentos. Informação demais para alguém de sonhos intranquilos como eu. A guerra está sempre lá, acontecendo. Ela habita o passado, preenche o presente dos jornais, incomoda em uma falsa iminência no futuro.

Apesar dessa resistência natural, dois livros de guerra vieram parar em minhas mãos recentemente: The Age of Ra e Selva Brasil. O primeiro mistura mitologia egípcia e ambientes militares. Achei que ia encontrar uma pegada maior de fantasia e encontrei a narrativa tradicional de guerra, com diálogos bem capengas para alguém com o currículo de James Lovegrove. Voltou para o final da lista. O segundo é uma história alternativa de Roberto de Sousa Causo, um dos mais conhecidos autores de ficção-científica brasileira. Efeito contrário ao Age of Ra, esse não consegui parar de ler.

Citando a orelha do livro, Selva Brasil acompanha um grupo de soldados em direção a um ponto desconhecido do Amapá, fronteira com a Guiana Francesa, onde deverão substituir outra unidade do exército brasileiro. Esse grupo, entretanto, se depara com desertores e um experimento que não entendem muito bem, mas parece indicar a existência de uma realidade paralela, um Brasil bem diferente do deles, que talvez seja parecido com o nosso.

O Brasil do livro de Causo é um país marginal, inimigo das grandes potências, quase uma Colômbia, e vive um
embargo similar ao de Cuba. Nesse Brasil, Jânio Quadros tentou invadir as Guianas e apoiou a Argentina na invasão às Ilhas Malvinas. Estados Unidos, França e Inglaterra enxotaram todo mundo e aproveitaram para tomar parte da Amazônia. Desde então, as potências enfrentam a coalizão latino-americana e alimentam conflitos na região para tentar invadir nosso país de vez.

Mas a graça toda de Selva Brasil é que, apesar da pesquisa que dá base ao livro, o que move a história é o drama do protagonista, sempre narrando diretamente para o leitor, como se estivesse gravando uma mensagem que, lá no final, vamos descobrir a quem é direcionada. Roberto de Souza Causo, o personagem, fala de sua vida pessoal ou do que é tentar ter uma vida pessoal em um país sufocado pela guerra. É um cara que tem lá suas frustrações e tenta achar um motivo para seguir em frente. A ambientação é eficiente e prende a atenção logo no começo, mas o elemento mágico é realmente o protagonista. Causo trabalhou de forma minuciosa as palavras, definiu um jeitão de falar bem peculiar – indo além do uso das gírias e jargões militares – que torna o personagem verossímil, e nisso a ficção é captada como um depoimento sincero. Fruição a serviço da história. Para o leitor e para o livro, pouco importa qual o experimento secreto conduzido no meio da floresta. O que está em jogo é a transformação do Causo personagem em um ambiente opressor onde pensar demais ou de menos pode significar a morte.

De bônus, ficou um gostinho similar ao que senti lendo Kaori, de Giulia Moon, de que somente Causo autor poderia ter escrito Selva Brasil, mais ninguém. Entra fácil para a lista de melhores que li esse ano. Estava me devendo há tempos ler uma narrativa longa do autor, pelo visto comecei pelo livro certo.

Vaporpunk

Só para lembrar, no mesmo fim de semana do lançamento do Neon Azul, sai também a coletânea Vaporpunk, da editora Draco, um livro de steampunk centrado no caráter de história alternativa desse subgênero. Eu participo com o conto O dia da besta, que se passa na época de D. Pedro II e mostra uma dupla de investigadores no melhor estilo Sherlock. Princesa Isabel kicking asses, aviões, cavalos movidos a vapor, armas giratórias e um metamorfo bem diferente são alguns dos ingredientes do conto. Estarei na companhia de gente de peso como os brasileiros Carlos Orsi Martinho, Octavio Aragão, Gerson Lodi-Ribeiro e Flávio Medeiros (aka Garfield), e os portugueses João Ventura, Jorge Candeias e Yves Robert. A capa será divulgada em breve.

Espero em setembro poder contar mais duas novidades literárias para vocês.

Entrevista com Rodrigo del Arc

* entrevista publicada anteriormente no Aguarrás.

01. Você comentou no último pocket show que trabalhava de manhã, estava ocupado a tarde e só de noite conseguia parar para compor. Como foi o processo? Você criou um cantinho à parte de tudo para trabalhar suas músicas ou a adrenalina do dia ajudava de alguma forma?

