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Telefone sem fio

Enquanto o som das vuvuzelas do apocalipse domina as ruas lá fora, resolvi escrever um post esclarecendo alguns projetos que está todo mundo confundindo no melhor estilo telefone sem fio. Então, vamos lá:

 

1 – Eric, você vai lançar o livro de magos agora, né?

Não. Eu ia correr com o livro de magos por causa do filme de Alice. Mas como o projeto cresceu e meu tempo encolheu, ele agora será lançado em 2011. Estou escrevendo com calma, colhendo opiniões de beta-readers. Preparando um universo onde possa escrever diversas histórias.

 

2 – Ué, então o Neon Azul não tem magos?
Não. O Neon Azul conta a história de um barzinho onde coisas estranhas acontecem. Tem um gerente que não dorme nunca, um advogado com diabo na garrafa, um assassino que atravessa espelhos, e por aí vai. Sairá agora no segundo semestre, pela Draco, provavelmente em agosto. É de longe o meu filho predileto. Ansioso pelo lançamento.

 

3 – Então por que eu estou confundindo os dois?

Porque no conto que eu escrevi para o Paradigmas 1, o mago Ícaro Pagani, protagonista do livro de magos, toma um drinque no Neon Azul. O universo é o mesmo, os livros são diferentes.

 

4 – Algum projeto no meio?

Sim. Um de fantasia urbana que estou escrevendo no momento. Mistura desilusões amorosas, deuses egípcios e blues. É o que posso dizer por enquanto.Por que ele furou a fila? Por ser menor.

 

5 – E o Dante? Lembro de ter lido aqui que você ia relançá-lo.

É mais uma idéia do que um projeto. Estou relendo o livro e rascunhando as modificações. Sai a referência a vampiros, entra mitologia romana. Então teremos Marte, Júpiter e Vênus virando a vida do protagonista de pernas para o ar. Não estranhe se esbarrar com uma Quimera ou similares também.

 

6 – Você e a Naza são a mesma pessoa?

Não. Os olhos são castanhos, mas o resto é diferente.

 

7 – Você pode contar do que se trata a nova série da Nazarethe Fonseca?

Não posso, até porque eu não sei. Ela ainda está elaborando os personagens. Antes disso, tem o livro 3 e o livro 4 da série Alma e Sangue pela frente.

 

8 – Você fez o copidesque de Alma e Sangue III – O Pacto dos Vampiros?

Não. Mas estou com ele aqui no HD, lendo antes de todo mundo. Hehe.

 

9 – E você não tinha um seriado para a Web?

Ainda tenho. Mas ele evoluiu para algo bem maior agora. Prefiro contar só quando o diretor falar o primeiro “gravando!”. Mas a idéia não morreu não. Se vocês acham que o mundo da literatura gira lentamente, precisam conhecer o do audiovisual.

Fronteiras da fantasia 5

Um dos grandes riscos de quem lida com o fantástico é deixar que o universo de possibilidades engula a própria literatura. Em uma das melhores mesas que já vi no Fantasticon, Nelson de Oliveira, Ronaldo Bressane, Santiago Nazarian e Kizzy Ysatis discutiam suas práticas de escrita quando o Santiago jogou no ar a seguinte provocação (nas minhas palavras, não lembro mais as dele): que autores de gênero teriam um compromisso maior com o gênero do que com o texto, enquanto autores de literatura do cotidiano teriam um compromisso maior com a palavra e o refinamento das frases. Desde então, quando estou entre autores de literatura fantástica, levanto essa bola. A última vez, no podcast Papo na Estante, acabamos concordando que ainda há muito espaço para se melhorar. Generalizar nunca é o caso, mas pensando em todos os contemporâneos de literatura fantástica que li, o Santiago não deixa de ter razão. Alguns escritores de fantasia passam mais tempo pensando em seus universos do que no próprio texto. Parece ser mais importante definir o comércio entre “orcs” e “elfos” e colorir de canetinha o mapa das terras inabitáveis de Asgard  do que aprimorar as ferramentas de escrita e entregar ao leitor um texto forte por si só. Utilizando o audiovisual como exemplo, quero dizer que uma boa equipe de efeitos especiais não deve ser mais importante do que o diretor e o roteirista na composição do que se apresenta. Antes de pensar na equipe de 3D, converse com o seu diretor de fotografia, o cara que saca das sutilezas.

