A história se passou nos Estados Unidos.
O professor Louis Gates (negro) chegava de uma viagem à China e não conseguiu abrir a porta de casa. O taxista, simpático, foi lá ajudá-lo a destravar a porta. A vizinha (branca) viu dois negros na porta da casa e chamou a polícia. Um tempo depois a polícia chegou e encontrou Louis Gates já dentro de casa. Ele foi preso. A vizinha tirou uma foto de seu ato de heroísmo.
Ótima vizinha que não sabia que Louis era o dono da casa. Também não sabia que ele é professor de Harvard, considerado pela Times um dos americanos mais influentes em 97 e diretor do Instituto de Pesquisa Afro-Americano de Harvard.
Mais tarde ele foi liberado. Pedidos de desculpa?O inverso. Teve que assinar um termo que o livrava da acusação de desacato, afinal tinha tentado explicar aos berros quem era de fato.
* fonte: coluna da Miriam Leitão em O Globo.
Fico pensando o caso aqui no Brasil:
1. O vizinho quer mais que você se ferre. Não chamaria a polícia. Eu hein, me envolver em problema dos outros.
2. Supondo que se desse ao trabalho, a polícia não viria.
3. Se viesse, Louis Gates teria tomado um tiro. A notícia sairía no jornal. E o governador diria que “os responsáveis serão afastados da corporação”. Pelo menos por um mês até a poeira baixar.
O Brasil não avançou nada no atual governo na questão dos crimes por preconceito e direitos de minorias (cotas em universidades?). Mesmo nossa característica sincrética que tornava a religião menos nociva por aqui tem se diluído nas ambições políticas das bancadas de determinado grupo religioso. É tão bizarro pensar na venda de Acarajé de Jesus na Bahia para competir com as baianas de verdade, invasão de centros espíritas, agressão a pais de santo… a lista é grande. Num dia a gente acha graça de um sem noção chutando santa na TV, no outro.

Pois é. E viva o país da tolerância, meu amigo!