Em 2007, quando estava compondo o disco que viria a ser o “A KIND OF BOSSA”, a minha vida estava virada de ponta-cabeça. Tinha perdido meu pai inesperadamente e tive que arrumar um trabalho fixo rápido para poder ajudar em casa. Não foi nada fácil, e realmente trabalhei demais naquele ano, incluindo folgas e feriados em que eu arrumava uns comerciais de TV para fazer. Lembro que no ano não trabalhei apenas 7 dias, sendo que em um destes dias eu fiquei bastante doente. Foi uma situação nada agradável para mim, pois, além de tudo, eu queria dedicar todo o meu tempo para a música e não podia. O tempo livre que sobrava para a música era quase sempre no período da noite.

Eu, na verdade, acho difícil separar um cantinho à parte do dia para compor, porque na maioria das vezes as ideias vem quando paro um minuto para descansar. Então foram incontáveis madrugadas em que eu ficava acordado junto com os meus parceiros, Edu e Nick, para compor, arranjar e produzir as músicas. Quando a inspiração não vinha, a gente dava uma volta no centrão de São Paulo. A gente falava de arte, conversava, tomava um café (e quantos cafés a gente tomou!), muitas idéias surgiam assim, no meio de uma conversa, daí a gente pegava o violão e corria para o computador para gravar tudo!

02. E como foi encontrar brasilidade nessa mistura de sonoridades que é o A Kind of Bossa? Você sentou já sabendo o que queria fazer ou foi definindo o som aos poucos?

A sonoridade do disco foi se definindo aos poucos, não estava preocupado em ficar preso a um único estilo, ou a “estilo” algum. Acho que a brasilidade vem das minhas influências e dos ritmos brasileiros que me fascinam. O Brasil tá no swing e na “malandragem”, no bom sentido da palavra, é claro. No começo até estranhava algumas misturas, depois fui acostumando e acreditando cada vez mais no que estava fazendo. Isso foi se definindo pela emoção, o termômetro era o simples fato de eu estar curtindo ou não. Acho que música pode ser feita assim; a sua emoção é o que determina o que vai ficar e o que não vai ficar numa música.

03. Ouvi da minha irmã no Rio a máxima que “Ao vivo o Del Arc faz todo o sentido”. Aqui em São Paulo tive uma impressão parecida, de que o som do cd, os vídeos no youtube, as tuitadas com os fãs, tudo isso se soma num crescente ao vivo, numa energia diferente. Como você vê essa relação do som do artista apresentado no cd e do som feito ao vivo?

Eu realmente me emociono muito cantando. Quando estou no palco, quando eu canto, eu estou tentando dizer alguma coisa, quero passar uma mensagem e sentir cada palavra da letra. Quero estar integrado na música, junto com ela, vivendo ela.

No CD “A Kind of Bossa”, procurei deixar tudo do melhor jeito possível para que todos os elementos na gravação conversassem entre si, que fizessem um sentido. Junto com os meus produtores Nick Gutierrez e Edu Maranhão, sem pressa, cuidamos dos mínimos detalhes, até por isso trabalhamos por quase 2 anos até finalizar o disco. Esse tempo é muito especial e precioso, um privilégio. Agora, por mais que o CD seja feito com muito carinho e cuidado com os detalhes, nada se compara com a emoção de viver as musicas ao vivo. No show, eu consigo olhar para a plateia e sentir a reação das pessoas. As energias se somam com as de quem está assistindo, a interação é maior. O mais legal de um show é que um nunca será igual ao outro.

04. Tem conseguido abertura que esperava? Ou o fato de cantar em inglês exige uma etapa extra de convencimento das pessoas?

Acredito que estou tendo uma abertura até maior do que esperava, principalmente no Brasil. Às vezes o inglês exige sim uma etapa extra. As pessoas precisam sentir mais do que nunca as palavras. Eu vejo isso como um incentivo para me entregar cada vez mais.

05. Fale um pouquinho do contrato no Japão. Quais são as expectativas em torno?

Fui muito bem recebido no Japão, e estou sendo bem divulgado pelo mesmo selo que trabalha com Milton Nascimento, Seu Jorge, entre outros grandes nomes da MPB. Graças a essa boa exposição, chamei a atenção de outro selo forte na Coréia do Sul. Vou lançar o disco por lá também entre abril e maio com 3 faixas extras: uma releitura do clássico “The Look Of Love”, do grande compositor Burt Bacharach (letra de Hal David), e duas versões da faixa 5 – “Trip”, remixadas pelo YUBABA que é uma dupla mineira de DJs que está crescendo cada vez mais no cenário eletrônico internacional. Estamos na expectativa de ficar mais conhecido por lá, e futuramente levar o nosso show para a Ásia toda, representar o Brasil e a nossa música. Acho que muitas coisas boas devem acontecer este ano por lá.