Assim, sempre aconselho autores de fantasia a lerem mais literatura realista, a.k.a. mainstream. Na hora de resolver uma cena, de apresentar o clímax, autores realistas não podem sacar bolas de fogo do chapéu nem dentes pontudos da cartola. Seus recursos são a diegese firmada desde a primeira página, o processo de mudança dos personagens e a literatura por si só (o que não significa que todos eles escrevam bem). Efeitos especiais não são permitidos, Sr. Spielberg. Se um autor de fantasia conseguir dominar esses recursos, será capaz de oferecer um livro sólido e de alcance mais amplo.

Venho tentando entender e, quando possível, ajudar a nova geração de autores de fantasia a criar suas obras, porque acredito que o fantástico tem de fato um papel dentro do universo maior da literatura. Pedi então para o novíssimo autor Jim Anotsu, que lançou esse ano Annabel e Sarah, participar da série Fronteiras da Fantasia, representando não só autor, como também o jovem em questão.

“Muita gente desenvolve seu gosto pela leitura através de livros de fantasia, ficção-científica, chick-lits. Então temos aí um dos fatores que tanto permitem a aproximação entre livros e leitores. Não acho que uma pessoa seja introduzida no mundo da literatura por Philip Roth ou Joyce”.

Perguntei também como ele lida com os dilemas da fantasia e se ele tinha alguma estratégia para fugir das armadilhas de um texto fantástico:

“O fantástico é muito importante  numa história, mas aquilo que conecta uma pessoa ao texto é o elemento com o qual ela pode se identificar. Se pegarmos os grandes clássicos da literatura fantástica, eles não foram imortalizados porque o monstro-polvo-rosa-choque é maior do que alguma criatura que veio antes”.
Seguindo a linha de raciocínio de que o fantástico é um recurso extra, que vem para somar, não para confundir, ele acrescenta: “Não se pode separar o elemento humano do fantástico, você pega todas essas coisas, idéias, o Caos Cremoso que Andre Gide comenta em ‘Diários dos Moedeiros Falsos’, e bate até que surja uma massa homogênea”.

Como o Jim tem uma percepção diferente da criação de mundos, pedi para ele falar como é o uso da fantasia no seu universo adolescente.

“A fantasia em “Annabel & Sarah” é o tíquete de metrô que permite você ler a história e acreditar nela. Então em primeiro lugar, ela aceita as duas garotas em posições e lugares que de outras formas elas não conheceriam. É a fantasia que cria o pacto de confiança entre as três entidades: leitor, narrador e personagem.  Em ‘Annabel e Sarah’, o uso da fantasia está em cada página, nos animais falantes que Annabel conhece ou na cidade de Allegria com sua ditadura da felicidade. E o leitor prossegue na história porque algum sentimento, alguma coisa ali é real o suficiente para criar uma identificação. Eu sabia desde o início que eu deveria tentar escrever a fantasia mais delirante possível, mas de uma forma que fizesse com que o leitor ainda se identificasse com eles. Porque se você retirar, por exemplo, Dean Chinaski, uma raposa delinqüente, do seu contexto, terá um jovem perdido como muitos outros por aí”

Para fechar, Jim Anotsu fala do momento atual da fantasia: “Estamos vivendo um ótimo momento, muitos autores estão ganhando a chance de mostrar seus trabalhos e as pessoas começam a finalmente respeitar um gênero que durante muito tempo sempre foi a irmã mais feia da ficção científica, mesmo que grandes clássicos como “A Divina Comédia” de Dante ou “A Tempestade” de Shakespeare sejam histórias de fantasia. Eu tenho esperanças de que muitas coisas super bacanas estão vindo por aí”.

