Peter Cincotti aparece comumente em listas de nomes do jazz contemporâneo, mas seu estilo vem evoluindo de CD para CD e engloba cada vez mais ritmos musicais. O pianista foi o artista mais jovem a entrar na parada de jazz da Billboard e está aos poucos conquistando espaço no cenário internacional, aparecendo com força na Itália, França, Bélgica e Suíça, países mais abertos ao mix musical que Cincotti decidiu explorar. O músico de 23 anos acaba de lançar East of Angel Town pela Warner, garantindo uma ampla distribuição ao redor do globo. Por aqui, nenhuma divulgação, mas se considerarmos o panorama de lançamentos em território tupiniquim, já é sorte ver o CD nas prateleiras (procure antes no setor de cantores de jazz), mesmo que com preço salgado e superior ao de alguns títulos importados.
Se no primeiro cd Peter Cincotti apostou no território seguro dos clássicos de jazz, em On the Moon (lançado pela Universal) músicas de Carole King, Cole Porter, William Handy e Cindy Walker começaram a dividir espaço com composições próprias do pianista. Seguindo um caminho natural, Cincotti decidiu explorar mais o lado compositor e em East of Angel Town, seu terceiro trabalho, conduziu uma mudança estratégica: mudou para a Warner, contratou para contato de mídia Liz Rosenberg (que trabalha com Madonna) e gravou um CD totalmente autoral, escolhendo como produtores ninguém menos que David Foster (14 Grammys no currículo, com 42 indicações) e Humberto Gatica.
“Eu acredito que toda expressão artística é autobiográfica, seja literal ou simbolicamente. Não acho possível criar algo que não seja assim”. – Peter Cincotti.
O acerto de Peter Cincotti em East of the moon é usar o jazz como uma inspiração e não como uma camisa de força. O próprio cantor diz que foi um verdadeiro duelo convencer David Foster de algumas de suas idéias, mas o esforço foi válido. Exceto por alguns exageros em uma faixa ou outra (típicos de quem quer usar todas as idéias ao mesmo tempo e esquece que menos é mais), East of Angel Town funciona muito bem ao equilibrar o lado clássico e contemporâneo do jazz, fórmula que Cincotti vem aprimorando desde o início da carreira. Outro acerto provavelmente guiado por David Foster é usar como ponto de partida para a evolução melódica a voz singular de Cincotti e sua habilidade ao piano, o que dá personalidade ao trabalho e ajuda o músico a atrair públicos variados. Mesmo não sendo nova, também não deixa de ser interessante a idéia de fazer de cada música uma pequena história, deixando as letras do CD com um caráter mais dinâmico.
Os destaques de East of Angel Town ficam por conta de Make it All Alive, Goodbye Philadelphia e Man On a Mission.