06. Como você usa ferramentas como Mypsace e mídias sociais para divulgar o seu trabalho? Elas realmente fazem a diferença?

As mídias sociais, como o MySpace, já são ferramentas básicas para o artista de hoje. Eu quero ficar perto dos meus ouvintes, e as pessoas também querem ficar cada vez mais próximas dos artistas. Ninguém quer mais aquele artista enlatado que só se via na televisão. As pessoas querem mais interatividade, querem participar da carreira, querem fazer parte. E de fato, fazem parte. A conexão que existe entre o público e artista hoje é muito mais próxima do que era há 15 anos. Graças à internet esse contato ficou direto, e eu quero ficar por dentro de tudo isso.

07. Para fechar, que música você sugere como primeiro passo para quem quer conhecer o seu trabalho? Por quê?

Pergunta difícil para mim… Acho que os sambas “Slip Into Precision” e “The Question Song”. A primeira porque ela abre o disco com uma mensagem: “As coisas boas e as coisas ruins da vida são passageiras; viva seus sonhos hoje e acredite no amanhã”. A segunda porque ela aponta o dedo pra você e te diz: “Se você fugir dos seus sonhos hoje, amanhã eles voltam para te pegar”. Não adianta ter medo e fugir, seus sonhos são o que você é.

WE SHINE INSIDE THE LIGHT

Na gráfica!

Ô frase boa. Faz tempo que eu não falava isso: meu livro novo foi para a gráfica. Aê! Como o prazo era hoje de manhã, fiquei ontem até meia-noite mexendo nele com o editor, criando umas brincadeiras novas. Podem me chamar de compulsivo ou de maluco mesmo, mas é que o Neon Azul exigia uma atenção extra por não ser uma narrativa linear e de vez em quando colocar a dimensão tempo em segundo plano, privilegiando os personagens, que sempre serão o centro do meu processo criativo.

Os leitores mais doidos do que eu podem até ler os capítulos em uma ordem aleatória, mudando o momento das revelações do livro. Acho isso bem bacana. Eu escolhi a ordem que será impressa com o objetivo de conduzir o leitor por um passeio dentro do Neon Azul. Como assim? Eu explico.

Você começa conhecendo o ponto de vista de um personagem que está sempre na porta. Depois, entra no Neon e conhece o primeiro andar, sobe para o mezanino e vai investigando cada canto, cada história e detalhe sombrio, até que você deixa o Neon Azul junto com dois dos personagens que eu mais gosto e vai para a casa de um deles, para o quarto mais especificamente ;) e volta para o conforto da sua consciência. Um belo programa turístico na minha mente conturbada. Mas, nada impede que o leitor sacuda tudo e decida ler de trás pra frente, por que não?

Como eu disse, o mais importante ali são os personagens, os dramas de cada um, o que eles precisam enfrentar para conseguir o que eles querem. Alguns precisarão literalmente tacar fogo no passado, outros matar a família (e ir ao cinema?), um deles terá que assinar um papel, aquele mesmo que você está pensando. Torço para que o leitor curta o meu parque de diversões e que goste mais ainda das companhias. Depois da leitura, teremos muito o que debater.

Sempre lembrando, não tenho nenhuma ilusão de perfeição. Aliás, acho que um livro perfeito seria um livro chato, e o que eu gosto mesmo é de me arriscar, de expandir meus horizontes e os do leitor. Tenho certeza que muitos leitores verão coisas no livro que eu não vi, dividirão interpretações que serão melhores do que as minhas, porque é para isso que um livro existe, para ser uma viagem particular, sem regras, sem limites. É um mundo dentro do reflexo do espelho de outro espelho de outro espelho. É um mundo também dentro de um sonho, de uma viagem louca de LSD, ou uma realidade árida, causticante, cheia de lunáticos religiosos e figurões do crime. O Neon Azul tem isso tudo dentro dele. Ou não. Depende do dia, depende da dose. Vocês, eu, a gente descobre dia 28 de agosto lá no Fantasticon.

Neon Azul, de Eric Novello

* post fixo e mutante – acompanhe as atualizações do blog logo abaixo.

Pontos de venda do Neon Azul: Você encontra o livro na Livraria Cultura,  na Livraria Saraiva, na livraria Moonshadow, na Siciliano e na Livraria da Travessa.

Fantasticon (SP) – Estarei lá autografando o livro nos dias 28 e 29 de agosto. Participo também de uma palestra sobre literatura de fantasia no Brasil no domingo, 15h30.