Meu amor é o sucesso

Okay, okay. Ainda não conquistei o mundo. Estou pensando em começar pela Colômbia, Nova Zelândia talvez. Mas nesse post estou falando dos pequenos sucessos, dos que nos fazem seguir em frente e matar um leão por dia com um sorriso no rosto, sabendo que uma grande jornada é feita de pequenos passos.

Queria agradecer a todos que apareceram no lançamento de Meu Amor é um Vampiro e aos que torceram de longe também.  O lançamento foi um sucesso, um clima muito gostoso de mission accomplished, cheio de amigos e presenças vampirescas ilustres. Fica um abraço também aos fãs crepusculares que deram um gostinho diferente à noite. Não sei o nome de todo mundo, mas espero esbarrar com vocês por aí em outros eventos.

No meio literário (e em qualquer outro) tem muita gente que fala mal e torce contra, não interessa o objeto em questão. O importante é torcer pelo fracasso alheio numa tentativa de compensar as próprias frustrações. Mas essas pessoas têm uma vida tão ruim, são tão losers, tão miseráveis, que fico com a certeza de que cada um colhe o que planta e, que me desculpem essas pessoas, continuarei sorrindo e fazendo o meu melhor.

Minha certeza de sucesso é saber que além de cuidar do que é meu, estou ajudando outras pessoas a chegarem lá. A Naza está aí que não me deixa mentir. Depois de muito sufoco, best-seller absoluto, ano que vem  lança o quinto livro e já se prepara para uma nova série. Nesse fim de semana, foi muito gostoso ver as autoras que estão sendo publicadas pela primeira vez em papel, nervosas só de estarem ao lado de veteranas, podendo falar com o público, de mãos tremendo  e olhos brilhando. Não tem recompensa maior do que saber que fiz parte disso. De bônus, ainda ganho novos amigos no percurso. Obrigado Draco por apostar na idéia.

Abrir portas individuais pode ser mais prático, é muito mais fácil, se bobear dá até mais status, mas prefiro seguir nesse caminho que me tira o sono e me tira do sério, porque são portas que não se fecham mais e acabam abrindo janelas, portões, passagens secretas. Lá na frente, meus amigos, a gente vê os resultados e faz um brinde de sangue rubro aos miseráveis que ficaram para trás.

Para fotos do lançamento:  Picasa da Draco Editora e Site Adorável Noite.

 

ps. que frio é esse, minha gente?

 

Dia dos namorados

Pessoal, só para lembrar que hoje, dia dos namorados, é o lançamento de Meu Amor é um Vampiro, primeiro volume da coleção Amores Proibidos, lançamento da editora Draco voltado para o público jovem e adulto. Reunimos 9 autoras para falar de romances vampirescos, cada uma ao seu estilo. Os casais estão (quase) sempre presentes, mas os contos trazem várias surpresas, uns são mais engraçados, outros mais sanguinolentos, tem para todos os gostos.

Espero vocês na Saraiva do Shopping Paulista, 16 horas.

 

Algumas autoras vieram para Sampa só para encontrar com os leitores. Não percam a oportunidade.

FantaZine

Acabo de descobrir, ligeiramentre atrasado, um novo e-zine de literatura fantástica organizado pelo Alex Bastos e pelo Lucas Rocha, duas figurinhas carimbadas da minha timeline. Apesar do nome, a FantaZine não tem o patrocínio da Coca-Cola. Essa revista traz na capa uma imagem já clássica de True Blood, entrevista com a Giulia Moon, material do crítico Antônio Luiz Costa, das autoras Ana Lúcia Merege e Rita Maria Félix, entre outros. Foi através de um post da Rita que fiquei sabendo da revista. Estávamos mesmo precisando de novos zines na área e acho que estão nascendo do lugar certo dessa vez. Fazer sempre ajuda a entender o trabalho por trás de cada iniciativa.

