01. Com 150.000 exemplares vendidos, quase 30 livros publicados, você joga pelo ralo a noção geral de que autores nacionais não vendem bem. Qual a sua opinião sobre o nosso mercado editorial? Ter um currículo desses facilita na hora de negociar a próxima publicação?
Bem, vamos por partes. Os autores nacionais não vendem bem porque insistem em explorar áreas que não são de interesse do público em geral. Meus livros de pesquisa histórica, por exemplo, são todos calcados em assuntos que são atraentes ao público, que não possuem similares em português que sirvam de introdução ao assunto e, ao mesmo tempo, mostrem um lado simpático da História. Por exemplo, quem nunca quis ler um pouco sobre Piratas, Lendas Chinesas ou entender de maneira não acadêmica a história da civilização romana? História é muito mais do que uma enorme lista de nomes e datas, é também uma fonte inesgotável de tramas que, mais tarde, podem ser aproveitadas num romance de cunho histórico. Pessoas do mercado editorial já me falaram que cerca de sete em cada dez romances publicados tem um pé em algum fato ou lenda retirados da história da civilização humana. Então por que não fazer com que o público tenha acesso a esses assuntos de uma forma divertida? O nosso mercado editorial, infelizmente, ainda é regido por uma regra, que é a da “onda da vez”, ou seja, quando um assunto faz sucesso, exploram até que não venda mais. O que você, como autor, pode fazer é tentar sempre dar um ângulo novo para o assunto e aguardar que o editor caia na real e veja que aquilo não dá mais. OU arriscar, com uma boa lábia de vendedor, convencer sua editora a investir X mil reais num assunto que pode vender muito ou pouco, mas quando não corresponde às vendas, a culpa pela insistência na publicação cai invariavelmente no autor. E por fim afirmo: ter um currículo desses facilita sua aproximação com as editoras, mas não garante que você seja um best seller a ponto de vender qualquer coisa para o editor. Você passa pela avaliação normal que os demais passa. A vantagem é que veem sua proposta com mais atenção do que a dos demais, mas o processo de seleção é o mesmo, seja para livros de pesquisa ou para romances.
02. Está havendo um movimento discreto das nossas editoras para encontrar autores com capacidade de escrever Best-sellers, literatura de entretenimento de qualidade. Por que agora e por que só agora?
Há vários motivos para isso e a maioria deles envolve certos parâmetros de vendagem que apenas aqueles que mais estão centrados no mercado compreendem. O que posso afirmar, baseado no que observo nas listagens de mais vendidos, é que há muito da “onda da vez” envolvido nisso. Por exemplo, até o advento das obras de André Vianco, não havia muito interesse em vampiros, que era um assunto restrito apenas aos adoradores do gênero. Depois do Vianco e com o advento da série Crepúsculo, o assunto deixou as esferas dos adoradores e se tornou assunto até mesmo de yuppies. O que nos leva a crer que a “onda da vez” não é um fenômeno só de livros, pois envolve adaptações para outras mídias, principalmente quando se tornam filmes. Antigamente o livro dava origem ao filmes e era, depois disso, até ignorado e esquecido. Hoje é o filme que dá origem a novos leitores, que procuram o livro para ver como é a história original. Por isso as editoras, ao sentirem o potencial da tal série, investem em continuações e trilogias. E isso fascina o leitor, que gosta sempre de voltar aos cenários e personagens conhecidos, e até mesmo a esperar desfechos de tramas à lá novela das oito, como aconteceu com o final da série Harry Potter. Há fãs que simplesmente odiaram e outros que adoraram, mas ninguém deixou de fazer fila para comprar o último livro, o que deverá acontecer de novo quando chegar o filme. Ligados nessa tendência, as editoras nacionais querem encontrar um André Vianco que esteja fora da “sociedade vampírica”, por assim dizer, e ver outros segmentos, como policial, aventura e suspense, entre outros, encontrarem suas contrapartes. Quem sabe, quando sair o primeiro filme baseado numa obra do Vianco, vejamos esse movimento se intensificar ainda mais.
View Full Article »