Leia na página oficial do Neon Azul o release e trechos dos capítulos 1, 2, 3 e 4.

Você sabia que o Neon Azul ganhou um mascote? Um cramulhão na garrafa que em breve aparecerá por aqui.

Cyber Brasiliana, de Richard Diegues

Dia 22 de julho rola o lançamento de Cyber Brasiliana, primeiro romance de ficção-científica do Richard Diegues, um livro pós-cyber. Nele o leitor se depara com uma Realidade Alternativa, que se desenvolve em um universo Pós-cyber, no qual os países do eixo-norte do globo se encontram em decadência, confrontados pelas três grandes potências surgidas no eixo-sul: a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova. A qualidade de vida abaixo da linha do equador assume ares de utopia, enquanto no outro hemisfério as corporações lutam pelo controle dos espólios dos antigos países. Nesse cenário, em que uma parte da economia mundial está visivelmente instável, o equilíbrio é mantido por meio da força, de uma consistente e bem defendida base econômica, e da tecnologia que avançou a passos largos até se tornar fundamental à vida.

O lançamento será 19 horas na Saraiva do Pátio Paulista, que já virou point de quem curte literatura fantástica. Para marcar a data, pedi ao Richard que desse umas hot tips sobre o romance, e cá está esse dossiê secreto:

“No Cyber Brasiliana, eu tentei criar diversas inovações em cima da temática recorrente do Cyberpunk. Uma das coisas que mais chamou a atenção dos profissionais envolvidos na finalização do livro foi o fato de que inicio o primeiro capítulo apresentando um Brasil utópico – mais especificamente uma São Paulo –, com níveis de poluição praticamente zerados, sem a visão caótica de trânsito e do habitual “formigueiro humano”. Isso se explica pelo próprio cenário de Realidade Alternativa, onde os países do eixo-norte do globo entraram em uma decadência acentuada, permitindo o surgimento de três grandes potências abaixo do equador: a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova (unificações dos países em cada um dos três respectivos continentes hoje existentes). Com isso temos um cenário de três conglomerados hiper-desenvolvidos, com tecnologia e capital suficiente para provocar grandes mudanças”.

“A República Brasiliana detém a quase totalidade da criação do gado de corte mundial, o que a levou a avançar em muito com a tecnologia de confinamento, em edifícios que são verdadeiros bunkers sob o solo. Obviamente essa tecnologia de construção civil passou a se estender para as construções convencionais, com os edifícios paulatinamente sendo substituídos, devido a um temor inicial de guerras (que certamente teriam ocorrido caso o Brasil não dominasse a tecnologia nuclear para obter uma “moeda de troca” em caso de ataques). Com o desenvolvimento do Hipermundo, uma mega-rede de servidores com um software operacional de realidade aumentada, cada vez mais a necessidade das pessoas saírem de casa para trabalho, lazer ou uma simples interação pessoal, passou a ser nula. O fluxo de pessoas nas ruas passou a ser ínfimo, diminuindo o caos e a poluição urbana. A criminalidade passou a ser nula com o regime militar unificado ao presidencialismo, que ocorreu por meio de um golpe de estado. Leis severas, porém justas, inibiram a criminalidade e criaram laços patrióticos entre a população e o país. Uma utopia, como eu disse no início. Mas o cenário dark ainda sobrevive em minha obra, porém apenas no decadente eixo-norte. O segundo detalhe que gera alguma inovação é o fato de que, mesmo com esse ambiente fortemente desenvolvido, a trama se passa em sua grande maioria dentro do próprio Hipermundo, fato esse colocado nitidamente como segundo colocado em termos de “contravenção” aos preceitos convencionais do cyberpunk”.


Entrevista com John Makinson, CEO da Penguim

“Você foi citado no ranking dos nomes mais importantes da mídia em 2010 segundo o MediaGuardian por ações no mercado digital. Quais os próximos passos da Penguin nesse sentido?

O interessante desse ranking foi o argumento de que estamos redefinindo a indústria do livro. Alguns dos aplicativos que estamos desenvolvendo serão bem diferentes de tudo o que fizemos até agora. A maneira como apresentamos informações de viagem no iPad, ou como fazemos livros ilustrados para criança virem à vida, ou ainda como envolvemos redes sociais e comunidades de um jeito novo no mercado para adolescente. Isso tudo é muito novo e requer novas habilidades de editores. Significa que temos de entender novas tecnologias, novos critérios para determinar preços, temos de ser criativos na maneira de pensar no leitor. Não diminuo as questões que você levantou, a pirataria, a preocupação com lucro, são questões sérias. Mas, acima de tudo, estamos muito otimistas”, na íntegra no Estadão.