 

Mr. Alex comenta o que motivou a criação da revista virtual: “A FantaZine surgiu de certa maneira de um remorso meu, fiquei um tempo afastado da internet e quando voltei descobri a quantidade e a qualidade de material bom produzido pelo pessoa da Literatura Especulativa daqui”.

“Notei que não havia nada como uma revista de divulgação deste ramo, guardei a ideia por um tempo e depois a dividi com o Lucas Rocha que topou me ajudar a recolher o melhor do material. Como ainda estávamos na onda dos vampiros decidimos fazer uma edição especial sobre o tema. Com a mão mágica da Rita Maria Felix conseguimos finalizá-la”.

“A intenção é simplesmente divulgar o material de qualidade, seja ele de pessoas conhecidas ou não. Outros países já tiveram êxito, vide Portugal com a Bang! – que teve 16 mil downloads na terceira edição -, esperamos conseguir esse reconhecimento também”.

 

Se você curte Fantasia, Terror e Ficção-científica, não deixe de clicar.

 

 

A gataria

Enquanto meu MaineCoon não chega, faço aqui a propaganda de dois projetos felinos envolvendo a dupla dinâmica Ana Cristina Rodrigues e Estevão Ribeiro. O Estevão, autor da série de tirinhas Os Passarinhos, está escrevendo faz um tempo O Livro dos gatos, e tem postado imagens lá no blog dos birds. Ele já vinha flertando com os felinos nas tirinhas. Migalhas e Ágata Triste de vez em quando dão uns sustos nos pássaros Hector e Afonso. O pobre do Hector tem, inclusive, um caso virtual com a Ágata e ainda não sacou os interesses culinários da suposta namorada. O Livro dos gatos traz um time diferente e me parece mais poético e menos centrado no humor. Digo isso pelo traço, sem nenhum conhecimento de texto. Já a Ana colocou no ar A Casa dos Nove Gatos, um blog-livro que me parece baseado em fatos reais dada a emoção da história, mas posso estar enganado também. Fala de uma dona de gatos que, ao levar sua gatinha doente para uma UTI para autorizar o veterinário a sacrificá-la, recebe uma proposta do Rei dos Gatos, no melhor estilo As Mil e uma Noites. Um jeito nobre de mantê-la viva na memória.

Para relaxar, um cartão bem-humorado com participação da Velhinha da Pipoca (só para os olhos atentos).

Coletânea paga é tudo lixo? parte 3

Como quem precisa de ibope é novela das oito, chegou a hora de encerrar a série sobre coletâneas pagas aqui no site. Você pode refrescar a memória relendo a parte 1 e a parte 2 antes de embarcar na viagem final. Os posts foram bem visitados, e os comentários dos posts tiveram um número surpreendente de visitas. Tinha mais gente interessada na opinião dos outros sobre o assunto do que no assunto em si. Sempre lembrando, o objetivo da série era pensar o que leva alguém a pagar para trabalhar, ou no caso, o que leva um autor a pagar para publicar. Num tempo em que editores falam coisas como “já está publicando e ainda quer receber por isso?” com naturalidade, é importante estar atento e saber direitinho onde está se enfiando antes de assinar o cheque e o contrato. Você, autor, pode estar pensando agora: ué, mas o dinheiro não é meu? Eu gasto onde bem entender. Você tem toda razão. O mesmo vale para cocaína e drogas em geral, ninguém compra obrigado. Só que isso não me impede de tentar informá-lo e mudar sua decisão.

Fiquei devendo no encerramento falar sobre o público. Em coletâneas pagas, considero o público como a quarta ilusão. Uma das grandes mentiras é dizer que um livro com 50 autores tem mais chances de atrair leitores, porque o leitor pode gostar de um dos autores presentes. Em primeiro lugar, o público não é burro. Se o autor não sabe onde está investindo o seu dinheiro, o leitor sabe muito bem. Além disso, infelizmente, no Brasil, são raros os autores com essa força de atrair leitores simplesmente pelo nome, ainda mais para projetos paralelos. Conto nos dedos. E se ele tiver que escolher entre um conto de duas páginas e um romance, ele irá optar pelo romance do autor que acompanha.

