Sábado passado participei de uma palestra sobre o mercado de ficção especulativa no RPGCon e fiquei devendo algumas palavras. Antes de mais nada, deixo um obrigado ao Conselho Steampunk pelo convite. É sempre bom conhecer pessoalmente quem só converso por meios virtuais.

A mesa redonda conseguiu encher o miniauditório, alguns rostos antigos, a maioria gente nova, o que é sempre motivo de comemoração. Tentei pontuar com algum humor o bate-papo que rolou na companhia de José Roberto Vieira (Baronato de Shoah), Douglas MCT (Necrópolis), Cristina Lasaitis (Fábulas do Tempo e da Eternidade), Richard Diegues (Cyber Brasiliana) e Gian Celli (organizador da coletânea Steampunk e com um romance do mesmo gênero no forno). Foi a primeira vez que falei em público do meu novo livro, Neon Azul, que sai agora em agosto no Fantasticon, mas não tive muita oportunidade (o tempo era curto, a agenda do evento é movimentada) para falar sobre fantasia urbana.

Um dos momentos mais engraçados foi a constatação da platéia de que vivemos hoje em um mundo cyberpunk, cercado de aparelhos, implantes e tecnologia, a maioria de nós vivendo em metrópoles. Pensar que Orkut não deixa de ser cyberpunk foi desesperador, mas todos superamos o trauma. Um dos participantes levantou a observação de que caminhamos para uma utopia forçada, onde tudo é politicamente correto, todos são obrigados a ser felizes, os vampiros são românticos e camaradas, e por aí vai. A comparação com Demolition Man, filme com Silvester Stallone, foi muito boa. Para quem não lembra, ele trata de uma realidade onde a violência foi eliminada, as pessoas praticam sexo usando capacetes (sem contato físico) e as rádios só tocam antigos jingles, e não mais música de verdade.

Para fechar, conseguimos falar rapidinho sobre o New Weird e suas peculiaridades. Mas aí, o pessoal da próxima palestra já estava batendo na nossa porta e tivemos que sair.

Como tenho a alimentação super controlada e a mesa redonda caiu justo na hora do almoço (e estava difícil até de conseguir água por lá), acabei voltando para casa para almoçar e não assisti o restante das palestras – que teve nomes como Eduardo Spohr, Leonel Caldela e Raphael Draccon – nem a entrega do prêmio da gincana de A Tríade, que se espelhou no esquema dos ARGs e mobilizou cerca de 100 pessoas.

Por fim, muito bom conhecer o pessoal da Moonshadows, livraria que divulga bastante a fantasia como um todo e tem apoiado os títulos da Draco e de outras editoras. Merecia mais espaço do que disponibilizam, com certeza.