 

A Penguim é a nova parceira da Cia das Letras no Brasil. A editora é citada geralmente em eventos de literatura especulativa por dizer que não publica ficção-científica e por colocá-la no mesmo balaio da autoajuda. Entretanto, seu catálogo conta com um dos grandes clássicos da ficção-científica 1984, de George Orwell, e ela já publicou a história alternativa (um subgênero da ficção-científica) Associação Judaica de Polícia, do Michael Chabon. O que mostra mais falta de conhecimento do que preconceito no posicionamento estratégico.

Neon Neon, lá nos primórdios

Me dei conta de que julho está chegando à metade e me bateu um desespero de meio de ano de que não conseguirei fazer nada do que gostaria  em 2010. É um desespero diferente, porque está tudo encaminhado e eu não tenho muito o que fazer além de esperar. Fico na torcida pelas minhas novidades e pelas novidades dos amigos. Já estou com trabalho agendado para 2011, veja que bacana, cheio de idéias e alguns “okays” do povo do dinheiro.

Quando decidi que queria ser escritor 8 anos atrás, tinha 4 histórias na cabeça. O Dante, que foi meu primeiro livro. O Histórias da Noite Carioca, o segundo. Uma versão de Alice, super experimental e inédita. E o Neon Azul, que sai agora em agosto, com lançamento no Fantasticon. Quando eu escrevi o Neon, me deparei com várias das minhas limitações de autor. Ele era um livro muito maior do que eu, exigia mais do que eu sabia oferecer. Então ele foi para a gaveta, passou anos quietinho nela enquanto eu lia, escrevia, aprendia. Aí eu fiz a primeira revisão e mandei para duas editoras. Só duas mesmo. Nada de envios transloucados pelo correio. Uma nunca me respondeu (vim conhecer o editor 3 anos atrás, curiosamente). A outra mandou aquela famosa cartinha cheia de elogios, mas que diz não no final. Foi uma puta sorte. Agradeço muito às teias invisíveis do universo por essas duas negativas. O Neon voltou para a gaveta e lá ficou até eu me mudar para São Paulo. Fiz mais uma revisão no texto para não ficar parado e percebi que ele ainda não era o que eu queria. Mas, feliz, notei que estava chegando lá.

Mais tempo se passou e apareceu a editora Draco, meio de surpresa, interessada em um grupo de contos que eu havia ajudado a organizar em cima de uma idéia minha nascida num chat. Esses contos viraram os volumes 1 e 2 da Coleção Imaginários, hoje bem conhecida dos leitores de fantasia, terror e ficção-científica. Graças a eles, passei a ter contato com o editor Erick Santos e, depois de muito papo, apresentei o Neon Azul a ele. Quase numa compulsão, pedi um tempo para rever o livro inteiro antes de mandar.

E assim eu fiz. Tudo revisto, enviei para o editor, que me devolveu com algumas observações. Nova revisão e cheguei à versão final. Nesses quase cinco anos de mexidas, reescrevi 3 capítulos inteiros (inclusive o final), mudei vários detalhes dos demais, e  finalmente encontrei o livro que queria mostrar ao público. Caray! O Neon Azul estava pronto. Acho que é por isso que me espanto quando um autor coloca o ponto final num texto e envia no dia seguinte para a editora. Ou quando envia sem revisar textos escritos anos atrás.

O engraçado é que o Neon Azul nasceu bem antes de eu descobrir que existia algo chamado Fantasia Urbana fazendo sucesso no mercado estrangeiro. Então, posso dizer que a urban fantasy sempre esteve no meu DNA, mesmo quando eu não sabia disso. Sou um ser urbano, e isso se reflete nos meus escritos, sejam os personagens prostitutas  ou demônios engarrafados.

Mas estou fugindo do assunto. Queria mesmo era dizer que lá atrás, quando terminei o Neon, entrei numa nóia de que era um autor de 4 histórias. Tinha escrito as quatro e não sabia mais por onde seguir. E agora cá estou eu preparando mais dois livros de fantasia urbana e rascunhando a nova versão do Dante, que já tem nome, engrenagens e tudo.

Enquanto eu escrevo e reescrevo esses livros inifinitamente (desculpem pela ansiedade com o livro de magos), espero que vocês curtam, leiam, comentem bastante o Neon Azul. Como sabem agora, ele é fruto de anos de trabalho e do respeito que eu sinto por essa figura tão esquecida  nos debates literários chamada leitor. É o que eu tenho de melhor… pelo menos até o próximo.

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