Outro fator importante a se pensar é: como você pretende chegar ao seu público para dar a ele o direito de escolher comprar ou não o seu livro? A palavra mágica é distribuição. Tem editora que apresenta uma lista enorme de pontos de venda para o autor, mas o livro nunca está presente lá. A melhor maneira de saber se a editora que está te cobrando caro pretende mesmo distribuir o livro é anotar alguns dos títulos dela e fazer pesquisa de campo. Passe nas livrarias, peça para os seus amigos, veja se a distribuição é real ou se é mais uma enrolação da lista infinita. Distribuição é um gargalo difícil até para editora séria, imagine para essas que tratam a feitura de um livro como a produção de um tijolo.

Finalizando a questão, volto à Internet. Um site ou blog bem organizado e com material de qualidade vale mais do que qualquer coletânea trash para se apresentar ao seu público. Não subestime o poder de divulgação de blogs e redes sociais.

Como prometido, queria falar da minha experiência com publicação paga. Um dos pontos que levantaram nos comentários foi a qualidade da coletânea Paradigmas. Quando o Richard, editor, me mandou o e-mail falando do projeto, ele deixou claro que era um projeto pessoal, então não considero foco dessa série de posts. Apostei tanto na idéia que pedi o dobro de livros. Mas, supondo que fosse uma coletânea paga tradicional, digo meus motivos para participar:
(1) não custou meu rim,
(2) eu sabia que estaria em boa companhia: só tem amigo e fera na lista de autores,
(3) tinha comentado minha idéia para um romance em fóruns e achei por bem registrá-la na forma de conto, (4) aproveitando para apresentá-la para esses amigos que citei ali no item 2.
Simples assim, decisão pensada, não me arrependo.

O mesmo não posso dizer de Dante, o guardião da morte. Na época em que publiquei, não vi outra alternativa. Tinha esgotado as opções em editoras convencionais e achei que aquela era a única chance. Veja só que ironia, uma semana depois de assinar o cheque, recebi um e-mail de uma editora convencional aceitando publicar meu outro original, o Histórias da Noite Carioca. Se eu tivesse esperando mais um pouquinho, não tinha torrado o dinheiro. Falando nele…

… uma tática comum é a editora dizer que o autor irá colaborar comprando parte da tiragem. E é verdade, o autor leva para casa um monte de livros na esperança de vendê-los para recuperar o dinheiro. Aqui, valem dois comentários (1) o que você paga por um X de livros geralmente está pagando a tiragem inteira. Na época em que a editora me contatou, consultei pessoas que lidavam com gráfica e descobri que o que eu ia pagar por 500 livros cobria com folga a tiragem de 1500 que, teoricamente, foi comercializada pela editora. Para economizar mais um pouco, a editora fez a capa sem orelhas. (2) Eu não sou vendedor de Bíblia, não sou vendedor da Avon. Não saí batendo de porta em porta para esgotar os 500 livros que tinha comigo. Vendi uma parte, outra usei como cartão de visitas. O restante ainda está aqui no meu armário, quase 6 anos depois. Se tivesse recorrido a uma gráfica e feito uma tiragem menor, 200 exemplares, por minha conta, o livro teria ficado melhor, a capa mais bonita, o resultado teria sido o mesmo, e a grana não tinha feito falta. Infelizmente, mesmo sabendo disso, insisti no erro. E por quê? Pela distribuição.

O livro foi distribuído. Em uma semana estava lá, na outra não estava. A editora que cobra não precisa trabalhar o livro do autor. Fora isso, o livro custava muito caro. Inexplicavelmente. Ficava ao lado do livro de autores mais famosos que tinham um preço muito menor e um acabamento muito melhor. Se eu fosse o leitor-comprador (lembra que ele não é burro?), eu compraria o livro do lado e não o meu. Mas na época blogs não tinham força, o que dirá existir twitter, orkut, e-book e as infinitas redes sociais. Hoje, de jeito nenhum tomaria essa decisão. Foi um dinheiro que por muito tempo me fez falta.

