Se a resposta é não, você nunca leu meu segundo livro, o que é um vexame total! Shame on you. Lucas Moginie é um escritor com síndrome de Pirandello que conversa com os personagens, frequenta seus próprios cenários, tem fobia de fantasia e vício por realidade. Sim, ele é meio esquizofrênico, mas é muito divertido. O problema do Lucas é que para se inspirar ele ia para bares e boates com um caderninho e anotava todas as frases interessantes e histórias loucas que ouvia, transformando a realidade em ficção. Só que o sujeito acabou ficando famoso com isso. E o que você faz quando gosta de aparecer e um cara como o Lucas aparece do seu lado? Você fala uma frase forçada e repensada 10 vezes na esperança de se transformar em personagem. Inventa suas próprias histórias. Acaba com a realidade e a transforma em fantasia (né celebridades?).  E isso foi o mesmo que enfiar uma faca de rocambole da imaginação do Lucas. Crise de criatividade, prazo estourando, editora pegando no pé. A vida dele vira um inferno!

E é aí que entra a Tita. Tita é um amor do passado, que acompanhava a vida do Lucas lendo os livros. Quando o livro não sai na época programada ela sabe que algo está errado, e a melhor maneira de curar uma crise de criatividade é levar Lucas Moginie para conhecer novos lugares da noite carioca. “Tô passando aí, se arruma e desce”. É assim que eles se reencontram e a bagunça toda começa.

Quer dizer, Histórias da Noite Carioca na verdade começa assim:

“Lucas P. Moginie. Esse é o meu nome, minha assinatura no cheque e no final do livro. O P. é do Paes, que eu costumo abreviar por achar que Lucas Paes não soa assim, lá essas coisas. Da família eu herdei apenas o Moginie, por isso me sinto à vontade para ocultar o nome do meio. Evito quebrar os galhos da árvore genealógica e me poupo de ouvir Lucas Paes da boca de terceiros. Paes é marca de fantasia.

A profissão? Sou escritor. Talvez você me pergunte isso amanhã e eu pense duas vezes antes de responder, mas hoje estou convicto de que, sim, eu sou. Trago poucos livros na bagagem, porém já conquistei incontáveis inimigos. Fãs? Eles sempre estão por perto. São os fiéis companheiros de jornada. Ao menos é o que diz Lívia, minha agente, quando precisa + quer + acha viável me reconfortar”.

O livro você encontra em livrarias físicas e virtuais. As crônicas do Diário Secreto de Lucas Moginie, eu começo a reeditar na semana que vem. São 45 textos. Hora do personagem ganhar vida novamente.