Assim, quero encerrar com o que considero a mensagem geral dessa série de posts:

Quando você paga, que isso fique claro, você está investindo na editora. Você não está investindo em você ou no seu futuro como autor. Isso é tolice. Muito menos a editora está investindo em você. Se um editor que cobra falar isso para você, por favor, ria na cara dele, faça isso por mim.

Kara e Kmam, segredos de alma e sangue

Fãs de Alma e Sangue, chegou a hora de revelar a capa de Kara e Kmam – Segredos de Alma e Sangue, novo livro de Nazarethe Fonseca. Já tinha me despedido da série ano passado, quando finalizei o copidesque de O Império dos Vampiros, o livro II, e fui me dedicar ao meu romance. Mas, meio que de surpresa, a Aleph comprou os direitos de Kara e Kmam, e a Naza me chamou para trabalhar mais uma vez com ela. Como meu romance de magos foi adiado para 2011, topei com uma condição: que a gente pudesse dar um sabor totalmente novo à estrutura e à história do livro. Não queria me prender ao conceito anterior. A Naza, apaixonada por seus filhotes literários, topou a proposta e lá fomos nós reconstruir o livro.

O primeiro ponto foi encontrar uma palavra-chave para o que queríamos fazer. Depois de uns papos por skype, chegamos à conclusão de que era hora de revelar alguns segredos para os fãs de Alma e Sangue. Segredo se tornou o nosso eixo, a palavra guiando cada novo diálogo, cada novo parágrafo, e as cenas de arrepiar que a Nazarethe criou e recriou especialmente para essa versão.
A Naza já tinha várias ideias na manga, foi só colocá-las em prática. Dessa vez, cada personagem revelará um segredo diferente ao leitor. Todo mundo tem algo a esconder, e isso fica claro na história. As consequências dessas mentiras e verdades irão mudar a opinião dos fãs sobre os personagens principais de um jeito irreversível.

O grande segredo do livro, obviamente, quem guarda é Kara. A capa é uma homenagem à transformação que ela passará no decorrer da história. Ela também descobrirá um segredo de Jan Kmam que vai fazer as fãs se descabelarem. De bônus, há muito sobre o passado do rei Ariel Simon, elementos que influenciam diretamente a trama do livro II – O Império dos Vampiros, e do livro III – O Pacto dos Vampiros, que será lançado até o fim do ano. Os fãs também serão apresentados a um novo personagem que habitou por muito tempo o blog da Naza: o vampiro Bruce. Um vampiro gay bem peculiar, com uma participação importantíssima no Pacto. Espero que vocês curtam o livro novo de Nazarethe Fonseca e o que foi, dessa vez para valer, minha despedida da série Alma e Sangue.

Aproveitando, a Naza particiou, a convite meu, da coletânea Meu Amor é um Vampiro. Para saber detalhes do lançamento, é só clicar no convite do post abaixo. Rola aqui em São Paulo, no dia dos namorados.

>> Domingo, não deixem de ler a terceira e última parte da série “Coletânea paga é tudo lixo?”. Falo sobre público e sobre a minha experiência com o assunto.

Vampiros all over the world

Pessoal, vou me ausentar por uns dias. Deixo aqui com vocês um convite para o lançamento da coletânea Meu Amor é um Vampiro, que organizei a pedidos de Erick Santos, editor da Draco, com a Janaína Chervezan. Só quem organiza um livro sabe a aventura que é lidar com tantos pontos de vista diferentes, opiniões distintas. Chega uma hora em que as letras começam a embaralhar, você lê o conto de um pensando no personagem do outro. Vê morcegos e estrelas girando ao redor da cabeça. Dá vontade de jogar tudo para o alto e pedir um Bloody Mary fresquinho, direto da fonte – o tomate.

O lado bom é que o resultado sempre deixa a gente orgulhoso. Reunir um time de feras como esse não é para qualquer um não. Helena Gomes, Rosana Rios, Giulia Moon, Nazarethe Fonseca, Cristina Rodriguez, Regina Drummond, Valéria Hadel, Ana C. Silveira e Adriana Araújo mostram que vampiros sempre rendem boas histórias.

O livro está super caprichado, o acabamento gráfico é um show à parte como já se tornou tradição na editora. Lady Draco e Sir Draco acertaram mais uma vez. Vejo vocês no lançamento e no próximo volume da coleção Amores Proibidos. A gente se encontra 12 de junho, dia dos namorados, é claro, na Saraiva do Pátio Paulista. Basta clicar no convite para ampliá-lo.

 

Amanhã, num post programado, tem uma surpresa para os fãs de vampiros. Fiquem espertos.

Nada a dizer, Elvira Vigna

Nada a dizer recebeu resenhas elogiosas no Jornal do Brasil, Jornal Rascunho, Gazeta do Povo, Folha de São Paulo, Correio Braziliense e Estadão, se tornando um dos trabalhos mais comentados da Elvira.  Esse é o sexto romance da autora, o quinto publicado pela Cia das Letras, que esnobou o livro A um passo, um romance de vanguarda que deve ter dado nó na cabeça dos editores de lá por mostrar uma história criada na mesma medida pela autora e por quem a lê, uma aula sobre espaços vazios, sobre o que há fora da tela, diria alguém de cinema.

Nada a dizer traz uma história mais acessível, livro para se ler numa tarde sem sentir o tempo passar. Ele vem disfarçado da descrição de uma traição no ponto de vista da pessoa traída. A narradora conta como descobriu que vinha sendo traída, o que significa essa traição para ela, e como pretende superá-la. Mas há muito mais lá, e a traição amorosa é só uma pincelada de um quadro mais complexo de ideais.

Os livros de Elvira Vigna geralmente falam de mulheres que matam, na voz de narradoras que mentem. A narradora de Nada a dizer, ao contrário, quer sobreviver a mentiras, e busca uma verdade dentro de diversas delas, tanto nas de Paulo, o marido, como nas que foram construídas ao longo do tempo pela sociedade numa busca frenética por símbolos auto-impostos de solidez e felicidade. É quase uma vítima de suas antecessoras assassinas potenciais. Enquanto as killers mostravam a classe média com uma entidade fantasmagórica, sombra de si mesma, a narradora de Nada a dizer mostra que a classe média ainda tem lá sua graça, um quê de humanidade, cheia de desejos, ânsias, fraquezas. Ao fingir que fala da falência dos relacionamentos, Nada a dizer mostra a falência de estruturas de pensamento, e faz isso ironicamente caprichando no desenvolvimento da estrutura que carrega o texto.

Meu olhar nerd curtiu o esqueleto que a autora montou para acomodar sua história. Veio dele meu “uau moment”. Curti também o distanciamento momentaneo da narradora, que olha tudo como pesquisadora na bancada do laboratório antes de se aproximar e se transformar também em personagem, como seus objetos de estudo. Elvira montou a piscina, encheu de água e depois pulou.

Como bem diz o release “mais do que o inventário de perdas e danos em que costuma consistir esse tipo de relato, o que se encontra aqui é uma investigação das motivações de cada um dos envolvidos, bem como uma discussão indireta das possibilidades de entendimento amoroso no mundo urbano contemporâneo”.

Para fechar, é bom dizer que o livro não traz nenhuma lição de moral. Não foi patrocinado pela Disney.  Ao desmontar os símbolos, precisa lidar com o que está embaixo deles, o tal do mundo real, se concentrando em um reaprender a olhar a si mesmo. Com direito até a mulheres que matam… ou não. Afinal, mesmo uma narradora interessada em verdades pode contar uma mentira de vez em quando.

 

Resenha publicada anteriormente no Aguarrás.

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